Bebês prematuros estrelam ensaio fotográfico de Páscoa no HRT

Em meio a ovos de chocolate e coelhos, crianças e mães participaram do ensaio "Páscoa da Amor"

Mariana Raphael/Saúde-DFMariana Raphael/Saúde-DF

atualizado 30/03/2018 8:26

Os 22 bebês internados nas unidades de terapia intensiva e intermediária do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) participaram, nesta quarta-feira (28/3), do ensaio fotográfico “Páscoa de Amor”. Para registrar a data especial, dois cenários com coelhos, ovos, cestas e flores foram montados no local pela fotógrafa voluntária Ticiane Araújo e sua assistente, Vitória Rodrigues.

Cada mãe foi responsável por elaborar a fantasia do filho, durante oficina promovida no hospital por dois dias. Feito com material emborrachado, o traje pode ser higienizado facilmente, sem risco de contaminação. Nicolle Sousa Moraes, que nasceu com apenas 800 gramas e já atingiu 1,8 quilo, foi a primeira modelo.

“Foi muito bom. Muitas vezes ficamos tristes por causa do longo tempo no hospital e essa é uma forma de nos alegrar. Ver nossos filhos sendo modelos e, principalmente, vestidos de coelhinho, é interessante”, elogiou Francisca Cleoneide Sousa, 41 anos, que teve gêmeas, sendo que a outra bebê está no Hospital Materno Infantil. As duas estão internadas há mais de dois meses.

 

Alice de Andrade Moura, que nasceu com 950 gramas e já atingiu 1,65kg, foi o segundo bebê a participar do ensaio. A mãe, Patrilene Gomes de Andrade, 36 anos, ficou emocionada com a iniciativa. “Muito bonito. O cenário está perfeito. Para quem está aqui 24 horas, o ensaio também é uma distração e diminui a ansiedade”, revelou a mãe.

A fotógrafa voluntária destacou que trabalha há oito anos com bebês, mas é a primeira vez que desempenha a função em ambiente hospitalar. “É um trabalho que exige muito amor, é emocionante”, disse.

Vínculo
A supervisora de enfermagem da neonatologia do HRT, Kaisa Raiane dos Santos, explicou que a iniciativa também tem o objetivo de aproximar os profissionais das famílias. “Podemos criar um vínculo maior com os pais, porque sabemos que não é fácil ficar internada, longe dos demais filhos e da família. Elas esperavam estar em casa, não aqui”, complementou.

A terapeuta ocupacional Mchilanny de Menezes esclareceu que essa é uma das ações de humanização do Método Canguru, do Ministério da Saúde, que preconiza o contato pele a pele da mãe com o bebê. “Essa é uma forma de trazer o contexto do mundo externo para as mães que estão internadas. Tentamos combater a ociosidade, porque isso traz sofrimento psíquico e elas ficam angustiadas”, disse.

Ela também explica que o bebê percebe a proximidade da mãe, sente o cheiro da pele e tem o contato, o que contribui para o ganho de peso. “Ele ouve a voz da mãe, escuta as batidas do coração”, complementou.

No HRT, são realizados aproximadamente 300 partos por mês. Dos 22 bebês participantes, seis estão internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, cinco na de Cuidados Intermediários Convencional, seis na Unidade de Cuidados Intermediários Convencional Externa e seis na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru.

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