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O avião monomotor modelo RV-10 fabricado em 2013 que caiu em Patos de Minas (MG), no último fim de semana, já havia se envolvido em outro acidente, em 2014. No domingo (4/11), estavam na aeronave os médicos Marcos Nogueira Chagas, 45, Carla Giannine Pereira Medina, 44, e os três filhos do casal, de 7, 10 e 13 anos. Não há sobreviventes.

Os dados do outro acidente estão na página do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Há quatro anos, a aeronave decolou de Guanambi (BA) com destino ao Aeroclube de Aracaju (SE), transportando três passageiros. Ainda de acordo com a ocorrência, quando o piloto se preparava para realizar o pouso, após o cruzamento da cabeceira, houve a perda de controle do avião, que tocou a asa direita no solo. À época, ninguém se feriu.

Segundo informações do registro do monomotor na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a compra ou transferência do veículo teria sido feita para Marcos Chagas em 11 de julho deste ano. A aeronave comportava três passageiros e poderia voar durante o dia.

Acidente 04-07-2014 PR-ZMZ by Metropoles on Scribd

A tragédia com a família do DF ocorreu em município que fica a cerca de 430km de Brasília. Marcos pilotava a aeronave de prefixo PR-ZMZ. O monomotor caiu quando o piloto tentava aterrissar o avião particular por volta das 10h30 de domingo, próximo a uma fazenda a 1,5km do Aeroporto Municipal de Patos de Minas, segundo o Corpo de Bombeiros da região do Alto Parnaíba, responsável pelo atendimento da ocorrência.

Marcos e Carla trabalhavam como radiologistas da rede pública de saúde do Distrito Federal. Ele era lotado no Hospital Regional de Ceilândia (HRC). Ela atuava na Central de Radiologia de Taguatinga. Na página da médica no Facebook, diversos amigos da família exibem, nesta segunda-feira (5/11), fotos com a palavra “luto” e deixam mensagens em uma das fotos de Carla com as duas filhas mais novas.

Veja outras fotos da família:

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico), Gutemberg Fialho, trabalhou com Marcos em um hospital particular em Taguatinga e o definiu como um profissional exemplar. “Tranquilo, alegre e facilitador. Desde que ele foi para o HRC, eu o encontrava esporadicamente. Não sabia do gosto pela aviação e estamos tristes com a notícia. Um desastre. Marcos será lembrado como um colega alto-astral”, disse Fialho.

Os corpos foram liberados por familiares das vítimas ainda no domingo (4). A informação foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML) de Patos de Minas. Segundo o órgão, a família será velada no Cemitério de Varginha (MG), cidade onde moram parentes do médico, às 17h desta segunda (5). O laudo do IML aponta que a causa de morte das vítimas foi politraumatismo.

Operação de resgate
O chefe das operações de resgate na área da 4ª Companhia Independente de Bombeiros, tenente José Inivaldo de Queiroz Silva, conversou com o Metrópoles. Segundo ele, atuaram na operação oito bombeiros, policiais civis e militares.

“Quando chegamos, não havia ninguém vivo. Os corpos estavam presos às ferragens. Não teve incêndio, mas todos estavam muito machucados”, afirmou.

A partir de agora, investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 3), órgão regional do Cenipa, realizarão a ação inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.

Esse procedimento é começo do processo de investigação e tem o objetivo de coletar dados: fotografar cenas, retirar partes da aeronave para análise, reunir documentos e ouvir relatos de pessoas que possam ter observado a sequência de eventos.

“A investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram. A conclusão de qualquer investigação conduzida pelo Cenipa terá o menor prazo possível, dependendo sempre da complexidade do acidente”, informou a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB) por meio de nota.

Pesar
Em nota, a Secretaria de Saúde solidarizou-se com os familiares dos médicos, “ratificando o voto de pesar pela perda e agradecimentos ao trabalho prestado à Saúde Pública do DF”. O colégio Olimpo, onde Pedro Victor Medina Chaves, um dos filhos do casal, estudava, destacou pelas redes sociais que está de luto.