UnB: assembleia mantém indicativo de greve, mas aulas seguem normais

Nesta segunda (25/5), a categoria decidiu continuar mobilizada após impasse com o governo federal sobre pagamento da URP

atualizado

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Nesta segunda-feira (25/5), a Assembleia Geral Extraordinária da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) deliberou pela continuidade do indicativo de greve e das mobilizações da categoria. Apesar disso, as atividades seguem normalmente na Universidade de Brasília (UnB).

A decisão ocorre em meio à recém-instauração de uma mesa de negociação com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), definida após reunião na Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF), com a presença de representantes da AGU, da Reitoria da UnB, da ADUnB e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Embora a categoria ainda não tenha estabelecido uma data para a paralisação das atividades, a manutenção do indicativo representa um posicionamento formal de que a greve poderá ser deflagrada a qualquer momento, a depender do rumo das tratativas. Durante a apresentação do histórico do caso, Antonio Escrivão criticou o que chamou de “inflexibilidade do MGI” nas etapas anteriores do processo.

Diante dos elementos apresentados na mesa de conciliação e após prorrogar a sessão por 30 minutos para assegurar o quórum legítimo de votação, a Assembleia Geral Extraordinária da ADUnB aprovou os seguintes encaminhamentos:

  • Manutenção da Assembleia Permanente: a categoria aprovou a continuidade deste instrumento jurídico-regimental, que serve formalmente para reduzir os prazos regimentais exigidos para a convocação de novas assembleias, garantindo maior agilidade de resposta ao movimento sindical.
  • Manutenção do Indicativo de Greve: os docentes aprovaram a continuidade do indicativo de greve aprovado em 14 de maio, mantendo o posicionamento formal de mobilização e o estado de alerta da categoria frente às negociações.

Demandas em pauta

A inclusão de novos professores na folha de pagamento da URP será um dos temas centrais das próximas discussões para a mesa de negociações. A Reitoria da UnB oficiou o MGI para tentar garantir o benefício a quem ainda não o recebe, mas o ministério rejeitou o pedido sob a justificativa de inviabilidade técnica. Como alternativa, o coletivo avalia abrir um novo flanco de negociação focado especificamente nesses docentes.

A assembleia, conduzida pela presidente da ADUnB, Maria Lídia Fernandes; pelo segundo vice-presidente, Antonio Escrivão; e pelo secretário-geral, Pedro Gontijo, começou às 16h03. O encontro deu continuidade ao indicativo de greve aprovado em 14 de maio, motivado pelo impasse histórico da Unidade de Referência de Preços (URP) e pela cobrança por avanços nas negociações com o governo federal.

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Histórico das discussões

Escrivão apresentou um resgate histórico das tratativas, adotando como marco temporal o mês de setembro de 2025, período em que foi iniciada a mesa de negociação e a categoria deliberou por ingressar formalmente nas discussões.

De acordo com o vice-presidente, após tentativas frustradas de mediação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), o MGI encerrou o processo e aplicou, de forma unilateral, o entendimento de absorção de 60% sobre os reajustes salariais e a reestruturação de carreira, medida estendida a partir de um acordo com o IBGE.

A UnB representa uma parcela expressiva do funcionalismo afetado, concentrando cerca de 58% de todos os servidores federais que recebem a URP no país.

A situação ganhou contornos críticos em maio de 2026, quando os docentes foram surpreendidos com a aplicação de uma absorção de 100% do reajuste na prévia do contracheque. A Reitoria da UnB e o Decanato de Gestão de Pessoas (DGP) acionaram o ministério para reabrir o sistema e restabelecer o percentual de 60%. Contudo, devido ao prazo exíguo para o fechamento da folha, a reversão foi parcial, gerando instabilidade: parte da categoria permaneceu com 100% de absorção e outra parcela ficou com 0%.

  • Essa confusão política e institucional culminou na reunião de conciliação realizada nesta segunda-feira (25/5) na CCAF/AGU, que resultou na abertura da nova mesa de diálogo.

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