Após reunião no Ministério Público, Suvaco da Asa confirma mudança para a Funarte
Bloco sai neste sábado (23/1) em novo endereço. Até mesmo quem estava contra se rendeu aos argumentos dos organizadores e dos moradores
atualizado
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O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizou, nesta segunda-feira (18/1), uma reunião aberta ao público para discutir a mudança de lugar do bloco de Carnaval Suvaco da Asa. Após argumentos de organizadores da festa de rua, de moradores do Cruzeiro e do Sudoeste, e de manifestantes que pediram a volta do bloco ao antigo lugar, foi confirmada a mudança de endereço. No sábado (23), o bloco deixa de sair na Quadra 10 do Cruzeiro e se muda para o gramado da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

A decisão veio depois que os organizadores do bloco foram chamados pelo MPDFT, em julho do ano passado, para discutir as queixas feitas pelos moradores. Segundo a procuradora distrital dos Direitos do Cidadão, Rosynete Lima, “percebemos que o local de realização era inadequado e, por isso, conversamos com o bloco e com a administração regional para pensar em formas de melhorar a estrutura da festa. Os diretores do Suvaco da Asa foram muito solícitos e apresentaram a solução de transferência do bloco para a Funarte”.
A mudança também foi aprovada pela Associação de Moradores do Sudoeste, que reiterou os danos causados por foliões em anos anteriores. “Ficamos desconfortáveis com a depredação causada no ano passado. As pessoas usavam nossos blocos como banheiros, estacionavam em lugares irregulares, entre outros problemas. Não somos contra o Carnaval, mas contra a arruaça e o descontrole”, defendeu a presidente da associação, Ivana Lacerda.
Protesto
Os argumentos que justificaram a mudança de endereço do bloco convenceram até mesmo o organizador do protesto “O Suvaco é Aqui”, marcado para ocorrer no sábado, no antigo local de onde saia o grupo. “Pensei que o Ministério Público estava obrigando o bloco a mudar de lugar e, com o objetivo de sensibilizar o poder público, decidi iniciar a manifestação”, disse Francisco Neném, que esteve na reunião.

Agora, segundo ele, com o entendimento de que a saída da festa do antigo local foi motivada pelos próprios moradores da região, o protesto tem outro objetivo: “Se o Suvaco da Asa não puder voltar para o Cruzeiro, queremos então que novos eventos culturais sejam realizados durante o Carnaval. Essa tradição não pode morrer no Cruzeiro”, afirma.
Poder público
Outro ponto de consenso na reunião foi o fato de que os órgãos do GDF não atuam de forma a apoiar os eventos culturais. Os produtores culturais reclamaram do Serviço de Limpeza Urbano (SLU), da Agência de Fiscalização do DF (Agefis), do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) e da Polícia Militar.
“A gente recolhe o lixo logo após a passagem do bloco, mas o SLU só recolhe no dia seguinte. Em um ano anterior, mesmo com o trajeto previamente especificado, o Detran-DF já tentou impedir nossa passagem. Agora, que bloco de Carnaval virou moda, o governo quer dizer que sempre agiu corretamente. Mas essa fiscalização só começou recentemente”, afirmou Pedro Moreira.
(Com reportagem de Pedro Alves)
