Após o Natal, população que foi às ruas em busca de doações começa a voltar para casa
Época marca ações solidárias em diversos locais do DF. Na Rodoviária do Plano Piloto, fluxo de pessoas em situação de rua começa a diminuir nesta sexta-feira (25/12)
atualizado
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Chega o período de Natal e não é raro ver diversas famílias ocupando a beira das ruas do Distrito Federal. A época, marcada por ações solidárias, incentiva as pessoas a buscarem doações. Com o fim da data comemorativa, muitos dos que foram para as ruas atrás de roupas e alimentos já começam a voltar para casa, nesta sexta-feira (25/12).
Maria Eduarda Silva, de 40 anos, veio da Bahia e mora na capital há 20 anos. Ela conta que sempre deixa a sua casa, em Sobradinho, e vai para a Rodoviária do Plano Piloto no período do Natal, com os oito filhos e o neto, em busca de doações variadas.
Passei aqui a noite de ontem (24) para hoje (25), mas este ano foi fraco. Só ganhamos uma ceia, mas não teve cesta básica e nem doações de roupas e brinquedos. Ano passado ganhamos de tudo. Ano que vem eu volto para tentar de novo. As pessoas ficam mais solidárias nessa época
Maria Eduarda Silva
Enquanto conversava com o Metrópoles, Maria Eduarda almoçava ao lado do Teatro Nacional – comida que recebeu de um grupo que realiza ações natalinas na região, desde 1982. “Terminando aqui, já pego minhas coisas e volto para casa”, afirma. “O governo é muito duro com quem mora por aqui, com quem passa a noite aqui. Eles acham que somos todos bandidos, mas só estamos em busca do nosso sustento”.

Moradora do Recanto das Emas, Íris de Andrade, de 30 anos, também vai para a região central de Brasília envolvida pelo espírito natalino e a esperança de receber itens que auxiliem a família. Ela, que tem quatro filhos, conta que também participou do Natal na Rodoviária, na noite desta quinta (24). “A ceia foi excelente, mas hoje já volto para a minha casa”, afirma.
E há também aqueles que não têm para onde voltar. “Moro na rua, sou andarilho”, define-se João Mesquita Moura, de 56 anos. Ele, que já serviu no Exército Brasileiro, afirma que está nas ruas de Brasília enquanto aguarda a aposentadoria sair. Mas a espera já dura sete anos. Nesse tempo, conta com a solidariedade dos brasilienses no período de Natal. “Ontem (24) recebi roupas, comida… Foi bom demais”.
Falta assistência
Segundo o professor emérito do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB) e diretor de Estudos Urbanos e Ambientais da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Aldo Paviani, a falta de programas de moradia e assistência para essas pessoas é a grande influenciadora da situação que se vê hoje nas ruas da capital.
E o primeiro passo para a solução seria traçar o perfil dessa população. “Falta emprego? Falta moradia? Se estão debaixo da ponte ou em uma barraca de lona, é porque há um problema”, analisa Paviani. “Em parte, vemos pessoas morando na rua porque hoje são 231 mil desempregados no DF. Muitos foram demitidos ou não têm qualificações, o que acaba gerando desilusão e eles acabam indo morar na rua”.
Para o especialista, a questão de moradia é um antigo problema que ainda precisa de programas específicos. “O Minha Casa Minha Vida, por exemplo, é muito tímido face à quantidade de pessoas que estão na rua. Muitos deles trabalham e não têm o mínimo de renda para serem contemplados”, avalia.
