Após incidentes pelo mundo, zoo do DF vai atualizar plano de segurança
Tragédias como a queda de uma criança em fosso de um gorila, nos Estados Unidos, incentivaram a administração do local a modernizar a estratégia, que é de 2008. Funcionários têm à disposição rifles para usar em casos de emergência
atualizado
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No último mês, casos de invasões de pessoas em jaulas de animais, que terminaram com os bichos assassinados, chocaram o mundo. Nos Estados Unidos, um gorila foi morto após uma criança de 4 anos cair em seu cativeiro. No Chile, dois leões tiveram de ser sacrificados depois que um homem entrou no recinto dos felinos. Com as férias escolares e o aumento de visitantes no Zoológico de Brasília, o Metrópoles questiona: será que o local está preparado para evitar tragédias como essas?
Mais ou menos. O zoo não é mais aquele lugar que, em 1977, viu um garoto – que agora é réu em caso de corrupção – escapar de ser estraçalhado por ariranhas depois que um sargento pulou no poço e o salvou. Há, sim, um plano, mas ele está desatualizado, já que é de 2008. Para evitar novos acidentes, o diretor-presidente interino garante que está fazendo um novo programa. “Estará pronto em um mês. Buscamos, apenas, aperfeiçoar e sistematizar o que seguimos hoje”, explica Érico Grassi.A preocupação faz sentido, já que o local recebe uma média de 35 mil pessoas por mês, sendo que no período de férias o número chega a 50 mil.
Em visita ao zoológico, a reportagem encontrou animais isolados e um parque que segue a determinação de uma normativa nacional. Duas grades separam os bichos dos visitantes, com distância de 1,5 metro, e a maioria, principalmente os mais selvagens, ficam em fossos, dificultando o contato com os humanos. O recinto onde hoje ficam as ariranhas é fechado por um vidro.
Ainda de acordo com o presidente, há 27 vigias espalhados por toda a área do zoológico, na tentativa de evitar a aproximação dos visitantes com as áreas proibidas. Mas, caso a invasão ocorra, o plano de segurança prevê, inicialmente, o uso de instrumentos para afastar o animal. Segundo a administração, alguns bichos são treinados para obedecer a ordens e se afastar, tais como antas, lobos, macacos, ariranhas e, até mesmo, o rinoceronte.
O plano de segurança prevê, ainda, atuação em outras situações extremas, como a queda de um avião, já que o lugar fica próximo ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek. Nesses casos, a prioridade é desocupar o zoológico o mais rapidamente possível. Atualmente, o local conta com três saídas de emergência.
Os três lagos, que também podem representar perigo para as crianças, são cercados por grades, mas as estruturas são baixas e não há muitos seguranças por perto. Há ainda rifle e dardos com tranquilizantes e outras armas que ficam em locais espalhados pelo zoológico e podem ser usados nos animais em caso de necessidade.
A equipe veterinária é treinada, de 15 em 15 dias, para o uso das armas. A intenção é minimizar o tempo de resposta em caso de urgência. Hoje, contamos com seis veterinários e seis residentes para cuidar dos animais e das crises do zoológico.
Rodrigo Rabelo, diretor do hospital veterinário
“Abate” é recomendação internacional
“Se uma pessoa cai onde está um animal e ele oferece risco para esse ser humano, o bicho será abatido, como determina uma norma internacional.” A explicação é do diretor do Hospital Veterinário do Zoológico de Brasília, Rodrigo Rabelo.
A informação foi confirmada pelo presidente da Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZAB), Cláudio Mass. “Existem várias recomendações internacionais que tratam dessa segurança em zoos. A norma é sempre zelar pela vida humana, tanto que, no caso do Chile, o homem queria se matar e mesmo assim os leões foram abatidos.”
Segundo Mass, se considerarmos o número de zoológicos e visitantes espalhados pelo mundo, os casos de invasões e tragédias são poucos. “É óbvio que quando ocorrem esse episódios, infelizmente, dão grande repercussão e acabam mal”, conta. O último incidente registrado pelo Zoológico de Brasília foi há cerca de três anos, quando um elefante conseguiu sair do recinto onde vivia. O local teve de ser esvaziado com urgência, mas não houve feridos.










