Após cortes de Bolsonaro, biblioteca do Banco Central será fechada

Autarquia federal sofreu contingenciamento de 20% do orçamento previsto para 2019 e precisa rever despesas

Ana Karolline Rodrigues/MetrópolesAna Karolline Rodrigues/Metrópoles

atualizado 19/08/2019 22:49

A Biblioteca do Banco Central do Brasil (BC), instalada na sede da autarquia em Brasília, iniciará um processo de fechamento a partir de 9 de setembro. A decisão tomada pela instituição federal foi justificada pela contenção de gastos orçamentários. Ao Metrópoles, o órgão informou que sofreu contingenciamento de 20% no orçamento previsto para 2019.

Desde maio deste ano, segundo o BC, diversas despesas vêm sendo cortadas para adequação dos gastos ao novo limite orçamentário. A partir do próximo mês, a tesourada afetará os serviços terceirizados que mantêm a biblioteca.

Aprovada em 15 de janeiro deste ano, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019 destinou ao BC R$ 3,56 bilhões. Desse valor, R$ 3,13 bilhões foram para despesas de pessoal e encargos sociais; R$ 360,2 milhões, para despesas correntes; e R$ 70,2 milhões, para despesas de investimento. Além disso, o BC recebeu para o pagamento de precatórios R$ 30,6 milhões, que serão realizados pelos tribunais responsáveis. As informações constam no Boletim de Execução Orçamentária 2019 da instituição.

De acordo com o banco, a autarquia gasta R$ 384 mil por ano com a biblioteca. Esse valor equivale, portanto, a 0,01% do orçamento inicial do BC destinado pela LOA em janeiro deste ano. A despesa se refere, primordialmente, ao contrato de administração de todo o acervo bibliográfico do Banco Central com a empresa especializada na manutenção do espaço e com a presença de cinco auxiliares e de um bacharel em biblioteconomia, conforme exige a legislação em vigor.

Servidores e usuários reclamam

A Biblioteca do Banco Central iniciou seu funcionamento em 1959, no Rio de Janeiro, e foi instalada em Brasília no ano de 1972. Desde essa época, o ambiente oferece grande acervo bibliográfico, tanto aos servidores do órgão quanto a prestadores de serviço, estagiários, pesquisadores e estudantes.

Em 2013, também devido a um contingenciamento, o local foi fechado para o público externo, mas reaberto nove meses depois. Desta vez, o ambiente será totalmente interditado.

Formada em direito, Fernanda Ribeiro Ávila, 41, estuda para concurso há três anos. Desde então, é frequentadora assídua do espaço e diz estar “muito triste” com a decisão. “As instalações são excelentes, superconfortáveis. O acervo é grande, muito atualizado. Agora querem fechar, e a justificativa é que estão fazendo uma contenção de gastos, e a biblioteca não seria um serviço essencial”, disse.

 

 

Ao Metrópoles, uma servidora do banco que pediu para não ser identificada relatou que esta é a terceira vez que o órgão fechará a biblioteca local. “A primeira vez foi em 2013, mas ela continuou funcionando internamente. Depois, em 2017, tentaram de novo, mas conseguimos reverter a situação, após saírem algumas reportagens. Desta vez, falaram que vão fechar por causa de cortes orçamentários”, disse.

Ainda no início deste mês, ela e outros trabalhadores do órgão receberam a informação do fechamento do espaço. Agora, a servidora diz estar “batalhando para que isso não aconteça”.

Josias Carlos Dias Júnior, 17 anos, é filho de uma servidora do órgão e frequenta a biblioteca há quatro anos. Estudante do terceiro ano do ensino médio, ele é contra o fechamento do ambiente. “Enquanto minha mãe trabalha, eu estudo. Acho melhor que o ambiente escolar, que é muito barulhento”, comentou.

Para o rapaz, o ambiente tranquilo da biblioteca é favorável à aprendizagem. “Aqui é muito bom de estudar. Já fiz vários amigos aqui e estudávamos juntos. Também tem uma sala para descanso. Acho que é essencial, sim, ter uma biblioteca: um local onde a gente pode aprender e estudar com tranquilidade”, disse.

Ana Karolline Rodrigues/Metrópoles
O estudante Josias Carlos Dias é frequentador assíduo do espaço e lamenta o fechamento

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