Após ação da Defensoria, TJ cobra reposição de Azitromicina no DF
Pedido da DPDF foi para repor estoque para uso em infecções bacterianas. Medicamento também faz parte do "kit Covid"

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) determinou a reposição do estoque de Azitromicina de 500 mg na rede pública da capital do Brasil. Segundo o juiz Henaldo Silva Moreira, a Secretaria de Saúde tem prazo de 15 dias para regularizar o abastecimento e distribuição, sob pena de multa de R$ 500 mil. A decisão é liminar.
“Com efeito, o desabastecimento do medicamento Azitromicina 500 mg na rede de saúde do Distrito Federal representa sério prejuízo à saúde dos pacientes que apresentam necessidade médica para tratamento mediante o uso do referido fármaco, em situações de normalidade, já representaria sério risco à saúde e à vida, que dirá no atual cenário de pandemia provocado pelo coronavírus”, pontuou o magistrado.
O medicamento está em falta na rede pública desde 2020. O TJDFT acolheu uma Ação Civil Pública (ACP) apresentada pela Defensoria Pública do DF (DPDF), após denuncia do Ministério Público de Contas do DF.
A Azitromicina é um antibiótico indicado no tratamento de infecções nos brônquios, pulmões, faringe, laringe e traqueia, incluindo sinusite, faringite e amigdalite.
A substância também faz parte do conjunto de medicamentos do que foi chamado de “kit Covid”. O tratamento precoce para a doença não tem eficácia cientifica comprovada e é contestado por diversas instituições, como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Veja a decisão liminar:
Decisão liminar – ACP Azitromicina by Metropoles on Scribd
Não foi para Covid
Segundo a DPDF, a solicitação de reposição do medicamento não teve a intenção de reabastecer a rede pública para oferecer o “kit Covid” para os pacientes.
“A decisão é muito relevante para garantir aos usuários do SUS o acesso a um antibiótico utilizado para combater um amplo espectro de infecções bacterianas”, assinalou o coordenador do Núcleo de Saúde da DPDF, Ramiro Sant’ana.
Segundo ele, a DPDF desconhece a existência de protocolo clínico para tratamento precoce da Covid-19 com Azitromicina aprovado para aplicação pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Polêmica
A polêmica sobre uso da Azitromicina no enfrentamento da Covid vai além do tratamento precoce. Muitos médicos ministram o medicamento para pacientes em fase de recuperação.
Em entrevista ao Metrópoles, o governador Ibaneis Rocha (MDB) revelou ter sido tratado com o medicamento. “No meu tratamento, o médico indicou azitromicina e ivermectina. E eu tomei”, contou.
Outro lado
O Metrópoles entrou em contato com a Secretaria de Saúde sobre a questão. Segundo a pasta, existe um pedido de compra para o período quatro meses, com previsão de entrega de 30 dias.
A pasta também destacou que a rede conta com Azitromicina em pó para solução injetável 500 mg frasco ampola. Esta versão do medicamento é de uso hospitalar.
Leia a nota completa da pasta:
A Secretaria de Saúde informa que tem padronizado dois tipos de Azitromicina:– Azitromicina em pó para solução injetável 500 mg frasco ampola, que é de uso hospitalar e se encontra disponível nos estoques centrais;
– Azitromicina comprimido 500 mg, que se encontra desabastecida nos estoques centrais, uma vez que o item ficou entre janeiro de 2020 a junho de 2021 sem Ata de Registro de Preço (ARP) vigente, em razão de fracasso por preço em dois pregões eletrônicos.
Existe um pedido de compra para quatro meses. A previsão de entrega é de 30 dias.

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