Milagre de Clara: bebê que recebeu coração em transplante tem alta

Em maio, Clara Leal recebeu diagnóstico de uma grave doença cardíaca. A menina voltou para casa nesta 4ª, após passar por delicada cirurgia

atualizado 23/09/2022 8:02

Hugo Barreto/Metrópoles

Após mais de quatro meses internada, a pequena Clara Leal Ramalho Catunda (foto em destaque), 7 meses, recebeu alta do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), nessa quarta-feira (21/9). A menina foi diagnosticada com uma cardiopatia grave em maio deste ano e recebeu o tão esperado transplante de coração. Ela é considerada uma das crianças mais jovens a passar por esse tipo de procedimento no país, nos últimos 15 anos.

O Metrópoles acompanhou o caso de Clara desde a primeira internação, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), quando ela teve uma bronquiolite. À época, a família da menina ainda não sabia do diagnóstico da doença genética cardíaca, descoberta quando ela tinha 3 meses de vida.

Assista ao momento da alta hospitalar de Clara: 

 

A partir da notícia, a família da bebê iniciou uma longa saga na rede pública de Saúde do DF para conseguir os exames e o atendimento especializado necessários ao tratamento da menina. O quadro era delicado, e o coração da criança estava inchado, bombeando apenas 30% do que precisava para funcionar normalmente.

Com o diagnóstico da cardiopatia, o pai de Clara, Thiago Ramalho Catunda, 33 anos, teve de entrar com quatro pedidos na Justiça para que a filha fosse transferida ao ICTDF, único hospital especializado nesse tipo de atendimento na capital do país.

Contudo, mesmo com uma decisão liminar, o encaminhamento de Clara para o instituto não ocorreu tão rápido quanto a família esperava. A demora fez com que a situação da saúde dela se agravasse e o quadro exigisse um transplante de coração.

“Não tinha mais nada que pudesse ser feito clinicamente”, contou Thiago. O laudo do exame mostrou, inclusive, que parte do coração da bebê não funcionava mais. “Quando o resultado saiu, deu que o lado esquerdo do órgão estava perdido”, completou o pai.

Por causa da insuficiência cardíaca, Clara teve de ficar intubada. Enquanto aguardava por um doador no ICTDF, a criança recebia remédios que mantinham o funcionamento do coração e precisou de aparelhos para respirar. Nesse período, a saúde dela ficou ainda mais delicada. Em uma das ocasiões, a bebê teve uma parada cardiorrespiratória e precisou de reanimação.

Publicidade do parceiro Metrópoles 1
Publicidade do parceiro Metrópoles 2
Publicidade do parceiro Metrópoles 3
0

Transplante de coração

A equipe do hospital descobriu que, em Campo Grande, havia um doador compatível para o transplante. Após quase dois meses internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do ICTDF, Clara recebeu o transplante de coração em uma cirurgia de sucesso. O procedimento ocorreu em 22 de julho.

“A captação do órgão ocorreu pela manhã e o transplante, à tarde. A doação veio de uma criança de 2 anos. Por ser um coração maior, tivemos de usar algumas técnicas de compatibilização, mas a cirurgia foi um sucesso”, comentou o cardiologista Fernando Atik, responsável pela cirurgia.

O médico acrescentou que a perspectiva de recuperação de Clara é muito boa. “Agora, é preciso recuperar todos os outros órgãos afetados pela cardiopatia. Há poucos casos em que [corações] foram implantados em crianças tão pequenas. Não por falta de necessidade, mas por [falta de] oferta de doadores”, completou o cardiologista.

Volta para casa

Clara foi recebida em casa, nessa quarta-feira (21/9), com muita alegria da família, que mora em Vicente Pires. Mesmo com quadro de saúde estável, a bebê ainda exige cuidados bem delicados e precisa do acompanhamento de uma enfermeira.

A nova rotina da pequena inclui o uso de imunossupressores, medicamentos para controle da pressão arterial, e vitaminas. Além disso, diariamente, a bebê passa por procedimentos de aspiração da traqueia, nebulização, além de aferição dos batimentos cardíacos e da saturação de oxigênio.

“É maravilhoso voltar para casa, pois a luta foi grande. Não há mais aquela preocupação com o ambiente hospitalar. O irmãozinho dela, de 4 anos, pôde finalmente estar perto dela também. Antes, eles só se viam por videochamada. A baixinha [Clara] está bem tranquila, dormindo a noite toda e sorrindo para todo mundo”, comemorou o pai.

Quem também acompanhou o caso de perto foi a avó paterna, Walderlene Ramalho, 54, que não escondeu a alegria de rever a neta. “Não posso nem lembrar que ela está em casa, que eu choro. É muita gratidão a Deus. Tudo só foi possível porque Ele estava à frente. Foi uma milagre, o que aconteceu com a Clara”, celebrou.

O Instituto Sou Doador foi uma das Organizações Não Governamentais (ONGs) que deu apoio à família durante a fase do transplante. A rotina de Clara foi acompanhada, também, por seguidores de uma conta no Instagram, criada pela família para compartilhar atualizações diárias sobre o quadro de saúde da criança.

“Agora, a gente tem uma preocupação, porque ela ainda é um bebê de risco, com uma série de cuidados em casa. Mas temos certeza de que ela terá um futuro bonito. Tanta gente ao longo desse processo nos ajudou. Muitas pessoas se mobilizaram em oração, entrando em contato. Sozinhos, não conseguiríamos isso”, ressaltou Walderlene.

Mais lidas
Últimas notícias