Aos 80 anos, aluna da UnB leva marido com Alzheimer para as aulas

Casados há quase meio século, Olímpia e José Pereira Nunes emocionam colegas e professores pela cumplicidade

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Olimpia Gomes de Santana Nunes, idosa de 80 anos, cursa turismo na UNB. Na foto José Pereira Nunes - Metropoles
1 de 1 Olimpia Gomes de Santana Nunes, idosa de 80 anos, cursa turismo na UNB. Na foto José Pereira Nunes - Metropoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Olímpia Gomes de Santana Nunes, 80 anos, não deixa que o tempo ou as circunstâncias adiem seu sonho: estudar na Universidade de Brasília (UnB). Mas ela não vai para as aulas sozinha. E, sim, ao lado do marido, José Pereira Nunes, 73, que vive com Alzheimer. A rotina a desafia diariamente a conciliar as aulas com o cuidado do companheiro.

Neste ano, o vestibular 60+ da UnB aprovou 149 candidatos, e Turismo — o curso escolhido por Olímpia — foi um dos mais procurados, ao lado de Terapia Ocupacional, Saúde Coletiva, Ciências Sociais, História, Psicologia e Nutrição.

“Eu não podia deixá-lo em casa sozinho, então pedi autorização para trazê-lo comigo”, conta Olímpia. A coordenação do curso acolheu o pedido, e José acompanha as aulas discretamente, sentado em um banco perto da janela, observando cada passo da esposa.

A decisão, que poderia parecer arriscada para muitas famílias, é um exemplo do que especialistas defendem como o equilíbrio ideal entre liberdade e segurança. Segundo a gerontóloga Cláudia Alves, autora do livro O Bom do Alzheimer, permitir que o paciente participe de atividades cotidianas, mesmo fora de casa, ajuda na autoestima e na preservação das funções cognitivas.

“Com supervisão constante e medidas simples, como crachá de identificação, rotina previsível e evitar lugares muito movimentados, é possível garantir inclusão e proteção ao mesmo tempo”, explica.

Mineira de Malacachê, Olímpia chegou a Brasília em 1975 e construiu a vida ao lado de José, entre trabalho, filhos e décadas de companheirismo. Casados há 47 anos, eles se conheceram em um baile no Gama, em 1977. “Ele me chamou para dançar, disse que ia me ensinar, e nunca mais me deixou em paz”, lembram ela, sorrindo.

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“Ele me chamou para dançar e nunca mais me deixou em paz.”
Olímpia leva o marido com Alzheimer para as aulas na UnB e emociona colegas pela cumplicidade e coragem
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“Ele me chamou para dançar e nunca mais me deixou em paz.”
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Os primeiros sinais da doença de José surgiram por volta de 2019. “Ele esquecia as coisas, confundia os dias, se perdia em pequenas tarefas. No começo foi difícil aceitar, fiquei com medo de ele me esquecer”, conta Olímpia. O diagnóstico veio acompanhado da necessidade de adaptar a rotina da família — e também da compreensão de que o Alzheimer é uma condição progressiva, que tende a evoluir lentamente.

“Na faixa etária dos 70 anos, o Alzheimer costuma se manifestar nas fases iniciais, com esquecimentos e pequenas desorientações. Com o tempo, pode afetar o raciocínio, a linguagem e o humor, mas intervenções precoces ajudam a preservar a qualidade de vida por mais tempo”, explica Cláudia.

A presença do casal virou parte da rotina da turma. “Os alunos adoram o Zé. Cumprimentam, abraçam, brincam dizendo que ele também vai se formar”, conta Olímpia, emocionada. “Ele já é quase um aluno da turma.”

Para a gerontóloga, esse tipo de acolhimento é essencial para o bem-estar de quem convive com a doença. “Discutir ou corrigir o paciente gera ansiedade. O ideal é acolher, redirecionar com calma e manter uma rotina estruturada. Além disso, cuidar de quem cuida é tão importante quanto — o equilíbrio emocional do cuidador impacta diretamente a estabilidade do paciente”, ressalta Cláudia.

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