Ao analisar imagens do Metrô, PCDF identifica momento em que bombeiro agride homem que defendeu mulher de assédio
A 12ª DP conseguiu ver o 1º sargento Guilherme Marques Filho levantando a camisa e dando um tapa em Jair Aksin ainda na estação
atualizado
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Após analisar as imagens das câmeras de segurança da estação do metrô onde o 1º sargento Guilherme Marques Filho foi denunciado por assédio a uma mulher e agressão a um homem que tentou defendê-la, a 12ª DP (Taguatinga Centro) conseguiu visualizar o momento em que o bombeiro levanta a camisa e dá um tapa em Jair Aksin. O caso ocorreu em 18 de dezembro.
Segundo a delegada-adjunta Elizabeth Frade, o caso já está encaminhado para o relatório final e falta colher novo depoimento da vítima para confirmar algumas versões apresentadas por testemunhas. “A gente ouviu os seguranças, ouviu o bombeiro e agora vamos pegar uma declaração dela mais esmiuçada”, explica.
Entre as oitivas que precisam ser confirmadas está a de um segurança, que disse ter visto o acusado abaixando a máscara e mandando um beijo para a cabeleireira de 29 anos, responsável pela denúncia.
No Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) também corre uma investigação da conduta do servidor. Ele teve a arma apreendida e, de acordo com os militares, o processo de apuração disciplinar do militar tem prazo de 30 dias para conclusão das investigações, mas pode ser prorrogado “caso haja necessidade de coleta de mais provas”.
A corporação reiterou a posição contrária “a qualquer forma de agressão e defende de forma contumaz o respeito a todo cidadão, ratificando seu compromisso com o dever de proteger a sociedade”.
O caso
O episódio revelado pelo Metrópoles ocorreu no dia 18 de dezembro e ainda ficou marcado por uma ameaça feita pelo bombeiro a um homem que tentou acabar com o assédio. Após ser confrontado por Jair Aksin, o 1º sargento Marques Filho esboçou sacar uma pistola que levava na cintura, mas os seguranças do metrô conseguiram acalmá-lo e pediram para que Jair esperasse o bombeiro ir embora a fim de evitar confusão. No entanto, ao sair da estação, Marques Filho esperava o programador.
Assustado, o rapaz correu para dentro de uma loja especializada na venda de peixes e aquários. “Tentei me posicionar próximo às câmeras de segurança para, pelo menos, ficar registrado que ele poderia me matar. Por sorte, ele puxou a arma, me agrediu, mas não apertou o gatilho”, desabafou.
Em pânico, funcionários do estabelecimento acompanharam as ameaças. Logo após agredir o rapaz, o homem deixou o local. “É uma sensação muito ruim de impotência, pois esse homem havia assediado uma moça dentro do metrô. Espero que as autoridades tomem uma providência enérgica”, finalizou.
Jair viveu momentos de pânico após proteger uma mulher no metrô de Taguatinga vítima de assédio. O agressor, que se identificou como bombeiro, perseguiu Jair e o ameaçou de morte com pistola em punho. Mais um dia comum na capital do Brasil. Por @carloscarone78, no @Metropoles. pic.twitter.com/R4hgL84axJ
— Lilian Tahan (@lilian_tahan) December 19, 2020
Na mesma unidade policial, localizada no centro de Taguatinga, a cabeleireira registrou ocorrência. “Contei tudo o que aconteceu aos policiais, e eles colocaram como depoimento na ocorrência do Jair [o rapaz procurou a polícia depois de ser agredido]. Sinto-me melhor agora. Espero que o bombeiro seja responsabilizado”, contou a moça, que preferiu não se identificar.
A vítima do abuso revelou que estava na fila da estação, como faz diariamente, quando sentiu uma mão no cabelo dela. “Ele pegou da metade do cabelo para baixo e foi passando a mão. Primeiro, achei que era alguém conhecido, mas, quando vi uma pessoa que não conheço me olhando com cara maliciosa, confrontei”, afirmou a cabeleireira.
Nesse instante, o programador, que também estava na fila, teria interrompido: “O Jair se aproximou e deu um tapa nas costas dele [o bombeiro], mas só para ele se virar, e questionou por que ele estava me assediando. O bombeiro negou e disse que só esbarrou em mim”, contou a mulher.
De acordo com Jair, a reação dele não foi nada fora daquilo que considera correto. “A imagem que eu queria passar não era a de um super-herói ou de qualquer coisa do tipo. Era mais de um ser humano sensato. Não imaginava que, depois, teria uma arma apontada para mim”, queixou-se.
