Aluna publica vídeo agredindo colega trans: “Traveco leva na cara”.
Jovem trans de 18 anos foi atacada por duas garotas no Centrão, em Taguatinga no dia 13 de agosto; uma delas não estuda na escola

Uma aluna do Centro Educacional 02 de Taguatinga (DF), conhecido como Centrão, publicou nas redes sociais um vídeo em que aparece agredindo uma colega trans dentro da escola. Na publicação, a estudante escreveu a frase: “Traveco aqui leva é na cara”. O caso ocorreu na quinta-feira (13/8).
O episódio aconteceu enquanto ela estava lanchando no refeitório da escola quando percebeu que duas jovens a encaravam, segundo a irmã dela. A vítima teria olhado de volta e, quando se levantou para sair, foi surpreendida por uma das envolvidas.
“Uma veio tirar satisfação por conta da encarada, logo depois, outra a pegou pelas costas e puxou seu cabelo. Essa segunda menina nem é da escola; ela já foi para lá com a intenção de agredir minha irmã por ela ser quem é. Ou seja, foi transfobia”, relatou.
Segundo a família, a outra jovem que não estuda na unidade teria conseguido entrar na escola usando o uniforme emprestado pela estudante matriculada.
Após a agressão, as envolvidas foram encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), onde prestaram depoimento. Como a vítima tem 18 anos, ela também compareceu posteriormente à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) para registrar a ocorrência.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA agressora também publicou outros stories sobre o episódio. Em uma das postagens, afirmou que, na escola dela, “traveco não se cria” e que “ia apanhar mesmo”.
Medo de voltar à escola
Segundo a irmã, a vítima está muito abalada após o episódio, com medo de sair de casa e constrangida com a exposição do caso. Desde a agressão, ela não voltou às aulas e a família já considera transferi-la de colégio por medo de novos episódios.
“Teremos de mudar ela de escola, já que a agressora que é matriculada lá sofreu apenas uma advertência e já está autorizada a voltar às aulas. Ela deveria ser expulsa, porque agora minha irmã foi expulsa indiretamente, pois teremos que procurar outra escola pela segurança dela”, afirmou.
O que diz a Secretaria de Educação
A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou que a Coordenação Regional de Ensino de Taguatinga tem conhecimento do episódio e acompanha o caso.
Segundo a pasta, a gestão escolar agiu prontamente para conter a briga entre as estudantes. No âmbito escolar, foram adotadas medidas disciplinares e pedagógicas, incluindo a suspensão das estudantes envolvidas.
A equipe gestora da escola também registrou boletim de ocorrência para as providências cabíveis.
“A Secretaria de Educação repudia qualquer forma de discriminação ou violência no ambiente escolar e reforça que as unidades da rede seguem protocolos de atuação para garantir a segurança e a integridade de estudantes e servidores”, informou a SEEDF.
A pasta acrescentou que permanece à disposição para colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos.









