Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires

Falta de planejamento urbano, ausência de fiscalização de normas e inabilidade no manejo de recursos hídricos são alguns dos problemas

13/12/2020 04:41, atualizado 13/12/2020 08:32
Reprodução/Redes Sociais
alagamento

Enxurradas com força para levar carros, árvores caídas, refluxo de água saindo de bueiros e estacionamentos subterrâneos alagados. Esses cenários, comuns para moradores de Vicente Pires, estão se tornando habituais em Águas Claras. No último dia 5, por exemplo, a região administrativa foi castigada por uma chuva que deixou motoristas e pedestres desesperados.

Segundo o hidrólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Henrique Leite Chaves, o problema das enchentes na região de Vicente Pires é sistêmico, culpa de uma ocupação não planejada do solo, o que, no entendimento do docente, ocorre também em Águas Claras, cidade que, embora não tenha surgido a partir de invasões, não tem capacidade para escoar adequadamente a água das chuvas.

Na opinião do pesquisador, a impermeabilização constante, que reduz a infiltração no solo, aliada às chuvas comuns em determinadas épocas do ano, faz com que a localidade necessite de sistemas de drenagem urbana mais eficazes. “A Região Administrativa de Águas Claras fica ao lado de Vicente Pires e tem o que a gente chama de solos hidromórficos: são como charcos, várzeas, estão no fundo de um vale”, explica.

De acordo com o professor da UnB, o terreno em que a cidade de Águas Claras foi erguida não é adequado para construções de grande porte. “Se você parar para pensar, por onde os planejadores começaram Brasília? Justamente nos topos de montes: Lago Sul, Lago Norte, Sobradinho, Plano Piloto, Taguatinga, Ceilândia e Guará. São todas regiões altas”, salienta Chaves.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF
Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - destaque galeria
6 imagens
A CGDF apontou duas falhas graves na fiscalização da execução de obras de infraestrutura realizadas em Vicente Pires
Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - imagem 3
Para a CGDF, os constantes alagamentos na região administrativa podem também estar associados à execução das obras
Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - imagem 5
O órgão de controle aponta a necessidade de uma nova licitação pública para execução de obras de infraestrutura nas áreas "remanescentes" dos Lotes 2, 5, 8 e 9 de Vicente Pires, cujos contratos existentes foram rescindidos ou ultrapassaram o limite legal de aditivos no valor de R$ 45.682.609,96
Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - imagem 1
1 de 6

Reprodução/Redes Sociais
A CGDF apontou duas falhas graves na fiscalização da execução de obras de infraestrutura realizadas em Vicente Pires
2 de 6

A CGDF apontou duas falhas graves na fiscalização da execução de obras de infraestrutura realizadas em Vicente Pires

Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - imagem 3
3 de 6

Para a CGDF, os constantes alagamentos na região administrativa podem também estar associados à execução das obras
4 de 6

Para a CGDF, os constantes alagamentos na região administrativa podem também estar associados à execução das obras

Alagamentos e enchentes: por que Águas Claras sofre com transtornos comuns a Vicente Pires - imagem 5
5 de 6

O órgão de controle aponta a necessidade de uma nova licitação pública para execução de obras de infraestrutura nas áreas "remanescentes" dos Lotes 2, 5, 8 e 9 de Vicente Pires, cujos contratos existentes foram rescindidos ou ultrapassaram o limite legal de aditivos no valor de R$ 45.682.609,96
6 de 6

O órgão de controle aponta a necessidade de uma nova licitação pública para execução de obras de infraestrutura nas áreas "remanescentes" dos Lotes 2, 5, 8 e 9 de Vicente Pires, cujos contratos existentes foram rescindidos ou ultrapassaram o limite legal de aditivos no valor de R$ 45.682.609,96

O que fazer?

Apesar da crítica, Chaves é realista e não imagina que a solução seria desfazer o processo de urbanização. O docente acredita que o Distrito Federal já tem normas necessárias para ter uma boa gestão dos recursos hídricos. Como exemplo, o pesquisador cita a

Resolução nº 009/2011

Carregando PDF...
, da Agência Reguladora de águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), que estabelece a construção de caixas de detenção em casas, condomínios e grandes construções, como shoppings.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

“Uma caixa de detenção é por onde a água que escorre desses lotes fica represada por 24 horas e não segue imediatamente para as bocas de lobo”, explicou. E completou: A vantagem de retê-la por um dia é que, dessa forma, diminuem-se os problemas causados pela acumulação hídrica, ‘parcelando’ o volume e a pressão nas redes”.

Outro bom exemplo de norma já em vigor para um bom manejo das águas é o Decreto nº 3.5363/2014, que estabelece a construção de trincheiras de infiltração. Trata-se de uma construção que facilita a entrada da água no solo. Elas são geralmente construídas com brita.

A explicação do Inmet

Segundo o meteorologista Olívio Bahia, do Instituto de Meteorologia (Inmet), a chuva que os moradores de Águas Claras presenciaram no último fim de semana não pode ser classificada como fora da linha da curva de normalidade.

“Chamamos de cúmulo-nimbo. São nuvens bem desenvolvidas que provocam ventos fortes, podendo, inclusive, derrubar árvores e até provocar tempestades. Esse tipo de chuva é comum em países tropicais, como o nosso”, ressalta Olívio.