Águas Claras: homem finge ser Leonardo DiCaprio e engana moradora

Golpista usou perfil falso do ator em redes social e convenceu aposentada a transferir cerca de R$ 6 mil para um banco norte-americano

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atualizado 08/11/2019 8:47

Um golpista com a lábia afiada fingiu ser um dos atores mais famosos de Hollywood para enganar uma moradora do Distrito Federal. Ao se passar pela estrela Leonardo DiCaprio, o estelionatário encantou uma mulher de 60 anos, de Águas Claras, e a convenceu a enviar pelo menos uma remessa de dólares para um banco norte-americano. O caso foi registrado pela Polícia Civil, que tenta identificar o autor do crime. A vítima perdeu cerca de US$ 1,5 mil, o equivalente a R$ 6 mil.

A apuração ainda está em fase inicial, mas a polícia ouviu a mulher, que é aposentada do serviço público e engajada em causas ambientais. O envolvimento da vítima com a defesa do meio ambiente serviu de trampolim para o golpista.

O criminoso aproveitou o ativismo de DiCaprio, que milita em causas ambientais, para abordar a brasiliense por meio de uma rede social. À polícia, a aposentada contou que o golpista usava um perfil falso do ator, com fotos, textos e vídeos do astro de franquias como Titanic e O Lobo de Wall Street.

As conversas iniciais, travadas em inglês, ocorreram no bate-papo da rede social da vítima. O golpista afirmou que era DiCaprio e estava trabalhando, há algum tempo, com o desenvolvimento de um veículo antipoluente, com motor elétrico e ecologicamente correto. Em seguida, o estelionatário sugeriu que conversassem por meio do WhatsApp e enviou para a vítima um número com código de área norte-americano.

Transferência

Durante as conversas, o suposto astro perguntou à aposentada se ela tinha interesse em investir no projeto de lançamento do carro ecológico. Para isso, ele estava arrecadando fundos com uma série de pessoas envolvidas com ambientalismo e que viam no veículo uma importante ferramenta de preservação ambiental.

De acordo com as apurações, a mulher aceitou a proposta e se dispôs a doar o dinheiro. Os US$ 1,5 mil foram transferidos para uma conta do Bank of America, nos Estados Unidos.

Dias depois, a aposentada recebeu um novo contato do falso DiCaprio, desta vez por e-mail. No texto, ele narrava que precisava de mais US$ 3,5 mil, o que levantou as suspeitas da vítima. Desconfiada, ela procurou a Polícia Civil e foi alertada pelos investigadores que se tratava de um golpe. Após o último contato, o estelionatário não procurou mais a aposentada.

Mensagens

Metrópoles conversou com o chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Giancarlos Zuliani, sobre o caso. Segundo ele, os primeiros passos de uma investigação que apura essa modalidade de golpe é identificar o ponto de onde partem as mensagens e o local, de fato, onde se encontra o criminoso.

“Nem sempre o fato de o suspeito usar um telefone com prefixo americano que dizer que ele está nos Estados Unidos. Atualmente, existem serviços que possibilitam a compra desses números para usá-los em qualquer estado brasileiro”, explicou.

Zuliani ressaltou que a PCDF se especializou na apuração de golpes aplicados por criminosos que estão baseados em outros continentes. “Já conseguimos firmar acordo de cooperação com países como China, Rússia e Índia durante investigações que esbarraram em crimes virtuais praticados nesses territórios, mas que tiveram como alvo vítimas do DF. São apurações demoradas, mas que vêm surtindo efeito”, explicou.

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