Agressão, asfixia e ameaça: condomínio tentou conter pai e filho com multas
Multas chegaram a 10 vezes o valor da taxa mensal, mas não impediram novos episódios de violência envolvendo pai e filho no residencial

A assembleia do Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), tentou conter o comportamento agressivo e intimidador de Vinícius de Oliveira Scucato, 51 anos, e João Vitor Mendes Scucato, 21, pai e filho, por meio de multas administrativas que chegaram ao teto de 10 vezes o valor da taxa mensal do condomínio.
As punições, no entanto, não foram suficientes para impedir novos episódios. Pai e filho foram expulsos do condomínio pela Justiça do Distrito Federal após um histórico de situações envolvendo violência, maus-tratos contra animais, assédio sexual e até a manutenção de um ferro-velho irregular.
Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato perderam o direito de morar e frequentar o condomínio, mas não perderam a posse do imóvel.
Pai e filho têm 30 dias para cumprir as medidas e, caso não cumpram, a Justiça autorizou o uso de força policial para retirar a dupla do condomínio. O descumprimento da decisão também pode causar uma multa diária de R$ 2 mil.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFA sentença proferida na última segunda-feira (31/8) relata um histórico de mais de 10 anos de infrações administrativas, cíveis e crimes que inviabilizaram o convívio da dupla com os vizinhos. A decisão foi tomada após a assembleia do condomínio entrar com uma ação na esfera cível contra pai e filho.
O juiz responsável pelo caso destacou que, além das multas administrativas terem chegado ao teto de 10 vezes a taxa mensal, condenações judiciais anteriores também não foram suficientes para deter o comportamento agressivo e intimidador dos acusados.
Entre os episódios cometidos por pai e filho estão agressões com facão e corrente de ferro, asfixia de um vizinho, tentativa de atropelamento de funcionário, arremesso de pedras contra trabalhadores e ameaças a moradores. Vinícius também é acusado de fazer comentário de cunho sexual contra uma adolescente.
Vinícius ainda é acusado de operar uma oficina e um ferro-velho clandestino dentro de casa, além de ter sido alvo de uma operação por manter um canil e criações de aves em condições insalubres.
Lista de delitos
- Oficina e ferro-velho clandestinos no condomínio: desde 2010, Vinícius acumulava veículos sucateados, carcaças, peças automotivas e resíduos industriais em suas casas (Quadra 1 e Quadra 2), operando um ferro-velho irregular que gerava sujeira, pragas e insetos;
- Canil e criação de aves em condições insalubres: em 2015, uma operação policial resgatou 81 cães desnutridos e doentes mantidos sob maus-tratos em um canil clandestino com exploração comercial de filhotes. Além disso, ele manteve criação irregular de galos, patos e perus na Quadra 2, causando barulho incessante e proliferação de pombos;
- Ataque com facão e rodo (2015): após desentendimentos, Vinícius atacou um vizinho com um facão no rosto (a vítima defendeu-se com a mão, ficando com sequelas no dedo) e depois o golpeou com um rodo de madeira no rosto, quebrando-lhe um dente;
- Agressão e ofensas a carteiro (2020): João Vitor, incitado pelo pai Vinícius, atirou um pedregulho e um bloco de concreto contra um carteiro em uma motocicleta, atingindo suas pernas e braços. O carteiro também relatou ter tido cão solto contra ele e ser vítima de ofensas verbais homofóbicas recorrentes por parte de Vinícius ao entregar cartas;
- Esnobada e “mata-leão” com corrente de ferro (2024): Vinícius e João Vitor agrediram um vizinho no meio da rua. Enquanto o filho imobilizava a vítima no chão em um golpe “mata-leão”, o pai desferia reiterados golpes em sua cabeça e rosto com uma corrente de ferro pesada, provocando sangramento intenso. A agressão só cessou quando um policial militar armado interveio;
- Tentativa de atropelamento de funcionário (2024): Vinícius avançou deliberadamente de carro contra um supervisor do condomínio, passando por cima de cones de sinalização. O funcionário precisou se jogar de lado para não ser atropelado;
- Invasão de privacidade e assédio sexual contra menor (2025): Vinícius escalava o muro de sua residência para filmar, xingar e aterrorizar a família de um vizinho confrontante. O morador relatou em juízo que o réu proferiu assédio verbal de cunho sexual contra sua filha adolescente na rua interna do residencial;
- Afronta durante o processo (2026): mesmo após receber uma decisão liminar com multa de R$ 2 mil, Vinícius compareceu à sede da administração do condomínio para filmar ostensivamente, provocar tumultos e constranger os funcionários de atendimento.
Processos criminais
Vinicius responde criminalmente por diversos delitos na vara criminal, mas também possui um grande número de processos contra outras pessoas.
Um ex-vizinho de Vinicius, que preferiu não se identificar, informou que era comum aos vizinhos criarem tumulto e registrarem Boletim de Ocorrência contra as vítimas de agressões. “Eles têm um modus operandi de arrumar confusão e em seguida registrar B.O alegando terem sido ameaçados”, afirmou.

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Ver todasO mesmo vizinho acabou sendo intimidado por Vinicius ao não deixar seus filhos se aproximarem do filho do homem que possuía um histórico ruim. “Ele quis vir tirar satisfação conosco, e chegou a ameaçar chamar o Conselho Tutelar”, relatou o vizinho.
O outro lado
A defesa de Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até o momento. O síndico do Condomínio Solar também foi acionado, mas optou por não se posicionar. O espaço segue aberto para manifestações.



