Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Distrito Federal

Derrubada de casas pela Agefis provoca confusão e resistência no Sol Nascente

Bombeiros e policiais tiveram que negociar com uma idosa que se recusava a sair de casa. Mais cedo, cerca de 30 moradores queimaram pneus e bloquearam uma via da região

01/12/2015 08:48, atualizado 01/12/2015 14:22
Daniel Ferreira/Metrópoles
Derrubada de casas pela Agefis provoca confusão e resistência no Sol Nascente

A ação de derrubada de construções irregulares no Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, provocou confusão e resistência de moradores nesta terça-feira (1º/12). Uma idosa se recusava a sair de casa, porque dizia não ter para onde ir.

Depois de uma hora e meia de negociação, policiais e servidores da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) conseguiram convencê-la a deixar o local, com a garantia de que os móveis dela seriam retirados com cautela e levados para um conhecido.

O tenente Coronel Adriano Meirelles, que participou das negociações, diz que a mulher está desempregada e acabou “tomada pela emoção, pois precisa cuidar dos quatro filhos”. Ela e as crianças deixaram o local em um carro da Agefis.

Pouco antes, a Polícia Militar foi alvo de dois homens que atrapalhavam a ação em área irregular na Quadra 105. Eles dispararam rojões contra os servidores da Agefis e usavam um estilingue para jogar bolinhas de gude nos PMs.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF
Daniel Ferreira/ Metrópoles
Houve resistência de moradores contra a derrubada

Mais cedo, cerca de 30 moradores fecharam a pista em frente ao posto policial e atearam fogo em pneus. Segundo a PM, 60 manifestantes seguiram para a Avenida Hélio Prates e bloquearam uma faixa da via, que já foi desobstruída.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters
Cerca de 150 militares estão no local e o Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) foi acionado. A operação, que teve início na última terça (24), já registrou confrontos entre moradores de habitações irregulares e a PM na sexta (27). O objetivo é derrubar cerca de 200 construções irregulares.

A moradora Cristina Leite Magalhães, de 54 anos, afirma que os moradores não foram notificados previamente da operação, o que impossibilitou a mudança dos habitantes. Ilza Vitorino, 41, diz o mesmo. A empregada doméstica mora em uma das casas que serão derrubadas. Ela e a família se anteciparam e derrubaram as paredes por conta própria. “No momento, eu e meu marido estamos desempregados. Não temos para onde ir. Teremos de contar com a ajuda da família”, relata.

Daniel Ferreira/ Metrópoles
As famílias reclamaram de que não foram avisadas da desocupação

Pró-Moradia II
Após a desocupação, o canteiro de obras do Pró-Moradia II será instalado no local para que sejam erguidas novas unidades habitacionais. A área de 245 mil metros quadrados faz parte da Quadra 105 do Sol Nascente. O terreno pertence à Agefis e está em processo de doação à Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab). Com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, serão entregues ali 2.148 casas.

Derrubada de casas pela Agefis provoca confusão e resistência no Sol Nascente