Advogado preso em academia após briga por equipamento denuncia abuso
Advogado que é autista e faz tratamento contra câncer denunciou o caso após ser preso. MPDFT investiga e pediu informações à PCDF

Um desentendimento entre o advogado Vinicius Colli e uma mulher, identificada como Beatriz Albuquerque Pereira, por causa de um aparelho terminou em confusão dentro de uma academia em Planaltina (DF), no último dia 13 de junho. O advogado foi autuado por crimes de ameaça e injúria e foi liberado após pagar fiança de R$ 1 mil. O homem, que é autista e está em tratamento oncológico, chegou a convulsionar após passar mal dentro da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina). Ele denunciou o caso
A ocorrência passou a ser investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF), que apura possível abuso de autoridade policial na prisão do advogado.
O motivo da briga teria sido o fato de Vinicius solicitar que Beatriz, a outra aluna, retirasse um acessório de um aparelho. Após a recusa, a discussão teria iniciado. “Quando eu cheguei, no local havia um aparelho de agachamento búlgaro no aparelho Smith da academia. Eu usei o aparelho normalmente e, quando fui sair, deixei o aparelho exatamente onde estava. Quando estava saindo, um rapaz perguntou se eu havia terminado, e eu fiz com a mão que sim. Em seguida, ele disse: ‘Foi você quem usou esse aparelho?’. Eu disse que não fui eu quem o havia colocado ali, mas que o tinha usado. Em seguida, eu disse que ‘não tirei o aparelho porque não conseguia’ e tentei retirar o aparelho do lugar, mas não consegui porque era muito pesado”, explica Beatriz.
O advogado removeu o objeto, momento em que alega ter sido insultado pela mulher, que teria dito “além de não ser cavalheiro, é um puta de um mal educado”. “Enquanto saía de perto dele, ouvi ele me chamar ‘puta’. Naquele momento, fui questioná-lo se ele havia me chamado de puta e qual era o nome dele. Ele se negou a dizer, eu saí do local e fui direto conversar com a recepcionista da academia para perguntar se a câmera do local gravava áudio também”, relembra a jovem.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF“Respondi em tom comparativo e hipotético: ‘Se eu te chamasse de puta mal educada, você não iria gostar”. Em nenhum momento a chamei diretamente de ‘puta’.”, disse o advogado, em sua versão, ao Metrópoles.

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Ver todasO advogado disse que minutos depois da confusão, Beatriz retornou ao local acompanhada de seu namorado, agente da Polícia Civil do DF (PCDF), que estava na companhia de outros policiais civis.
O advogado afirma ter sido levado à delegacia sob uso de força e teria recebido uma torção de braço e um mata-leão, momento em que teria desmaiado. A abordagem teria causado lesões e escoriações em várias partes do corpo.
“Quando recobrei a consciência, já estava algemado e fui conduzido ao cubículo da viatura. Foi dito que o delegado teria determinado que eu fosse levado “de qualquer forma”, informou o advogado.
Apesar disso, Vinicius confessa que no momento de desespero chamou um dos agentes de “policial de merda”, o que é confirmado por Beatriz em seu relato: “A todo momento, ele mostrava comportamento agressivo e disse que não iria para a delegacia. Ainda dentro da academia, ele ligou para o advogado e, pelo que parece, este o orientou a ir para a delegacia e que o encontraria no local. Enquanto o agressor era conduzido para a viatura, ainda dentro da academia, ele ficou gritando que o pai era subtenente da PM e dito ‘Eu vou foder vocês’ e ‘você está fodida’, em tom de ameaça”, relembra.
O que diz a PCDF
A PCDF, por meio da 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina), informou que realizou a prisão em flagrante do advogado por crimes de injúria, ameaça e resistência pelo fato ocorrido.
De acordo com a PCDF, equipes policiais foram acionadas para atender uma ocorrência envolvendo ofensas e ameaças dirigidas a uma mulher no interior de uma academia.
“Durante a intervenção policial, o autor apresentou resistência à abordagem, sendo necessária sua contenção mediante uso moderado da força. Ainda durante a ação, o homem continuou proferindo ofensas contra a vítima, além de ameaças e insultos direcionados aos policiais que atuavam na ocorrência.
A PCDF informou que após ser conduzido à 16ª Delegacia de Polícia para os procedimentos legais, o autuado apresentou mal-estar, recebendo atendimento inicial de brigadistas e, posteriormente, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), sendo encaminhado ao Hospital Regional de Planaltina para avaliação médica.
Após prestar depoimento, o advogado foi liberado sob fiança de R$ 1 mil.
Beatriz diz que a rotina dela nunca mais foi a mesma. “Desde o dia em que aconteceu, eu tenho medo de sair na rua e encontrá-lo. Tenho medo de ele tentar algo contra mim. De sair na rua e encontrá-lo, e de ele tentar algo contra mim”, desabafa.
Denúncia
Além do MPDFT, o advogado registrou denúncia na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e na Corregedoria da PCDF pela abordagem feita pelos policiais civis e por alegar que seu depoimento teria sido fraudado. Vinicius também pretende ingressar na Justiça contra a ação dos policiais civis.



