Advogado de piloto pede desculpas após fala sobre cor e classe social. Veja vídeo
Eder Fior, advogado de Pedro Turra, disse que sua fala gerou outras interpretações e pediu desculpas pela forma com que se expressou
atualizado
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O advogado Eder Fior, que defende o ex-piloto Pedro Turra, 19, acusado de lesão corporal grave após agredir um adolescente internado em estado grave, pediu desculpas nesta quarta-feira (4/2) por ter dito, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, que ele havia sido preso por “ser branco e de classe média”.
Veja:
“Peço desculpas se a forma como me expressei deixou margem para outras interpretações, inclusive a que está sendo feita agora”, disse o advogado.
Eder Fior afirmou que a sua fala gerou outras interpretações.
“O que eu pretendia dizer é que o enorme inflamar da opinião pública neste caso se deu, em grande medida, em razão da classe social envolvida – algo que, infelizmente, não costuma acontecer com inúmeros casos igualmente graves que ocorrem todos os dias com pessoas pobres da periferia, sem a mesma repercussão ou indignação coletiva”, argumentou.
O advogado afirmou que a sua fala teria sido “descontextualizada”. “Compreendo a sensibilidade do tema e reforço que a crítica sempre foi direcionada à seletividade do sistema e da cobertura pública, jamais às vítimas ou a qualquer grupo vulnerável”, destacou.
Veja a nota completa do advogado na íntegra:
“Respeitosamente, peço desculpas se a forma como me expressei deixou margem para outras interpretações, inclusive a que está sendo feita agora. O que eu pretendia dizer é que o enorme inflamar da opinião pública neste caso se deu, em grande medida, em razão da classe social envolvida – algo que, infelizmente, não costuma acontecer com inúmeros casos igualmente graves que ocorrem todos os dias com pessoas pobres da periferia, sem a mesma repercussão ou indignação coletiva. Lamento sinceramente que minha fala tenha sido descontextualizada e compreendo a sensibilidade do tema; reforço que a crítica sempre foi direcionada à seletividade do sistema e da cobertura pública, jamais às vítimas ou a qualquer grupo vulnerável. Retrato-me de forma humilde e publicamente”.
Pedido de soltura
O advogado disse que tem clientes acusados de crimes mais graves que respondem em liberdade e os comparou com o caso de Pedro, que ele alega estar sendo perseguido por sua classe social. “Então, Pedro está preso por ser um jovem, branco, posicionado na sociedade como de classe média, piloto de carro esportivo. Entendemos que a prisão é a medida mais extrema e que só deve ser adotada em casos extremos”, argumentou.
A defesa pede imparcialidade por parte da Justiça do Distrito Federal e lisura no processo. “Os fundamentos adotados para prendê-lo são absurdos. Nós discordamos, já entramos com pedido de revogação da prisão, já pedimos agendamento com o juiz, que é o juiz natural da causa, e, sim, ingressamos com um habeas corpus. Acreditamos que há de se fazer justiça, há de se estabelecer a isonomia e aquilo que o Tribunal da Internet tem feito com o Pedro se possa cessar”, pontuou o advogado.
“Nós estamos falando de uma pessoa com 19 anos de idade, que poderia estar com tornozeleira eletrônica, que poderia estar com prisão domiciliar, que poderia ter uma série de medidas cautelares ali estabelecidas, [como] não se apresentar após determinado horário, não se aproximar de testemunhas, de família da vítima, de uma série de situações que não fossem essa medida extrema. O que acontece com essa prisão é que uma resposta social”, alegou Eder Fior.
Entenda o caso:
- Pedro Turra e um adolescente de 16 anos se envolveram em uma briga, na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF).
- Durante a briga, Pedro jogou um chiclete mascado em um amigo e o adolescente respondeu que não deixaria barato se a situação tivesse ocorrido com ele.
- Em seguida, a briga começou. Vídeos gravados por testemunhas mostram Pedro e o adolescente se agredindo mutuamente.
- Em certo momento, o piloto dá um soco que faz o rapaz bater a cabeça em um carro. Ele parece perder as forças, e colegas, enfim, separam a briga.
- Gravemente ferido, o menor que bateu a cabeça no carro foi levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde permanece intubado em estado gravíssimo. Ele vomitou sangue ao ser socorrido.
- Pedro Turra deve responder por lesão corporal grave, mas a tipificação do caso pode mudar conforme o quadro de saúde do adolescente internado.
- No depoimento, Turra disse que não queria machucar o adolescente e apenas estava tentando evitar as agressões. Ele também pediu perdão ao jovem e à família dele.
Outras acusações
Com a repercussão do caso, vieram à tona ao menos outras três ocorrências policiais no Distrito Federal envolvendo Pedro Turra:
- uma agressão denunciada meses antes;
- uma briga de trânsito que terminou em agressão; e
- uma denúncia de que ele teria coagido uma adolescente a ingerir bebida alcoólica.
Sobre as outras acusações contra Pedro, o advogado disse que os casos teriam sido utilizados para manter Pedro preso. O advogado reforçou a demora nas denúncias das outras acusações contra Pedro.
Enquanto Pedro responde o processo preso na Papuda, o jovem de 16 anos que foi agredido segue lutando contra a vida no Hospital Brasília, em Águas Claras (DF).
