Pai se ajoelha ao lado de caixão de menina morta pela mãe

A pequena Júlia, de apenas 2 anos, foi morta com três facadas na pia da cozinha. Laryssa de Moraes está presa pelo crime

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 14/02/2020 11:53

Em clima de muita tristeza, familiares e pessoas próximas da pequena Júlia Félix de Moraes, 2 anos, morta a facadas pela mãe, na madrugada de quinta-feira (13/02/2020), em Vicente Pires, se despedem da garotinha nesta sexta-feira (14/02/2020). O velório é realizado no Cemitério Municipal São Januário, em Padre Bernardo (GO), cidade do Entorno localizada a 100km do DF.

Pai de Júlia, o recepcionista Giuvan Félix (foto em destaque), 25, chegou ao local por volta das 7h30 acompanhado pelo irmão e outros parentes. Ele também foi ferido durante pela ex-companheira Laryssa Yasmin Pires de Moraes, 21, mãe de Júlia, presa em flagrante.

A família pediu que a imprensa não entre na capela. Segundo pessoas que estão no local, Giuvan está muito abalado e se ajoelhou ao lado do caixão branco de Júlia.

O crime ocorreu na madrugada de quinta-feira (13/02/2020), na chácara 148 da Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires e ganhou repercussão nacional. Em depoimento à 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), Laryssa Yasmim Pires de Moraes narrou detalhes de como executou a facadas a própria filha. Segundo a jovem, o crime ocorreu na cozinha da quitinete, de apenas três cômodos.

Ela contou ter acordado por volta de 5h30 da manhã. Depois, colocou sobre a pia um colchão de berço e levou a filha até a bancada. “Tentou, primeiro, dar uma facada, mas não deu certo. A bebê começou a chorar. Foi aí que ela tentou sufocar com a mão, fechou os olhos e acertou outras duas vezes”, descreve o delegado Josué Ribeiro da Silva.

 

O primeiro golpe acertou a pequena Júlia  próximo ao pescoço, mas não chegou a perfurar a pele da menina, pois Laryssa teria usado pouca força. No entanto, na sequência, ela apunhalou a garota mais duas vezes e, dessa vez, a lâmina penetrou o tórax. Segundo as investigações, a barbárie foi praticada com uma faca de pesca, de ponta triangular.

Após tirar a vida da criança, Laryssa foi ao quarto onde o ex-companheiro e pai de Júlia dormia e tentou acertá-lo. Giuvan Félix teria acordado assustado e, na tentativa de desarmar a mulher, acabou se ferindo no rosto.

Após tomar a faca de Laryssa, ele se deparou com a filha ensanguentada e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) . “Enquanto Giuvan estava no telefone, ela guardou a faca e escondeu o colchão na área de serviço, que encontramos após voltarmos à casa”, afirma o delegado.

Laryssa confessou, ao ser presa em flagrante, que havia matado a criança. Em depoimento na 12ª DP, mudou a versão e passou a acusar o ex-. No entanto, a polícia diz que ele não teve participação no crime. E acredita que Giuvan possa ter sido dopado por Laryssa.

A merendeira Kátia Rossane, 52, trabalha com a mãe de Laryssa em um colégio do município goiano. Ela comentou que a avó estava no serviço quando recebeu a notícia da morte da neta. “Foi um baque muito grande. Tive convívio com a Laryssa. Uma menina tranquila, inteligente e comunicativa. Não estamos acreditando no que aconteceu. Ninguém imagina porque ela fez isso, se era tão amorosa com a Júlia”, destacou.

Irmã do ex-marido da mãe de Laryssa, a aposentada Linda das Graças, 61, lamentou profundamente a morte de Júlia. “Ninguém esperava. A Laryssa nunca demonstrou essa atitude. Foi criada em casa. Era amorosa. Estamos chocados. Temos muito apreço por essa família. É uma tristeza sem explicação.”

“Estamos muito tristes. O que ocorreu não é bom para ninguém. Vai marcar para sempre a nossa família negativamente”, disse o bisavô materno de Júlia, o pedreiro Jair da Silva Lopes, 65.

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