A amante do seu namorado não é sua inimiga, nem a esposa do seu amante
No amor vale (quase) tudo. Vale até tentar roubar namorado, mas não vale ser amante e enganar outra mulher
atualizado
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Eu sempre tive um código de ética bem claro sobre o amor: no amor e na guerra vale (quase) tudo, menos ser amante. Vale até tentar conquistar o namorado da outra (afinal, ninguém é propriedade de ninguém) mas não vale fazer parte do complô pra enganar outra mulher. Os homens já são sacanas o suficientes sem nossa ajuda, afinal. Se a gente não se ajudar nessa, fodeu.
Para mim, não ser amante foi sempre uma questão de honra. Mas eu já fui amante mesmo assim, sem saber. Uma vez, doidinha por um cara, achando que estava caminhando pra um namoro gostoso, ouvi da mãe dele (!): “sabe, a namorada dele acabou de sair daqui”. Claro, aquele foi o nosso último encontro. Mas doeu, miga. Como eu gostava daquele porcaria daquele home, com seus sorrisos ladinos e carinha de sapeca!
Mas não senti nunca raiva da moça, a oficial. Nem sequer consigo entender quem odeia a amante do namorado nem a namorada do amante, na verdade. O único pecado da pobre coitada é amar o mesmo cafajeste que você. Por que isso deveria fazê-las inimigas? Sinceramente, quem está comprometido com você é o cara e não ela e, pra dizer a verdade, ele nem é tão bom partido assim se anda mentindo pra uma – ou duas – de vocês.
Adoro aquelas histórias em que a outra e a oficial se conhecem, se aliam e largam o cara na merda. Assim que devia ser.Como falei desde o abre da coluna, não acho legal ter caso com homem casado, que namora, ou pior, é pai de família – a não ser que eles tenham um relacionamento aberto, afinal, o importante é respeitar o acordo que está em voga entre dois adultos conscientes. Sim, nós mulheres deveríamos dizer “não” pro cara amado pra não sacanear com a namorada dele.
Mas ela está longe de ser a vilã da história, afinal, apesar de achar correto, nem todo mundo consegue colocar os interesses e sentimentos de uma mulher desconhecida na frente dos dela. É a diferença entre a amante não ser a Madre Teresa de Calcutá e o namorado ser um Temer que vai lá e apunhala a Dilma pelas costas. Veja o fosso entre as duas coisas. É GI-GAN-TE.
Ela não o seduziu. Isso não existe. Ninguém tem lá o feromônio do poder sexual pro cara perder o controle. Nem aquela flautinha da atração do Contos de Fadas. Ninguém abre a boca dele à força e mete a língua. Ninguém amarra o cara na mesa ou na cama e força ele a ter uma ereção. Ninguém, babe. Simples assim: ele fez porque quis.
No começo das relações, a nossa atração pelos outros é muito mais relacionada à projeção que fazemos dessas pessoas do que ao que elas são de verdade. Logo, seduzir-se por alguém que mal conhecemos é algo que fazemos a nós mesmos assim como é feito a nós.
Culpar a outra é a desculpa perfeita do cara desleal. Não deveríamos facilitar as coisas pra eles. Não precisamos ser a melhor amiga da amante, mas demonizar a outra pela traição dele é fazer o jogo do machismo. É tornar ele objeto de desejo e disputa quando ele merecia era receber pro tratamento do silêncio por ser sacana – no mínimo.