Transparência ajuda a construir ambiente de confiança nas empresas

II Encontro de Integridade e Transparência reuniu especialistas para debater compliance e fortalecer o compromisso ético da organizações

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1 de 1 Fotografia colorida de painel em congresso-Metrópoles - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

atualizado

metropoles.com

A transparência deve ser a força motriz de todas as organizações. Mais do que uma prática de gestão, ela representa compromisso, ética e respeito aos diferentes públicos. Nesse contexto, quando os processos, decisões e resultados são comunicados de forma clara e acessível, constrói-se um ambiente de confiança mútua, no qual a sociedade pode compreender e acompanhar as ações promovidas.

Por isso, nesta quarta-feira (17/9), 200 convidados participam do II Encontro de Integridade e Transparência para debater assuntos referentes a esse tema tão relevante para a sociedade.

Para dar início aos painéis, Vitor Corrêa, diretor-regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial Integrado ao Sistema Fecomércio DF (Senac/DF), destacou a importância do evento.

“Nosso principal objetivo é promover a troca de experiências e fortalecer a rede de colaboração para que, no próximo ano, possamos realizar o terceiro encontro com ainda mais participação e resultados”, enfatizou.

Vítor Corrêa acredita que encontros como esse proporcionam troca de experiências e apoio mútuo

Papel do Conselho Fiscal

No primeiro painel nominado “Assessoria Técnica do Conselho Fiscal — Do Planejamento ao Monitoramento de Pontos (Segurança e Integridade para os Gestores do Sistema S)” subiram ao palco Josenildo Viana, chefe da Assessoria Técnica do Conselho Fiscal do Departamento Nacional Senac, e Raquel dos Santos, chefe da Assessoria Técnica do Conselho Fiscal do Departamento Nacional Sesc.

Raquel destacou que o Conselho Fiscal do Sesc – responsável pelo acompanhameto e fiscalização da execução orçamentária da AN e ARs – já recepciona todos os processos da entidade e atua de forma contínua na análise e emissão de pareceres.

“A missão do conselho é examinar os processos e propor pareceres pautados por princípios e valores éticos, com o objetivo de garantir o cumprimento dentro da lei”, explicou.

Já Viana ressaltou que o conselho já visitou diversos estados para conhecer de perto a realidade em cada unidade federativa e, assim, contribuir para o fortalecimento das ações de integridade e governança nas instituições.

“Por isso, entre as competências do Conselho Fiscal do Senac estão: acompanhar e fiscalizar a execução orçamentária, verificar o cumprimento das normativas legais e regulamentares, além de garantir a transparência e a conformidade nos processos administrativos e financeiros”, ponderou.

“Foram 336 balancetes em 28 regionais em um ano seguido de 28 pareceres favoráveis no orçamento do programa de 2025”, complementou.

Josenildo Viana e Raquel dos Santos discutiram o tema de Assessoria Técnica do Conselho Fiscal do Sesc e Senac

Pacto Brasil 

O encontro também marca a entrada do Senac-DF no Pacto Brasil pela Integridade Empresarial, sendo o primeiro do Sistema S a assinar o termo de adesão demonstrando o compromisso da instituição com a busca sistemática de padrões de ética e integridade. Para abordar a importância do pacto foi convidado Marcelo Pontes, secretário da Integridade Privada da Controladoria-Geral da União (CGU).

Marcelo Pontes apresentou os benefícios que as organizações têm ao aderir ao Pacto Brasil, entre eles:

  • Selo de Participante, que gera visibilidade e ganho reputacional
  • Critério de Desempate em Licitações Públicas
  • Inserção em Painel BI e ações de Comunicação da CGU
  • Condição de Admissibilidade para premiação Empresa Pró-Ética
  • Disseminação de boas práticas
  • Canal de Comunicação entre governo e setor privado
  • Fortalecimento da estrutura de integridade nas empresas
  • Instrumento de transparência

O pacto é uma iniciativa da CGU que estimula empresas e entidades privadas que atuam no país a assumir, voluntariamente, compromisso público com a integridade empresarial.

“A missão da CGU não está apenas ligada a auditoria e fiscalização. Nossa história começou em 2013 com a publicação de uma lei que trazia dispositivos enxutos, colocando responsabilidade para as empresas pelos atos ilícitos que praticassem. Se tivéssemos ficado limitados ao que a lei estabeleceu, entenderíamos que nosso papel não estaria sendo exercido da melhor forma possível”, garantiu.

O representante da CGU também frisou que, em termos de multas aplicadas às instituições, esses processos resultaram em R$ 1,42 bilhão; e que o último recorde foi no ano passado: 73 processos instaurados e 72 concluídos com sucesso. “Desde 2014, quando a lei entrou em vigor, já foram instaurados 2.063 processos do Poder Executivo como um todo.”

A finalidade do nosso trabalho é estimular o setor privado a entender que ser íntegro vale a pena. 

Marcelo Pontes, secretário da Integridade Privada da CGU

“Muitas vezes uma empresa que está sendo acusada de ter cometido um ato ilícito, uma vez que está disposta a reconhecer o erro, será responsabilizada de forma diferente. Ainda que isso resulte numa sanção monetária menor, ela assume o compromisso em mudar”, certificou.

Segundo Pontes, hoje uma empresa para ser considerada íntegra deve respeitar os direitos humanos e trabalhistas, além de conhecer o impacto socioambiental e adotar medidas para gerar impacto positivo, como a ASG (Ambiental, Social e Governança), conjunto de boas práticas para as instituições.

“O Senac e o Sesc têm uma contribuição imensurável na capacitação de pessoas, e essa força deve ser mobilizada para ampliar o alcance e o impacto do pacto em toda a sociedade”, ressaltou.

Melhores práticas de regionais do Senac

José Roberto Borges, assessor de Governança e Integridade do Rio de Janeiro; e Liliane Ziminiani, gerente de Controladoria e Processos do Mato Grosso, encerraram a programação da manhã apresentando casos relevantes relacionados à integridade e à gestão de riscos.

Um dos destaques foi a experiência da Administração Regional do Rio de Janeiro, que iniciou as ações de transparência em 2020. “A partir desse marco, intensificou-se o processo de identificação de riscos, uma etapa reconhecidamente apenas inicial dentro de um trabalho mais amplo”, refletiu Borges.

Segundo os palestrantes, identificar riscos não é suficiente: é fundamental organizá-los e tratá-los de forma estratégica. Por isso, a assessoria de governança foi estruturada para atuar diretamente junto à presidência do Conselho Regional do Sesc e do Senac, com participação ativa dos diretores regionais.

Essa decisão se baseou em dois fatores principais: compreender o impacto dos riscos nas duas instituições e avaliar a probabilidade da ocorrência, permitindo uma atuação preventiva e eficaz.

José Roberto Borges e Liliane Ziminiani apresentaram casos relevantes relacionados à integridade e à gestão de riscos

“Acredito que a forma como temos atuado, com escuta ativa e postura acolhedora, tem feito a diferença nesse processo. Como a regional não possui metas próprias, nosso principal objetivo é apoiar e atender às necessidades das unidades. Para isso, é essencial estarmos próximos, entendendo seus contextos e desafios”, avaliou Liliane.

Além disso, a gerente de Controladoria e Processos contou que tem a intenção de desenvolver um ecossistema robusto que possibilite a automação de processos para otimizar o trabalho e fortalecer integração entre todas as áreas.

No total, 200 pessoas se reuniram no II Encontro de Transparência e Integridade no Centro de Convenções Brasil 21

Promovido pelo núcleo Norte e Centro-Oeste do Senac e realizado pelo Senac-DF, o II Encontro de Integridade e Transparência é fechado para convidados, mas o Metrópoles faz a cobertura dos principais painés no Portal e nas redes sociais.

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