Com cenários atrativos, SP é muito mais que uma cidade de negócios
Especialistas destacam oportunidades encontradas por toda cidade de São Paulo e projetam desafios para a próxima década

Considerada a capital econômica da América Latina, São Paulo desponta como um lugar de oportunidades, vivência e experiência urbana, que só uma grande potência pode proporcionar. Mas, fazer essa máquina girar depende da conexão entre poder público e setor privado. Nesse cenário, o Metrópoles realizou, hoje, mais um Metrópoles Talks, “São Paulo: Cidade das Oportunidades”, em parceria com a prefeitura de São Paulo e a São Paulo Negócios.
Na manhã desta terça-feira, 30/6, representantes da gestão municipal e lideranças empresariais debateram questões relacionadas com o que a gestão pública executa, o que o mercado enxerga e o que os especialistas projetam para a próxima década na cidade.
“São Paulo: a cidade que não para de crescer” foi o primeiro painel do dia e, para destrinchar o assunto, a jornalista Valéria Luizetti conversou com Rodrigo Goulart, Secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo; Estevan Sartorelli, cofundador da Dengo Chocolates, e Facundo Guerra, fundador do Grupo Vegas.
O trio destacou a perspectiva de quem investe e gera empregos na capital. Nesse sentido, o secretário Rodrigo Goulart relatou que, antigamente, o setor privado preferia ficar afastado do setor público. Hoje o cenário é outro.
“Atualmente é preciso ser parceiros; um auxiliar o outro na gestão da cidade. Isso é totalmente necessário para que formemos uma capital desenvolvida e com mais oportunidades”, pontuou.
De acordo com Goulart, São Paulo é a capital recordista em bater recordes com números. “Para se ter uma ideia, somos donos do maior programa de segurança alimentar do país. E só hoje, já celebramos mais de cinco milhões de empregos formais”, assegurou.

O empresário e cofundador da Dengo Chocolates, Estevan Sartorelli, revelou que a marca nasceu de oportunidades encontradas na capital.
“Para a gente, cada desafio traz consigo uma oportunidade. Nossa atividade no campo era gerar renda digna para as pessoas. Já em São Paulo, a oportunidade foi de oferecer algo diferente no setor de cacau e chocolate. Escolhemos São Paulo como berço por causa de alguns fatores. O primeiro deles é que a cidade acelera os aprendizados, afinal, a metrópole inclui um público sofisticado, diverso e exigente. Assim, ganha-se musculatura para escalar”, enfatizou.
O segundo fator, na visão do cofundador, é a concentração de talentos. “Essa é uma conexão rara de encontrar. Essas pessoas de talento extraordinário são pontos acima da média”.

Já para o fundador do Grupo Vegas, Facundo Guerra, São Paulo é o estado que mais abriga rejeitados em todo o país. Segundo o executivo, em muitos casos, as pessoas acabam migrando de suas cidades de origem, justamente porque elas já não têm mais nada a oferecer em termos de oportunidade para crescimento profissional, pessoal e até cultural.
“Essas pessoas são bem corajosas. Elas vêm para o estado e o desbravam com a realização de muitos sonhos – e sonhos grandes. No centro de SP, por exemplo, tem gente do mundo inteiro”, enfatizou.
“Eu, por exemplo, sou argentino, mas me defino paulistano (risos). E tenho muito orgulho de ter montado negócios aqui; 30 no total”.

“Antes as pessoas só vinham para São Paulo para tentar fazer dinheiro e ir embora. Algumas tentavam enriquecer aqui, e depois comprar uma pousada mais afastada e viver em meio à natureza. Hoje em dia, a cidade ganhou outro reconhecimento. Ela atrai diferentes públicos pela cultura, gastronomia e entretenimento. Antigamente, ninguém vinha fazer turismo aqui. Mas agora, as pessoas vêm para conhecer, talvez, uma das melhores gastronomias do mundo”.
Assista ou reveja a live aqui.
Um novo olhar para o centro
O centro da cidade vive uma nova fase. Reconfigurado, ele cresceu tão demasiadamente, que, na opinião de Facundo, o espaço ficou até sem memória. Porém, o estado segue no esforço de fazer esse resgate. “O centro de qualquer cidade revela o retrato do país. Se houver desigualdades, por exemplo, o espaço vai revelar. E o segredo está em cuidar e zelar para que as mazelas sejam reduzidas e atraiam visitas de residentes e turistas”, diz.
“Hoje, a maior parte da sociedade tem tudo à disposição. Netflix, Alexa, robôs inteligentes, iFood. Então a questão é: Como tirar ela do conforto da casa e atraí-la ao centro? A população precisa de muitos estímulos para ir, curtir e ainda criar conexão com o próximo”.
Facundo Guerra
Sobre a situação do centro, Goulart destacou que são necessárias mais iniciativas para empresários irem para São Paulo e se instalarem na região. “Não é só abrir; é sustentar a iniciativa e replicar. Quando se executa uma política pública, como o Requalifica, por exemplo, a gente é admirado. Entre 2021 e 2026, foram mais de 900 empresas abertas, com 97 vindo de outras cidades”, assegurou. “E a arrecadação dessa empresas foi de aproximadamente cinco bilhões de reais”, completou.
Para o secretário, a prefeitura assume um papel muito importante nessa questão. De acordo com Goulart, a missão dela é dar segurança, principalmente jurídica, a essas empresas, para que elas possam se instalar em São Paulo.
Nesse quesito, o cofundador da Dengo Chocolates afirmou estar bem assistido pelo estado. “A Dengo nasceu em 2017. Hoje, já temos mais de 60 lojas no Brasil e três em Paris. Trata-se de uma operação desafiadora, mas que brilha os olhos, pois tem dado muito certo”, reforçou Estevan Sartorelli.
Ainda segundo o executivo da Dengo, às vezes o empresário fica receoso de abrir um negócio, mas o retorno nas áreas de gastronomia e entretenimento em São Paulo acontece de forma tão atrativa, que é gratificante. “Temos uma loja conceito na Faria Lima, com 1500 metros quadrados. Se o retorno dela em visibilidade não fosse tão expressivo, não teríamos ousado tanto nessa abertura”, ponderou.
Projeções para o futuro
E em dez anos, o que os especialistas desejam para São Paulo? Todos seguem otimistas e reforçam que é preciso defender e lutar por uma cidade mais viva, segura, cuidadosa, com mais escolas e parques.
É essencial que as próximas gerações vivenciem um estado ainda melhor, com uma gestão pública que atue incessantemente para melhorar a qualidade de vida do estado e incentive as pessoas a apreciarem mais passeios pelas ruas da cidade.



