Secar financiamento do crime organizado passa por aprovar PLP 125/2022

A inércia regulatória tem um preço que destrói o mercado legal e onera os cofres públicos em R$ 174,1 bilhões, só no setor de combustíveis

Instituto Sou da Paz/DW
imagem colorida armas crime organizado
1 de 1 imagem colorida armas crime organizado - Foto: Instituto Sou da Paz/DW

atualizado

metropoles.com

O Congresso Nacional tem em mãos uma oportunidade real para cortar uma das maiores fontes de financiamento do crime organizado no Brasil: o Projeto de Lei Complementar (PLP) 125/2022, que estabelece critérios claros para a tipificação do devedor contumaz, caracterizado pelos agentes que fazem uso da sonegação e inadimplência reiterada e proposital como modelo de negócio.

A aprovação do projeto, além de cessar novos débitos, visa a recuperar um passivo bilionário e age diretamente contra a fraude fiscal e a concorrência desleal usadas pelo crime organizado para entrar em mercados formais e se financiar.

Nas últimas semanas, a segurança pública dominou o debate público com foco no PL Antifacção, mas o enfrentamento ao crime precisa de uma visão 360, que atinja o motor financeiro das facções. É aqui que entra o devedor contumaz.

A sonegação fiscal e a inadimplência reiterada e proposital como modelo de negócio não são apenas um ilícito fiscal: é o principal combustível para que o crime organizado prospere.

Os custos da inércia e o tamanho do problema

A inércia regulatória tem um preço que destrói o mercado legal e onera os cofres públicos em R$ 174,1 bilhões, somente no setor de combustíveis. Manter o atual vácuo normativo é, na prática, beneficiar justamente os agentes que operam à margem da lei.

Dados públicos compilados pelo Instituto Combustível Legal (ICL) demonstram a dimensão da urgência:

  • Dívida acumulada: a dívida de devedores contumazes apenas no setor de combustíveis (tributos federais e estaduais) já superou a impressionante cifra de R$ 174,1 bilhões.
  • Segurança pública: esse volume de recursos é superior ao investimento anual total do Brasil em segurança pública (R$ 139,6 bilhões em 2024). Recuperar esse passivo poderia, em um só ano, dobrar o orçamento na segurança nacional.
  • Financiamento do crime: o lucro obtido por essas estruturas com fraudes no mercado de combustíveis é estimado em R$ 62 bilhões anuais. Esse valor, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, supera em quatro vezes o lucro do tráfico de cocaína.

O devedor contumaz usa a fraude fiscal como o principal insumo, permitindo que venda produtos mais baratos por não internalizar o custo do imposto, forçando empresas idôneas a fechar as portas, o que reduz substancialmente os investimentos essenciais em saúde, educação e segurança.

Uma solução pronta para a Câmara

O PLP 125/2022 já foi aprovado por unanimidade no Senado (71 a 0). O tempo joga contra o país e a favor do crime organizado, reforçando a urgência de pautar este debate.

Esse projeto é uma medida de impacto duplo:

  1. Recuperação fiscal: ele estabelece critérios claros para tipificação do devedor contumaz, impossibilitando novos débitos fiscais, e permitindo a recuperação de um passivo bilionário, que apenas com dívidas com a União (PIS-Cofins) chega a R$ 86 bilhões, um valor quatro vezes maior do que todo o investimento feito pelo Governo Federal com segurança pública em 2024 (R$ 21 bilhões).
  2. Combate à ilegalidade: ele protege o bom empresário ao fechar o cerco contra a concorrência desleal, atuando como uma poderosa arma no combate ao crime organizado ao secar o dinheiro que financia as operações.

O Congresso Nacional, que já deu um passo fundamental com a aprovação da urgência, precisa agora indicar um relator e avançar para a votação. Cabe à Câmara dos Deputados transformar esse consenso em lei, entregando ao país uma medida que é, simultaneamente, um instrumento de recuperação fiscal e uma arma no combate ao crime organizado.

A celeridade é essencial. A demora equivale a manter uma porta aberta para a fragilização do Estado, da segurança pública e da economia. 

É hora de agir: ou o Brasil acaba com o crime ou o crime acaba com o Brasil.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?