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Quando um paciente entra em um centro cirúrgico, faz um exame ou consegue atendimento em um hospital público, existe um valor pago pelo procedimento dentro do âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). É como se cada atendimento tivesse uma “tabela de preço” que determina quanto o hospital receberá para manter aquela estrutura funcionando.
E é justamente nessa lógica que o Governo de São Paulo decidiu mexer.
Com a criação da chamada Tabela SUS Paulista, o estado passou a complementar os valores pagos pelo SUS nacional e, em alguns casos, investir até cinco vezes mais do que a tabela do governo federal.
A mudança, embora técnica à primeira vista, tem produzido um efeito direto na vida da população: mais cirurgias, mais leitos, mais exames e redução nas filas de atendimento.
Na prática, o que São Paulo fez foi aumentar o combustível que mantém os hospitais funcionando. E os números ajudam a dimensionar esse impacto.
Desde a implantação do programa, o estado registrou recorde histórico de cirurgias programadas, alcançando cerca de 3,5 milhões de procedimentos. Ao mesmo tempo, mais de R$ 9,7 bilhões foram destinados à saúde pública por meio do novo modelo de financiamento.
O que é a Tabela SUS Paulista?
Para entender a mudança, é preciso primeiro compreender como funciona o financiamento do SUS.
O Sistema Único de Saúde possui uma tabela nacional que define quanto hospitais recebem por procedimentos médicos. É ela que estabelece, por exemplo, quanto custa uma cirurgia, um parto ou uma sessão de hemodiálise dentro da rede pública.
O problema é que, há anos, hospitais filantrópicos e Santas Casas argumentam que muitos desses valores ficaram defasados diante do aumento dos custos hospitalares.
Em outras palavras: em muitos casos, o valor pago não acompanhava o custo real do atendimento.
É como tentar manter uma casa funcionando com contas de hoje e orçamento de décadas atrás.
Foi nesse cenário que surgiu a Tabela SUS Paulista.
O programa estadual passou a complementar os pagamentos feitos pelo SUS nacional, aumentando os repasses para hospitais e instituições de saúde em centenas de procedimentos.
Em alguns casos, a diferença chama a atenção.
Um parto normal, por exemplo, que na tabela federal recebe R$ 443,40, passou a receber R$ 2.217 no modelo paulista, aumento de 400%.
Já uma cirurgia de retirada de vesícula, que recebe R$ 996,34 na tabela nacional, passou para R$ 4.483,53 em São Paulo.
Uma mastectomia radical saiu de R$ 2.462,85 para R$ 9.851,40.
O efeito dentro dos hospitais
Na prática, o aumento no financiamento permitiu ampliar a capacidade de atendimento de hospitais públicos e filantrópicos.
Segundo o governo estadual, cerca de 800 instituições passaram a ser beneficiadas pelo programa. Entre elas estão Santas Casas, hospitais filantrópicos e unidades autárquicas responsáveis por aproximadamente metade dos atendimentos hospitalares do SUS paulista.
O impacto aparece principalmente em áreas historicamente pressionadas pela demanda reprimida.
Cirurgias eletivas, aquelas que podem ser agendadas tiveram aumento significativo. O estado registrou mais de 130 mil procedimentos adicionais.
Também houve crescimento nas cirurgias cardíacas, oncológicas, de mama e bucomaxilofaciais.
Por trás desses números existe um efeito menos visível, mas fundamental: hospitais conseguem manter equipes, reabrir leitos e ampliar capacidade operacional quando recebem mais recursos.
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É uma lógica parecida com a de um restaurante que consegue atender mais clientes quando passa a ter estrutura suficiente para contratar mais cozinheiros, ampliar estoque e manter equipamentos funcionando.
Na saúde pública, isso significa acelerar filas e aumentar a oferta de atendimento.
O investimento virou atendimento
Mas, os números da Tabela SUS Paulista ganham outro peso quando aparecem na vida de quem depende do sistema público de saúde.
Aos 71 anos, Valdecir Heguedusch recebeu um diagnóstico que costuma transformar completamente a rotina de qualquer paciente: um câncer no útero.
Ela foi encaminhada ao Instituto do Câncer Dr. Arnaldo após descobrir um carcinoma maligno no endométrio.
O que mais marcou Valdecir, no entanto, foi a velocidade do atendimento. “Eu nunca imaginei que, em menos de dois meses, eu pudesse entrar num processo desse e sair do outro lado.”
Segundo ela, tudo começou em 21 de outubro, durante uma consulta no AMA Barradas, quando recebeu a confirmação da doença e a informação de que precisaria passar por cirurgia.
No mês seguinte, conseguiu fazer todos os exames necessários. “Eu fui atendida por uma equipe maravilhosa, pessoas humanas”, conta. A cirurgia foi marcada para 18 de dezembro. Do diagnóstico até a operação, passaram-se menos de dois meses. “Para mim foi uma coisa espetacular.”
O relato ajuda a traduzir em experiência humana aquilo que muitas vezes aparece apenas em tabelas, números e indicadores.
Acelerar exames, ampliar capacidade hospitalar e aumentar o número de cirurgias significa reduzir o tempo entre o diagnóstico e o tratamento, algo decisivo principalmente em doenças graves, como o câncer.
Mais hospitais incluídos
Outro movimento importante foi a ampliação do programa para hospitais municipais.
Mais de 100 unidades, em cerca de 70 cidades paulistas, passaram a integrar a Tabela SUS Paulista.
Mais recursos, mais acesso à saúde com a Tabela SUS Paulista
A iniciativa do @governosp reforça o atendimento no estado, ampliando os repasses em até 5x mais que a tabela federal a hospitais filantrópicos e santas casas, garantindo mais estrutura para quem precisa.
Na prática,… pic.twitter.com/RnuhjIWoL1
— Governo de S. Paulo (@governosp) April 23, 2026

