Rio de Janeiro amplia a segurança com agentes, dados e supercâmeras
Prefeitura expande vigilância por IA com uso de sistemas de monitoramento, em acessos estratégicos com redução de roubos e furtos em até 73%

Imagine um mapa da cidade em que os locais com mais registros de roubos e furtos começam a “acender” como pontos de calor. Em vez de distribuir agentes, câmeras e fiscalização de forma uniforme por todo o território, a estratégia é concentrar recursos justamente onde esses pontos aparecem com maior intensidade.
É essa lógica que vem orientando a política de segurança urbana do Rio de Janeiro. De um lado, a Força Municipal amplia o policiamento ostensivo em áreas escolhidas a partir da análise de ocorrências. Do outro, a CIVITAS Rio expande uma rede de câmeras inteligentes capaz de cruzar imagens, características de veículos e trajetos para auxiliar investigações.
A última expansão da Força Municipal foi para Santa Cruz, na Zona Oeste, onde atua no entorno da estação de trem, no centro de comércio popular e nas proximidades do Santa Cruz Shopping. Agora, são 14 áreas estratégicas atendidas pelo efetivo desde o início das operações, em março.
“Com um trabalho focado no entorno de estações e áreas comerciais, reduzimos esses índices em quase 70% em algumas áreas de atuação e agora avançamos para Santa Cruz.”
Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro
Desde março, o efetivo está em outros perímetros com índices mais elevados de roubos e furtos: Bangu (entre Calçadão e o Bangu Shopping), Campo Grande (entre a Estação de Trem e o Calçadão), Centro (Avenida Presidente Vargas, Campo de Santana, Central do Brasil e Cinelândia), Rodoviária do Rio, Terminal Gentileza e Estação Leopoldina, Leblon (Jardim de Alah), Botafogo e Flamengo (Rua Lauro Müller, Rua General Severiano, Avenida Venceslau Brás, Metrô Botafogo, Rua São Clemente, Rua Voluntários da Pátria e Praia de Botafogo e Marquês de Abrantes), Tijuca (São Francisco Xavier e Afonso Pena), Estação Méier e Cachambi, Barra da Tijuca (Terminal Jardim Oceânico, Praça do Ó, cruzamento da Avenida Ayrton Senna com Avenida das Américas), Freguesia e Jacarepaguá.
O que muda em Santa Cruz?
O novo perímetro concentra alguns dos pontos de maior circulação do bairro. A estação ferroviária conecta moradores a outras regiões da cidade, enquanto o comércio popular e o shopping movimentam trabalhadores, estudantes e consumidores ao longo do dia.
O modelo é de policiamento preventivo e ostensivo. Na prática, isso significa agentes visíveis nas ruas com foco na prevenção e repressão imediata de roubos e furtos.
Mas a Força Municipal não substitui as polícias Civil e Militar: segundo o planejamento apresentado pela Prefeitura, seus agentes não são responsáveis por investigações criminais, enfrentamento ao crime organizado ou retomada de territórios conflagrados. A proposta é funcionar de forma complementar às demais forças de segurança.
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Os números por trás da expansão
Os dados apresentados pelo município ajudam a explicar por que o modelo está sendo levado a outras regiões.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apresentados pela Prefeitura apontam redução nos registros de roubos e furtos de celulares e a pedestres em todos os perímetros atendidos pela Força Municipal, na comparação entre os mesmos períodos de 2025 e 2026.
A maior queda ocorreu na região que inclui o Metrô Botafogo, a Rua São Clemente e a Rua Voluntários da Pátria: 73,1%.
Em outro trecho de Botafogo, nas ruas Lauro Müller, Avenida General Severiano e Avenida Venceslau Brás, a redução foi de 65,3%.
Outro destaque foi na área da Freguesia e Jacarepaguá, com queda de 71,4%.
Na região da Rodoviária do Rio, Terminal Gentileza e Estação Leopoldina, os registros caíram 62,4%. Em Bangu, entre o Calçadão e o Bangu Shopping, caíram pela metade. No cruzamento entre Avenida Ayrton Senna e Avenida das Américas, a reducão foi de 46,60%. E no perímetro da Avenida Presidente Vargas, Central do Brasil, Campo de Santana e Cinelândia os índices diminuíram 43,60%.
Segundo o balanço atualizado da Prefeitura, desde o início das operações, a Força Municipal realizou mais de 15.265 abordagens, que resultaram em 1.354 prisões e conduções às delegacias.
Nesse período, também foram recuperados ou apreendidos 350 celulares e 266 motocicletas. Os agentes apreenderam ainda uma pistola, 25 réplicas de armas de fogo e 73 armas brancas, além de cumprirem 33 mandados de prisão.
“Esses resultados expressivos reforçam a importância desse trabalho preventivo integrado às polícias”, afirmou o secretário municipal de Segurança Urbana, Brenno Carnevale.
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Câmeras e inteligência artificial
Enquanto os agentes ocupam pontos considerados críticos, outra parte desse sistema é operada pela CIVITAS Rio, que vem ampliando o uso das chamadas supercâmeras, equipamentos integrados a ferramentas de inteligência artificial e visão computacional.
Segundo a Prefeitura, o Rio de Janeiro possui cerca de 13.500 câmeras, das quais mais de 3.600 são classificadas como supercâmeras inteligentes.
Essas máquinas procuram elementos como cor, marca e tipo de veículo, direção de deslocamento, objetos e características de vestimentas. Isso permite, por exemplo, tentar reconstruir o caminho percorrido por determinado veículo mesmo quando a placa não aparece de maneira legível.
“Não ter a placa não é um problema: nós conseguimos chegar à identificação do veículo por cor, marca e modelo. Uma supercâmera pode processar até 3 mil situações simultaneamente”, explicou Davi Carreiro, chefe-executivo da CIVITAS Rio, ao detalhar o funcionamento da tecnologia.
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Até o fim de 2026, a previsão municipal é ultrapassar 6.500 supercâmeras, dentro de uma rede com mais de 16 mil equipamentos. A nova etapa de instalação tem concentração inicial em Méier e Madureira, na Zona Norte, onde há uma alta nos roubos e furtos de veículos e celulares, inclusive com ocorrências praticadas com uso de motos e carros.
Muralhas digitais
Outra frente do projeto são as chamadas Muralhas Digitais. Trata-se de pontos equipados com sistemas de monitoramento instalados em acessos estratégicos para registrar a movimentação de veículos e cruzar informações.
A ideia é reforçar o cinturão eletrônico. Se um veículo de interesse aparece em uma região e depois passa por outro ponto monitorado, os registros podem ajudar a reconstruir sua rota. É como juntar várias peças de um mesmo trajeto espalhadas pela cidade.
Em breve, a Prefeitura vai instalar uma nova Muralha Digital na subida da Ponte Rio-Niterói. A estrutura ajuda, principalmente, em investigações envolvendo deslocamentos entre municípios da Região Metropolitana.
A previsão é continuar expandindo o sistema nos próximos anos. A meta anunciada pela gestão municipal é chegar a 15 mil supercâmeras inteligentes até 2028, além de ampliar as Muralhas Digitais nos principais acessos e locais de grande circulação.
