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Há poucos anos, o desafio de milhares de famílias brasileiras era garantir a renda necessária para atravessar períodos de dificuldade. Hoje, muitas dessas histórias começam a ganhar novos capítulos graças a uma política pública que busca conectar proteção social, qualificação e geração de oportunidades: o Programa Acredita, do governo federal.
Criado para promover inclusão produtiva entre pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), a iniciativa vem se consolidando como uma das principais estratégias de mobilidade social do país. O programa integra ações de capacitação profissional, acesso ao emprego formal e crédito para pequenos empreendedores, criando condições para que beneficiários de programas sociais ampliem renda e construam autonomia financeira.
Os resultados aparecem tanto nos indicadores econômicos quanto nas histórias de quem conseguiu mudar de vida.
Foi o caso de Ivan Oliveira, morador de Natal (RN). Após enfrentar um período de desemprego, ele encontrou no Bolsa Família o suporte necessário para sustentar os filhos. Mais tarde, por meio das oportunidades oferecidas pelo Programa Acredita, conquistou uma vaga formal de trabalho.
“Quando minha família e eu ficamos sem emprego, foi o Bolsa Família que nos ajudou. Hoje, graças ao Programa Acredita, estou empregado e com salário”, conta.
A trajetória de Ivan representa uma das principais propostas da iniciativa: transformar a assistência social em ponto de partida para a inclusão econômica.
Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), entre 2023 e o início de 2026, 86,7% das vagas formais criadas no país foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família. Além disso, 81,2% dos novos empregos gerados tiveram como destino pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
Somente no primeiro bimestre de 2026, das 370.339 vagas formais com carteira assinada criadas no Brasil, 300.728 foram preenchidas por pessoas cadastradas no CadÚnico. Os dados são corroborados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Esse avanço no mercado de trabalho também se refletiu na redução da pobreza: de acordo com estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), 17,5 milhões de brasileiros saíram da condição de pobreza em apenas dois anos.
Crédito a juros baixos
Além do emprego formal, o empreendedorismo tem sido uma das principais portas de entrada para a autonomia financeira.
Em Parnamirim (RN), a empreendedora Zenilda Aleixo viu no Programa Acredita a oportunidade de expandir seu negócio. Com o crédito obtido por meio da iniciativa, ela investiu na estruturação de um ponto de venda próprio para comercializar roupas femininas, peças de praia e perfumaria.
A experiência de Zenilda reflete uma inovação importante do programa: o Fundo Garantidor, mecanismo que reduz as exigências para obtenção de crédito produtivo. A ferramenta permite que trabalhadores de baixa renda tenham acesso a financiamento mesmo sem apresentar garantias tradicionais exigidas pelas instituições financeiras.
Até março de 2026, o programa havia registrado cerca de 1,48 milhão de operações de crédito, somando aproximadamente R$ 15 bilhões investidos em atividades produtivas. Os financiamentos podem chegar a R$ 21 mil por operação, com juros limitados à taxa Selic acrescida de até 2% ao ano.
Mulheres na liderança
A presença feminina é uma das marcas do programa. Atualmente, sete em cada dez participantes das ações voltadas ao empreendedorismo são mulheres.
Em diferentes regiões do país, elas têm utilizado o crédito produtivo para ampliar negócios, gerar renda e fortalecer a economia local. É o caso de empreendedoras como Zenilda Aleixo, mas também de costureiras, comerciantes, profissionais da beleza e trabalhadoras autônomas que encontraram na iniciativa uma oportunidade para transformar atividades informais em empreendimentos estruturados.
O resultado é um movimento que vai além da geração de renda individual e contribui para reduzir desigualdades históricas de gênero no mercado de trabalho.
Empreendedora do setor alimentício, Tamires Pereira recebeu um microcrédito do Banco do Nordeste (BNB) por meio do Programa Acredita no Primeiro Passo e pretende utilizar os recursos para investir em tecnologia e ampliar o faturamento do negócio.
Segundo ela, serão adquiridos equipamentos de pequeno porte para otimizar a produção, entre eles uma máquina de corte de papel utilizada na confecção de topos para bolos. Além disso, a empresária planeja implantar um sistema de gerenciamento de pedidos para melhorar o atendimento aos clientes.
“Como dedicamos grande parte do tempo à produção, é fundamental contar com ferramentas que garantam mais agilidade no atendimento da demanda”, destacou a comerciante de Timon.
Inclusão e oportunidades
O Programa Acredita faz parte de uma estratégia mais ampla de inclusão econômica baseada na combinação entre proteção social e acesso a oportunidades.
Nos últimos dois anos, 17,5 milhões de brasileiros saíram da pobreza, segundo a Fundação Getulio Vargas, enquanto que o emprego formal cresceu 5% em 2025 com mais de 2,8 milhões de novos vínculos. O país também voltou a sair do Mapa da Fome, em um contexto de expansão da renda e fortalecimento das economias locais.
Presente em mais de 20 estados, com 148 acordos firmados e quase 15 mil unidades parceiras, o programa busca aproximar trabalhadores e empreendedores das demandas reais do mercado. Além disso, a plataforma Seu Primeiro Passo oferece cursos gratuitos e acesso remoto à qualificação profissional, ampliando as possibilidades de inserção produtiva.
Ao reunir emprego, capacitação e crédito em uma mesma estratégia, o Programa Acredita aposta em uma nova lógica de desenvolvimento social: oferecer proteção para quem precisa e, ao mesmo tempo, criar caminhos concretos para o crescimento econômico.
Nas histórias de brasileiros como Ivan e Zenilda, essa proposta ganha significado prático. São trajetórias diferentes, mas que compartilham o mesmo resultado: a oportunidade de transformar vulnerabilidade em autonomia e construir um futuro com mais perspectivas.
