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Patria e SmartFit: operação moldou o mercado fitness na América Latina

Com apoio da gestora de recursos, rede de academias ganhou escala, consolidou o setor e se tornou líder regional, com presença em 16 países

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O Patria Investimentos anunciou, em 23 de fevereiro, a venda integral da participação do Fundo V de private equity e de co-investidores na rede de academias Smart Fit. A operação somou cerca de R$ 890 milhões, equivalente a 6,9% da companhia.

A transação encerra um ciclo de 16 anos, no qual o investimento teve papel decisivo no desenvolvimento e na expansão da companhia — contribuindo para transformar o mercado fitness no Brasil e na América Latina.

Segundo o Patria, a decisão de saída total reflete o ciclo natural da indústria de private equity. “Estamos muito satisfeitos com os resultados desse investimento, que conclui com a nossa saída em uma tese que foi integralmente cumprida”, afirma Luis Felipe Cruz, sócio do Patria Investimentos.

“A SmartFit atingiu escala global, governança robusta e liderança consolidada em seu setor. Entendemos que este é o momento adequado para concluir o ciclo de investimento, capturar valor para nossos investidores e realocar capital para novas oportunidades.”

Luis Felipe Cruz, sócio do Patria Investimentos

Uma história de geração de valor

O Patria é uma gestora de recursos especializada em ativos alternativos, com ampla experiência em private equity. Ao longo de 38 anos, participou de mais de 300 operações de M&A (fusões e aquisições) e se consolidou como uma das principais referências nessa estratégia no Brasil e na América Latina.

A relação com a Smart Fit teve início em 2010, quando a gestora identificou no mercado fitness brasileiro um conjunto de características que o tornavam especialmente atrativo para investimentos de private equity.

De um lado, o setor avançava a taxas médias de cerca de 15% ao ano, impulsionado por fatores estruturais, como a ascensão da classe média e a maior demanda por bem-estar. De outro, seguia fragmentado, sem líderes com escala — juntos, os seis maiores players não chegavam a 4% de market share.

Além disso, o nível de penetração de academias no Brasil era bastante reduzido. Enquanto no Reino Unido cerca de 12% da população frequentava esses espaços e, nos Estados Unidos, esse índice chegava a 16%, no Brasil girava em torno de 2% — um indicativo claro de amplo potencial de crescimento.

Diante desse cenário, o Patria identificou a oportunidade de desenvolver o segmento de academias acessíveis por meio do investimento na Smart Fit, apoiando a construção de um modelo escalável, eficiente e replicável, capaz de sustentar uma trajetória consistente de expansão.

A tese se mostrou acertada e a companhia rapidamente ganhou tração.

Em um mercado ainda concentrado em serviços premium e mensalidades elevadas, o modelo “high value, low price” da Smart Fit se destacou ao combinar qualidade, conveniência e preço acessível.

Com uma proposta focada no essencial — equipamentos modernos, ambiente padronizado e boa experiência — a rede ampliou o acesso ao fitness, atraindo novos públicos e incorporando o hábito de exercício à rotina de milhões de pessoas.

O resultado foi um crescimento expressivo. Em cerca de 16 anos, a companhia passou de 28 para mais de 2 mil academias, expandiu a base de cerca de 50 mil para mais de 5 milhões de membros, elevou a receita de aproximadamente R$ 74 milhões para cerca de R$ 6,8 bilhões e multiplicou em 114 vezes o EBITDA.

Com essa expansão, a SmartFit se consolidou como a maior rede de academias da América Latina. Atualmente, a empresa está presente em 16 países e é líder em número de clientes ativos em cinco deles: Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru. Outros mercados importantes são Argentina, Equador, Paraguai, Guatemala e Panamá.

Do IPO ao desinvestimento

Ao longo da trajetória, a Smart Fit evoluiu para uma estrutura societária mais diversificada e uma governança cada vez mais robusta. Um dos principais marcos desse processo ocorreu em 2021, quando a companhia realizou o IPO e captou cerca de R$ 2,3 bilhões.

A abertura de capital fortaleceu a estratégia de crescimento da empresa e abriu uma via de liquidez para a saída gradual do Patria, que só começaria a tomar forma dois anos depois.

O desinvestimento do fundo gerido pelo Patria ocorreu por meio de transações de block trades e follow-on, promovidos entre 2023 e 2026 na Bolsa de Valores.

A saída do investimento está alinhada à disciplina de portfólio da gestora, com foco na geração de retornos consistentes aos investidores. “A venda da participação não reflete nenhuma mudança na nossa visão sobre a SmartFit. É a conclusão natural de uma tese de investimento plenamente executada e bem-sucedida”, reforça Cruz.

Com a conclusão da operação, o Patria segue focado em identificar e desenvolver novas oportunidades de investimento na região e em outros mercados onde atua, sempre com disciplina financeira, governança robusta e compromisso com a geração de valor sustentável.

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