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Brasília foi planejada para funcionar. Mas, ao longo dos anos, o crescimento populacional e a descontinuidade de políticas públicas fizeram com que problemas estruturais se acumulassem.
Trânsito travado, regiões sem urbanização, enchentes recorrentes, insegurança alimentar e dificuldade de acesso a serviços básicos passaram a fazer parte da rotina de milhares de brasilienses.
Contudo, nos últimos anos, esse quadro tem apresentado sinais consistentes de transformação.
O Governo do Distrito Federal entregou 7.279 obras desde 2019, abrangendo áreas como mobilidade, infraestrutura, saúde, educação, segurança e assistência social.
Mais do que a quantidade de entregas, o que chama a atenção é o propósito de reorganizar a cidade a partir de demandas antigas, muitas delas represadas por décadas.
O fim de problemas históricos
Algumas das mudanças mais marcantes estão ligadas a problemas que pareciam permanentes.
Um dos exemplos mais simbólicos é o Drenar DF, programa de captação e escoamento de águas pluviais do DF. Com investimento de R$ 180 milhões, o Drenar DF transformou uma das áreas mais afetadas por alagamentos na capital do país: as quadras iniciais da Asa Norte.
“Hoje, o tempo fecha e ninguém corre para tirar o veículo da garagem. A preocupação acabou”, comemora Gertrud Mathias, moradora da Quadra 202 há 40 anos.
O sistema de drenagem duplica a capacidade da rede existente, minimizando os impactos imediatos das chuvas para os moradores da Asa Norte. Além disso, contribui com a preservação do Lago Paranoá, reduzindo a pressão e o índice de sujeira da água que chega ao corpo hídrico por meio da bacia de detenção.
A obra ainda oferece mais um ponto de lazer para os brasilienses – o Parque Internacional da Paz, no Setor de Embaixadas Norte. O local, que abriga a bacia de detenção, uma praça homônima, ciclovia, calçada e estacionamento, além de arbustos e árvores, foi construído em contrato à parte do sistema de drenagem com investimento na ordem de R$ 2,2 milhões.

Outro caso emblemático é Vicente Pires, que passou por um amplo processo de urbanização, com investimentos de aproximadamente R$ 420 milhões. A região, que por anos enfrentou problemas como vias precárias e alagamentos frequentes, passou por uma reestruturação urbana significativa e hoje apresenta um novo padrão de infraestrutura.
O pacote de investimentos contemplou pavimentação de ruas e passeios, implantação de meios-fios, redes de drenagem pluvial, sinalização horizontal e vertical, nova iluminação pública e construção de lagoas de detenção para conter enchentes.
O Lote 2, conhecido como Colônia Agrícola Samambaia, segue em obras. Com investimento de cerca de R$ 60 milhões, as equipes concluem a instalação de rede de drenagem, para captação de águas pluviais com o objetivo de reduzir o risco de alagamentos, com mais de 12 km de galerias, lagoas de detenção, pavimentação, calçadas acessíveis, sinalização e iluminação pública, com atenção especial para estabilizar o solo e evitar atrasos futuros antes do início da próxima estação chuvosa.
“Quando chovia forte, ficávamos ilhados dentro de casa. Minha fisioterapeuta chegou a cancelar varias sessões porque não tinha como vir. Na época da poeira, também era insuportável. Hoje, isso mudou muito. O barro e os alagamentos deixaram de ser um pesadelo. Minha qualidade de vida melhorou bastante”, festeja Daniele Maroneze, que mora em Vicente Pires desde 2004.

E há ainda o fim de um dos períodos mais críticos da história recente do DF: o racionamento de água.
Após um dos períodos mais críticos da história do Distrito Federal, obras como adutoras e interligações de reservatórios ampliaram a capacidade de abastecimento e reduziram o risco de novos episódios por toda a capital.
Sol Nascente: símbolo da transformação urbana
A transformação do Sol Nascente/Pôr do Sol é frequentemente citada como um dos principais exemplos de mudança estrutural.
A ocupação da região começou em 1990. Em 2008, a região foi declarada Setor Habitacional, mas, foi em 2019 que a região, lar para 95 mil moradores, passou a vivenciar uma transformação significativa graças a um investimento de aproximadamente R$ 630 milhões. Desde que virou uma região administrativa, a cidade viu as obras de infraestrutura básica, educação, saúde e outras acelerarem.
Atualmente, 95% da população tem acesso a esgoto e água potável, com expectativas de melhora contínua.
Com um crescimento populacional explosivo, hoje a região têm cerca de 100 mil habitantes, sendo que nos anos 2000 eram apenas 7 mil.
A necessidade de infraestrutura adequada se tornou uma prioridade. Por isso, o GDF tem priorizado as obras de urbanização, incluindo pavimentação, drenagem e sinalização em diversos trechos.
Atualmente, o investimento de R$ 630 milhões avança nos trechos 1 e 3, onde já foram entregues drenagem, pavimentação asfáltica e por blocos intertravados, calçadas, meios-fios e sinalização.

Obras que destravam a cidade
Há um outro ponto em que as mudanças são visíveis: o trânsito.
O destaque vai para o Túnel de Taguatinga, uma obra aguardada há décadas e que hoje ajuda a reorganizar o fluxo de veículos em uma das regiões mais movimentadas do DF.
Um dos projetos mais emblemáticos de mobilidade do Governo do Distrito Federal, o Túnel Rei Pelé transformou o dia a dia de Taguatinga. Concluída em tempo recorde, em dois anos e dez meses, a obra recebeu investimento de R$ 275 milhões e gerou mais de 1,6 mil empregos, beneficiando cerca de 140 mil pessoas.
O aposentado José Airton de Souza comemora as mudanças que o Túnel Rei Pelé promoveu no centro de Taguatinga: “Aqui era um tumulto muito grande. Melhorou muito a acessibilidade, principalmente das calçadas. Agora a gente pode caminhar com segurança”.
O túnel foi construído com seis faixas de rolamento, sendo três em cada sentido, e corredores para ônibus, viadutos e túneis. O objetivo é fazer com que uma viagem do Sol Nascente/Pôr do Sol ao Plano Piloto dure cerca de trinta minutos.

Ao lado do túnel, outras entregas reforçam essa transformação na mobilidade da capital:
- 11 novos viadutos.
- Conclusão da Saída Norte, ampliando o acesso ao Plano Piloto.
- Corredor Eixo Oeste, ligando regiões populosas ao centro.
- Reconstrução do viaduto que desabou no Eixão Sul.
Na prática, essas intervenções reduzem tempo de deslocamento, ampliam a fluidez do trânsito e impactam diretamente a produtividade e qualidade de vida da população.
Para o transporte coletivo, o avanço também é significativo.
A construção de seis novas rodoviárias e a criação do programa Vai de Graça, que garante tarifa zero aos domingos e feriados ampliaram o acesso ao transporte público.
O programa já soma quase 40 milhões de viagens no primeiro ano, indicando forte adesão da população.

Cuidado mais próximo da população
Na área da saúde, o foco foi descentralizar o atendimento.
No Gama, o atendimento rápido da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi o que salvou a vida do comerciante João Idelfoncio do Amorim. “Quando cheguei, já tinha infartado havia três dias. Achava que eram dores normais. Aqui, foi tudo muito rápido”, relatou o paciente, que agora tem três pontes de safena e nenhuma sequela.

“Moro no Novo Gama. Cheguei aqui em 20 minutos e pouco depois já estava sendo atendido, passando pelos exames e depois pelo tratamento. Salvaram a minha vida, agradeço por terem construído uma coisa tão boa para nós.”
João Idelfoncio do Amorim, comerciante
A UPA do Gama é uma das sete unidades inauguradas desde 2021, parte de um esforço para ampliar o atendimento de urgência à população do DF. Os equipamentos foram construídos em pontos estratégicos de Brazlândia, Ceilândia, Gama, Paranoá, Planaltina, Riacho Fundo II e Vicente Pires.
O GDF investiu também na construção de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), ampliando o acesso a serviços de urgência e emergência em regiões administrativas.
Ainda na área de Saúde, o Governo do Distrito Federal lançou o programa “O câncer não espera. O GDF também não”, com ações para reduzir o tempo de início do tratamento na rede pública.
Com o programa, o tempo de espera para a primeira consulta caiu de 80 para até 30 dias, e, até o momento, mais de mil pacientes foram atendidos, seguido do conjunto das medidas que permitiu a oferta de mais de 1,3 mil novos tratamentos no Distrito Federal, como a definição de critérios de atendimento mais rápidos.
O protocolo de atenção oncológica prevê, ainda, triagem por especialistas, encaminhamento para tratamento em hospitais de referência e oferta de exames laboratoriais e de imagem. Inclusive, 12 clínicas foram contratadas para aumentar a capacidade de atendimento.
Além disso, o cuidado é acompanhado de serviços paliativos e acompanhamento clínico após o término do tratamento, garantindo suporte integral ao paciente.
Delegacias sempre abertas
Na Segurança Pública, houve a retomada do funcionamento de delegacias 24 horas, ampliando o atendimento contínuo à população.
“Já precisei de atendimento à noite uma vez em Sobradinho e tive que voltar para casa porque a delegacia estava fechada. Para quem precisa fazer um boletim de ocorrência imediatamente é fundamental que elas estejam sempre abertas”, afirmou Elson Domingues.
A medida já se consolidou como uma grande aliada da população ampliando a disponibilidade e prontidão de toda a rede de operação – do registro da ocorrência até a ação policial – colaborando para maior efetividade na solução de casos.
Segundo levantamentos, mais de 90% dos crimes de homicídio, feminicídio e de violência doméstica investigados pela Polícia Civil do DF foram enviados à Justiça em menor tempo. Isso porque, com mais policiais na delegacia e em todos os turnos, as diligências investigativas não param, trazendo um tempo de resposta muito menor.
Ampliação do acesso à educação
A expansão da rede educacional também aparece entre os principais eixos de investimento.
Desde 2019, foram entregues 13 novas escolas públicas e 27 centros de educação da primeira infância.
A ampliação das vagas em creches atende uma demanda histórica, especialmente de famílias em que pais e mães precisam trabalhar.
Após matricular o filho, o pequeno Henrique, na unidade, Juliana Silva conquistou a independência financeira. Agora é educadora social do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Jardim II.

“Antes eu ficava em casa cuidando dele o tempo todo. Era difícil, porque o pai dele saía para trabalhar, e eu ficava sobrecarregada. Depois da creche, eu consegui até um serviço. Ele fica aqui e eu lá na escola trabalhando. Ele fica pertinho, e eu trabalho tranquila.”
Juliana Silva, educadora social
Além da infraestrutura, programas sociais, como o Cartão Material Escolar – que só este ano chegou a mais de 200 mil estudantes – e o Cartão Uniforme Escolar – que atende as famílias de quase 450 mil alunos matriculados na rede pública do DF – passaram a atuar na permanência dos alunos na escola. Esses benefícios auxiliam famílias de baixa renda na compra de itens básicos, reduzindo a evasão escolar.

No Ensino Superior, a criação da Universidade do Distrito Federal (UnDF), oficializada em 2021, marcou um avanço na oferta pública de graduação e pós-graduação na capital.
Alimentação: política pública com impacto direto
O Distrito Federal conta com a maior rede de proteção social do país. E um dos programas que contribuíram para chegar a esse patamar foi o dos Restaurantes Comunitários.
Nos últimos anos, o GDF ampliou e reestruturou a rede de restaurantes comunitários:
- Construção de 4 novas unidades.
- Redução do valor do almoço para R$ 1.
- Oferta de café da manhã e jantar por R$ 0,50 cada.
Segundo dados oficiais, mais de 1,4 milhão de refeições são servidas mensalmente.
Na prática, isso significa que milhares de pessoas passaram a garantir alimentação diária a baixo custo, um fator essencial em contextos de vulnerabilidade.
“Eu super recomendo o Restaurante Comunitário do Gama, que é onde frequento. Além do preço, vejo que há nutricionistas e pessoas do GDF o tempo todo cobrando qualidade. E, claro, tenho minhas amizades também, que me atendem super bem (rs)”, ressalta o autônomo José Afonso.

Outros programas complementam essa política:
- Cartão Gás: benefício de R$ 100 concedido a cada dois meses para cerca de 70 mil famílias.
- Cartão Prato Cheio: programa que garante alimentação a famílias em situação de vulnerabilidade social.
Moradia, trabalho e renda
O acesso à moradia também registrou avanços.
Desde 2019, foram entregues cerca de 14 mil unidades habitacionais, incluindo projetos como o Itapoã Parque, considerado um dos maiores empreendimentos habitacionais em desenvolvimento.
Na geração de emprego e renda, o destaque é o RenovaDF. O programa combina qualificação profissional com recuperação de espaços públicos, oferecendo bolsa auxílio aos participantes.
De acordo com dados divulgados pelo governo, mais de 30 mil pessoas já foram formadas.
É uma política que conecta dois pontos essenciais: emprego e melhoria da cidade.
Cultura e identidade
A segunda e a terceira etapa da reforma do Teatro Nacional Claudio Santoro acabaram de ser anunciadas. As obras revitalizarão a icônica Sala Villa-Lobos, a maior da casa de espetáculos, além do Foyer da Villa-Lobos, a Sala Alberto Nepomuceno e o espaço Dercy Gonçalves, no rooftop do teatro.
Os espaços estão fechados há aproximadamente 12 anos. O investimento é de R$ 268.340.510,96. O governo espera entregar a obra de recuperação do equipamento público cultural histórico até o final de 2028.
A recuperação do Teatro Nacional ficou parada por entraves técnicos e burocráticos por anos. Por isso, o governo local dividiu a reforma em quatro etapas.
A primeira, já concluída em 2024, contemplou a Sala Martins Pena. Essa engloba a segunda e a terceira etapa. Já a quarta e última inclui a parte administrativa do equipamento público e a instalação da Secretaria de Cultura do DF no equipamento público.
A restauração da Sala Martins Pena contou com investimento de cerca de R$ 70 milhões, com previsão de novas etapas para outras áreas do complexo.


