Novembro azul: informação de qualidade é a melhor arma para prevenção
Em live promovida pelo Metrópoles, em parceria com a Oncologia D'Or, especialistas abordaram a importância de buscar por serviços urológicos

Neste ano, a campanha Novembro Azul, que alerta sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, comemora 10 anos de existência no Brasil. Pode parecer pouco, mas há muito a ser celebrado. Pesquisas mostram que o número de pacientes que procuram médicos urologistas para fazer o toque retal e a dosagem do PSA vêm crescendo, o que faz com que a taxa de mortalidade pela doença reduza consideravelmente.
“A gente até se surpreende com a eficácia dessa campanha, ainda mais com o público masculino, que a gente sabe que tem maior resistência a procurar médicos quando não tem sintomas. O nosso grande objetivo é a detecção precoce desse tipo de tumor. A gente precisa diagnosticar esse câncer antes dele metastizar, antes dele se tornar uma doença avançada, para ter melhores resultados no desfecho oncológico e melhores taxas da qualidade de vida desse paciente com tratamentos menos agressivos”, afirmou o médico radio-oncologista da Oncologia D’Or, Alisson Borges, que participou da live “Novembro Azul: cuidados com o câncer de próstata”, promovida pelo Metrópoles, em parceria com a Oncologia D’Or, na última quarta-feira (24/11).
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, perdendo apenas para o de pele. São quase 66 mil novos casos e cerca de 16 mil mortes por ano no Brasil, segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
“Informação de qualidade é a melhor arma para prevenção. Os homens podiam fazer um pacto com eles mesmos e definirem um mês para realizar essa prevenção. Eles devem se cuidar”, reforçou o oncologista clínico da Oncologia D’Or, Bruno Carvalho, que também participou do evento virtual.
Público-alvo
Uma dúvida frequente entre os homens é: quando começar a fazer os exames de rotina? Carvalho esclareceu que a avaliação individualizada deve ser feita anualmente a partir dos 50 anos para todos os homens. Agora, caso o paciente se enquadre no perfil de risco – pessoas da raça negra ou histórico familiar com ocorrência da doença ou de câncer de mama ou pâncreas – o ideal é começar aos 40, 45 anos.
Por fatores dietéticos e hereditários, os homens de etnia negra precisam ficar mais atentos. Dados na literatura médica mostram que esse público apresenta maior chance de ter câncer de próstata, com tumores mais agressivos, maiores chances de reaparecimento e em idade mais precoce.
“Dados comportamentais também podem incluir indivíduos no grupo de maior risco. Por exemplo, falta de atividade física e consumo de comida gordurosa e de carne vermelha. Alguns estudos também mostram a relação com o excesso de álcool e cigarro, aumentando as chances de morte pelo câncer e da doença rescindir, ou seja, voltar após tratamento”, explicou Carvalho.
Exames e tipos de tratamento
Detectar a doença precocemente faz toda a diferença para determinar o tipo de tratamento que o paciente receberá. Atualmente, existem cirurgia robótica e outras tecnologias de alta precisão que tratam praticamente só o tumor, com baixíssimo uso de hormonioterapia. Para iniciar essa avaliação, é necessário verificar a dosagem do PSA (exame de sangue) e fazer o toque retal.
“O exame de sangue e o exame de toque retal atuam de forma complementar. Existem alguns casos em que o câncer se manifesta sem elevação de PSA, geralmente são tumores até mais agressivos. Por isso, o toque e a avaliação do especialista são fundamentais”, ressaltou o dr. Alisson Borges.
O PSA também pode aparecer de forma aumentada na circulação sem indicar, necessariamente, um câncer. Podendo ser infecção, crescimento benigno da glândula ou inflamação. Sendo assim, o valor precisa ser interpretado junto com outros dados e, caso necessário, acrescido de exames de ressonância e biópsia.

Após confirmação do câncer, será necessário estadiar (classificar a fase de desenvolvimento, a extensão e a gravidade do tumor) esse paciente. “Em uma batalha, o primeiro passo é conhecer o inimigo e isso acontece com o estadiamento. Então, o tratamento vai se basear a partir daí. Em caso de doença indolente, pode-se optar por um tratamento de vigilância ativa. Na doença avançada, pode-se partir para o tratamento sistêmico”, exemplificou Carvalho.
Ou seja, para definir se o tratamento será de hormonioterapia, radioterapia, quimioterapia, braquiterapia e até mesmo cirurgia de prostatectomia radical (remoção da próstata e dos tecidos que a rodeiam), é preciso analisar cada caso individualmente. Se a doença for metastática, o paciente receberá tratamento ao longo da vida. Se for localizada de alto risco, pode durar até três anos. De risco intermediário, seis meses, e baixo risco, terapia isolada.
“É preciso acabar com esse tabu de ‘quem procura, acha’. O paciente tem que entender que, quem acha mais precocemente tem mais chances de cura. Quem procura cedo, cura mais fácil”, enfatizou Carvalho.
Não espere os sintomas. Prevenção já
Não podemos esquecer que alguns números acendem o sinal de alerta. O Instituto Lado a Lado pela Vida identificou que 62% dos brasileiros só visitam o médico quando têm sintomas insuportáveis.
O ideal é procurar o médico especialista antes dos sintomas aparecerem, pois, a partir do momento que você tem algum sintoma urinário, a doença já está avançada.
“Os principais sintomas que envolvem o câncer de próstata são relacionados à masculinidade, em relação à esterilidade, à infertilidade, à questão da perda da potência sexual. Mas, se diagnosticado inicialmente, a taxa de complicação nesse aspecto é menor. Existem técnicas avançadas de tratamento que desmistificam esse medo do homem de ficar impotente”, detalhou Borges.
Outros sintomas mais frequentes são micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido, vontade de urinar frequentemente à noite (nictúria), sangue na urina ou no sêmen. Além de dores no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos se a doença se disseminou, e fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.
“Iniciativas como essa do Metrópoles, junto com a Oncologia D’Or, servem para divulgar a importância de procurar um médico, de fazer os exames para detecção precoce. Mais da metade da população nunca fez um exame, que é simples, barato e de fácil acesso. Isso é sério. Está na hora de pensar.“, finalizou Borges.
