15º Encontro do Confea: líderes debatem entraves da infraestrutura

No Metrópoles Talks realizado em Brasília, as lideranças discutiram temas como mobilidade urbana, energia, saneamento e sustentabilidade

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atualizado

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As cidades brasileiras vivem um momento decisivo quando o assunto é infraestrutura. O crescimento urbano acelerado, aliado às desigualdades sociais, às mudanças climáticas e às limitações de planejamento e investimento, impõe desafios complexos à gestão pública e ao desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, a discussão sobre os desafios da infraestrutura nas cidades brasileiras integra a programação oficial do 15º Encontro de Líderes do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) ,que acontece até sexta-feira, 30, em Brasília.

A edição de 2026 do encontro faz parte do Metrópoles Talks e torna-se um espaço estratégico para a troca de experiências, o alinhamento de visões e a construção de caminhos capazes de transformar realidades urbanas e promover qualidade de vida para a população.

Vinicius Marchese, engenheiro de telecomunicações e presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) abriu o evento destacando a importância de encontros institucionais dessa natureza, que tem como objetivo organizar o planejamento do ano conforme as divisões internas da entidade.

Segundo ele, o momento é fundamental para definir ações, diretrizes e responsabilidades, especialmente no que diz respeito à fiscalização, obrigação legal da entidade, e à atuação dos engenheiros nos diversos espaços que exigem essa expertise.

“A liderança deve ir além do cumprimento das obrigações legais, contribuindo de forma prática para ajudar as cidades a resolverem seus problemas”.

Vinicius Marchese, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea)

Ao abordar os desafios para o crescimento do país, Valter Silveira, secretário de Estado de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal, afirmou que o Brasil possui inúmeros projetos de investimento em andamento, mas enfrenta um atraso histórico em infraestrutura.

Ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ele comparou o cenário brasileiro ao de outros países e afirmou que, se antes o Brasil estava 20 anos atrasado, hoje estaria ainda mais distante. Como exemplo, citou a Rodovia Transamazônica, que até hoje não foi totalmente pavimentada, dificultando o transporte de cargas.

“Há também os desafios logísticos no escoamento da produção do Mato Grosso até o Porto de Santos. Na Europa, por exemplo, a infraestrutura já está consolidada, restando apenas melhorias pontuais, enquanto o Brasil ainda está muito aquém do necessário”.

Valter Silveira, secretário de Estado de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal

Para Silveira, tirar esses projetos do papel é uma missão conjunta de servidores públicos e engenheiros, que precisam atuar de forma integrada para viabilizar o desenvolvimento do país.

Izídio Santos, presidente da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) reforçou que, além de investimentos, o Brasil enfrenta entraves burocráticos que dificultam o avanço dos projetos. Segundo ele, no Distrito Federal e em outras regiões do país, a falta de projetos estruturados é um problema recorrente.

O representante da Terracap também defendeu a valorização dos profissionais de engenharia, com melhores salários e capacitação, destacando que anos de falta de investimento em saneamento e infraestrutura resultaram nos problemas enfrentados atualmente.

Em seguida, Vinicius Marchese voltou a criticar o atraso brasileiro em infraestrutura e mencionou que o Congresso Nacional dispõe de cerca de R$ 51 bilhões em emendas parlamentares, muitas vezes utilizadas em eventos, enquanto cidades carecem de investimentos estruturais. Como exemplo simbólico, citou o túnel submerso entre Santos e Guarujá, cujo primeiro registro de projeto data de mais de 100 anos, mas que até hoje não foi construído.

“Essa realidade evidencia a diferença entre um país que deseja apenas atender demandas imediatas e outro que busca, de fato, se desenvolver, valorizando também a mão de obra especializada”, afirmou.

Durante o debate, Valter Silveira destacou que há iniciativas em curso para a retomada dos investimentos na malha ferroviária brasileira.

“Este é o momento de alavancar novamente o setor, atraindo parceiros e fortalecendo o modal ferroviário como alternativa estratégica para o transporte de cargas no país. O Brasil possui grande potencial para o uso do modal hidroviário, mas enfrenta barreiras estruturais e regulatórias que precisam ser superadas”, pontuou.

Falta de infraestrutura

Izídio Santos ressaltou que o país convive com sérios problemas estruturais. Ele relembrou que, na década de 2010, houve um forte crescimento econômico, mas a falta de investimentos em energia impediu que as indústrias ampliassem sua capacidade produtiva, resultando em gargalos no abastecimento.

“É fundamental investir em ferrovias e em planejamento integrado. Muitas vezes os investimentos se concentram em determinadas áreas, enquanto outras permanecem sem atender às demandas básicas, como ocorre nos projetos de mobilidade urbana que não conseguem avançar para etapas posteriores”, afirmou.

Marchese ainda ressaltou que as cidades enfrentam grandes dificuldades para estruturar e entregar projetos com um nível mínimo de organização. De acordo com ele, o país perdeu, nos últimos anos, a cultura do planejamento, especialmente entre gestores públicos, o que resultou na perda de senso de prioridade e na falta de investimentos em equipes técnicas qualificadas nas prefeituras.

Ele também mencionou a importância de buscar novos meios de captação de recursos, como parcerias junto à usina Itaipu Binacional.

Questão energética e recursos hídricos

Ao abordar a questão energética, Valter destacou os avanços no setor de energia solar. Segundo ele, grandes polos de produção têm se multiplicado em todo o país, impulsionados pelo menor custo da tecnologia.

“Além disso, a geração distribuída vem crescendo, com a instalação de painéis solares em residências, contribuindo para reduzir a pressão sobre o sistema elétrico, em um contexto em que o consumo de energia aumenta constantemente devido ao uso de dispositivos eletrônicos e veículos elétricos”, disse.

Izídio, por usa vez, citou o Distrito Federal como exemplo dos desafios enfrentados na área de recursos hídricos. Ele lembrou que, em 2018, durante o auge da crise hídrica, os reservatórios chegaram a apenas 3% da capacidade.

“Por isso, é essencial conciliar controle inflacionário, investimentos e prazos adequados para projetos e licenciamentos ambientais, além de garantir agilidade nos estudos técnicos necessários para enfrentar crises dessa natureza”, aconselhou.

Marchese também abordou o conceito de cidades inteligentes. Segundo ele, embora o termo seja frequentemente associado apenas à tecnologia, seu significado vai além disso. Para ele, uma cidade inteligente é aquela capaz de transformar recursos em serviços de qualidade para a população, com investimentos que se concretizam em resultados reais e melhorias efetivas na vida urbana.

ESG e sustentabilidade

A pauta ESG foi amplamente debatida por representantes que enfatizaram a importância de incorporar critérios ambientais, sociais e de governança às estratégias da organização.

Durante a discussão, o tema da sustentabilidade ganhou destaque como um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo setor produtivo.

O secretário de Estado de Obras e Infraestrutura do DF, Valter Silveira, chamou a atenção para a necessidade urgente de ampliar o reaproveitamento de materiais, reforçando que a redução do consumo de novos recursos deve ser tratada como prioridade.

De acordo com ele, é fundamental repensar os processos produtivos para torná-los mais eficientes, minimizando desperdícios e promovendo a reutilização sempre que possível.

Ainda segundo Valter, investir em práticas sustentáveis não apenas contribui para a preservação ambiental, como também fortalece a responsabilidade corporativa e a competitividade da empresa no longo prazo.

A adoção de um modelo produtivo mais consciente, baseado na economia circular, foi apontada como um caminho estratégico para alinhar crescimento econômico e compromisso ambiental.

Aperte o play e assista o talk completo:

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