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Minas Gerais chegou ao fim de 2025 vivendo o período mais dinâmico da economia recente. Desde 2019, o estado atraiu mais de R$ 520 bilhões em investimentos privados, com a criação de 289,4 mil empregos diretos e quase mil projetos distribuídos por todas as regiões.
A interiorização dos aportes é um dos pontos centrais desse ciclo. Municípios de todas as regiões — Norte, Jequitinhonha, Triângulo, Sul, Zona da Mata e Centro-Oeste — receberam novos empreendimentos ligados a cadeias estratégicas como energia, mineração, logística, alimentos e automotivo. O movimento ampliou a presença industrial no interior e reforçou vocações regionais até então pouco exploradas.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede), o efeito combinado de novos empreendimentos, expansão de plantas industriais e fortalecimento de setores emergentes, como minerais críticos e energia sustentável, mantém Minas Gerais na liderança nacional em geração de oportunidades e atração de negócios.
Avanço da energia solar e retomada da indústria pesada
O ciclo começa a ganhar força ainda em 2019, quando empreendimentos de grande porte impulsionaram setores estratégicos. A usina da Solatio Energy, em Manga, tornou-se um dos maiores aportes do período, com R$ 19 bilhões e mais de 3,2 mil empregos, consolidando o norte de Minas como polo solar.
Na mineração, a Vale avançou com a expansão da Mina Brucutu — a segunda maior mina de minério de ferro do país, atrás apenas de Carajás (PA) —, um marco da modernização de operações que se repetiria ao longo dos anos seguintes.

Mesmo em 2020, em plena pandemia, o ritmo não desacelerou.
Projetos ligados a minerais críticos ganharam protagonismo, como o da Sigma, em Itinga, que deu início ao atual reposicionamento do Vale do Jequitinhonha na cadeia global de lítio.
Ao mesmo tempo, alimentos, bebidas e embalagens puxaram investimentos que fortaleceram o Triângulo e o Alto Paranaíba.
Projetos bilionários e novos polos produtivos
A partir de 2021, Minas entra definitivamente em curva ascendente. A expansão da Mina Casa de Pedra, da CSN, e a formalização do Complexo Solar Janaúba — hoje a maior usina solar do Brasil — impulsionaram o estado em mineração, energia renovável e infraestrutura.
Na indústria, aportes da Gerdau, da Heineken e o avanço do BWP Business Park, em Extrema, ampliaram a presença de logística e transformação de alto porte no território mineiro.
A diversificação chega com mais força a regiões antes menos integradas ao fluxo de investimentos. A Vale iniciou, em 2023, as operações do Sol do Cerrado, em Jaíba, uma das maiores plantas solares do país, cujas obras geraram 96 empregos diretos e cerca de 3 mil empregos no pico das atividades — quase 50% de mão de obra local, sendo 16% de mulheres.
A Midea, em Pouso Alegre, reforçou o polo eletroeletrônico enquanto projetos da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) ampliaram a transmissão de energia para o norte e nordeste do estado.

O mapa de 2023, segundo a Sede, evidencia a capilaridade do crescimento, com projetos distribuídos em mais de 200 municípios.
A expansão da Eurochem, em Serra do Salitre, e da Farmax, em Divinópolis, reforçou a força de indústrias voltadas a fertilizantes, fármacos e produtos de consumo. Até o turismo entrou na rota de grandes empreendimentos, como o resort de alto padrão da Santa Clara, em Brumadinho.
Em 2024, o setor automotivo reforçou o peso na economia mineira. A Stellantis, em Betim, iniciou um pacote de R$ 14 bilhões em novos produtos e tecnologias enquanto a Usiminas avançou na modernização do alto-forno em Ipatinga.
Na mesma rota, alimentos e bebidas seguem investindo, como a expansão da Usina de Canápolis e os novos aportes da Uberlândia Refrescos, fortalecendo cadeias já consolidadas no estado.
Minas em 2025: minerais críticos e expansão sustentável
Até outubro, Minas formalizou R$ 58 bilhões em investimentos, acompanhados de 50 mil empregos diretos, 251 projetos e presença em 129 municípios.
O ano também foi marcado por indicadores macroeconômicos favoráveis. A taxa de desemprego no estado caiu a 4% no segundo trimestre de 2025 — a menor da série histórica — e manteve-se em 4,1% no trimestre seguinte, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mais do que atrair grandes empresas, o estado conseguiu ampliar vocações locais e fortalecer cadeias já existentes. O setor de minerais críticos, por exemplo, manteve forte avanço com a chegada da M4E Lithium (R$ 2,5 bilhões) e da Axel REE, voltada à produção de terras raras (R$ 400 milhões).
Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que o Vale do Jequitinhonha e o norte de Minas ultrapassaram 944 mil toneladas de lítio em 2024 — quase quatro vezes o volume registrado em 2023.

Liderando o ano, a Comisa avança com a expansão sustentável da Mina do Quéias, em Brumadinho, prevendo R$ 8,6 bilhões e 1,5 mil empregos, enquanto a Cimed amplia o polo farmacêutico em Pouso Alegre.
O movimento consolidado ao longo desses anos mostra que Minas não apenas atraiu capital, mas conseguiu transformá-lo em atividade econômica distribuída, novos polos produtivos e oportunidades em regiões antes pouco exploradas.
Esse ciclo muda a escala do desenvolvimento e amplia a capacidade produtiva do estado. O resultado é um ambiente econômico mais conectado, competitivo e preparado para sustentar novos avanços nos próximos anos.

