Gramado Summit: startups levam inovação com impacto social

Cerca de 23 mil pessoas conheceram muitas novidades durante os três dias de Gramado Summit

Cibele Moreira
Foto colorida dos sócios da Limbx na Gramado Summit - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida dos sócios da Limbx na Gramado Summit - Metrópoles - Foto: Cibele Moreira

atualizado

metropoles.com

Um dos maiores hubs de negócios da América Latina, a Gramado Summit conectou, entre 6 e 8 de maio, empresas, empreendedores, startups, investidores e profissionais de diversas áreas em uma troca rica de experiências e conexões de trabalho.

Com mais de 160 startups presentes, além de empresas consolidadas, o evento apresentou ao público presente o que há de mais inovador no mercado. Entre os expositores, estava a Limbx, uma startup que desenvolve próteses biônicas acessíveis para pessoas amputadas.

CEO e fundador da startup, Natã Vargas conta que a principal missão da empresa é “devolver autonomia para pessoas que passaram por amputações” dos membros superiores, oferecendo uma alternativa nacional às importadas que podem chegar a até R$ 500 mil.

Um dos grandes diferenciais da prótese é o controle fino dos movimentos. O equipamento funciona por sinais elétricos da contração muscular e permite movimentos progressivos, ajustando intensidade e força de forma natural. 

A ideia surgiu em 2023, após Natã assistir a um vídeo de um amputado usando uma prótese sem funcionalidade prática. Ele, então, decidiu unir a expertise da formação de engenheiro de controle e automação e a impressão 3D para criar uma solução mais eficiente e acessível.

A startup cresceu rapidamente, recebeu investimentos da Unimed e da Domo Venture Capital e, atualmente, conta com uma equipe de 10 colaboradores.

Participando pela terceira vez da Gramado Summit, Natã destaca o impacto do evento na construção de conexões e visibilidade.“Acredito muito nesse poder do network.” 

Ele relembra que, após aparecer em um programa de TV durante uma edição do evento, um paciente recém-amputado procurou a empresa para testar a prótese.

A Limbx atualmente possui 17 pacientes utilizando ou testando as próteses, inclusive em ambiente doméstico. A empresa também mantém parcerias com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e com a Santa Casa para estudos clínicos e validação científica.

O próximo desafio é democratizar o acesso financeiro à tecnologia.“A tecnologia a gente já tem. Agora estamos superando a barreira do acesso financeiro. Queremos chegar ao SUS, porque sabemos que tem uma grande parcela da população que não tem condições de pagar uma próteses, mesmo à preço acessível”, ressaltou o médico ortopedista e sócio da Limbx.

Para isso, a startup criou um canal no próprio site para que as pessoas, tanto físicas como jurídicas, possam fazer doações e ajudar essa tecnologia a chegar a mais gente. 

Inclusão

Também nessa linha de inclusão, os universitários Arthur Möller e Josué Schwartzhaupt criaram um protótipo capaz de facilitar a comunicação entre pessoas surdocegas com quem não tem deficiência.

A Speechlink é uma luva assistiva que permite traduzir a linguagem falada para comunicação tátil e vice-versa.

O dispositivo transforma a fala em vibrações na palma da mão, permitindo comunicação em tempo real sem a necessidade de um guia-intérprete.

Segundo eles,“a pessoa surdocega só tem o tato para conseguir realizar essa comunicação”, e a proposta da tecnologia é justamente ampliar autonomia e acessibilidade.

A pesquisa da startup aponta que, no Brasil, a população com surdocegueira é de 40 mil. Pessoas surdocegas são aquelas que têm perda simultânea, parcial ou total, da visão e da audição, comprometendo a comunicação, mobilidade e acesso a informações.

Foto coloriada de uma luva de comunicação tatil, a speechlink - Metrópoles
Luva facilita a comunicação com pessoas surdocegas

Arthur explica que a luva funciona a partir de pontos na palma da mão que representam letras do alfabeto. “Tudo que a gente falar vai ser transformado em vibrações na palma da mão”, explicou.

Assim, letra por letra, o usuário consegue compreender palavras, emoções e mensagens. A comunicação também ocorre no sentido inverso. “Ele consegue digitar na mão dele letra por letra e formar em voz para nós.”

A ideia nasceu ainda no Ensino Médio Técnico, quando os dois estudavam eletrônica na Fundação Liberato, em Novo Hamburgo (RS).

Eles contam que o projeto surgiu da curiosidade em entender “como se comunicar com um surdocego sem ter um guia-intérprete do lado”.

Josué relembra que a motivação também veio da vontade de causar impacto social: “Sempre gostei muito da questão de ajudar alguém, fazer a diferença”.

Foto colorida dos criadores da Speechlink na Gramado Summit - Metrópoles
Arthur Möller e Josué Schwartzhaupt desenvolveram a ideia da Speechlink quando tinham 17 anos

Hoje, a startup ainda está em fase de MVP e incubação, buscando estruturar o modelo de negócio e ampliar o alcance da solução para instituições de ensino, ONGs e órgãos públicos. Os empreendedores também recebem apoio de organizações como Sicredi, Sebrae, Feevale e da própria Fundação Liberato.

Participando do Gramado Summit, eles destacam o impacto positivo da feira para gerar conexões e visibilidade. “O mais legal é ver as pessoas muito curiosas quanto a isso e gostando da iniciativa de ajudar”, afirmou Arthur.

Segundo eles, o evento já abriu portas para contatos com aceleradoras, investidores e mídia.

Gramado Summit

Ao longo de três dias, a Gramado Summit conectou pessoas, apresentou empresas ao mercado, promoveu discussões sobre tecnologia, inovação, negócios, inteligência artificial e a relação humana.  Na 9ª edição, o evento cresce cada vez mais com palestrantes de renome marcando presença. 

Para o CEO e fundador da Gramado Summit, Marcus Rossi, a edição de 2026 foi um grande sucesso tanto em público quanto em impacto econômico e relevância nacional. De acordo com ele, a expectativa inicial era reunir mais de 20 mil pessoas, mas o número deve ultrapassar os 23 mil participantes. 

Há pelo menos quatro anos, Rafael Zanatta, head de inovação do VIB Unimed, frequenta a Gramado Summit. Segundo ele, o evento já faz parte da agenda da organização desde 2022 e se tornou um espaço estratégico para criar conexões e acompanhar tendências.

Rafael destaca que o principal diferencial do evento é a possibilidade de encontros presenciais e trocas mais profundas. “Aqui é o momento de ver olho no olho pessoas que normalmente durante o ano a gente conversa de forma digital.” 

Para ele, o networking vai além do ambiente on-line e fortalece relações profissionais importantes para o dia a dia dos negócios.

Foto colorida da Gramado Summit - Metrópoles

E essas conexões também foram analisadas pelo próprio CEO do evento. Para Marcus Rossi, um dos momentos mais marcantes desta edição foi perceber, na prática, o alcance nacional do evento. “Eu vi gente de Fortaleza, do Pará, de Pernambuco, do Rio de Janeiro”.

Para ele, o objetivo sempre foi posicionar Gramado como referência em inovação para todo o Brasil.

“A gente se propôs desde o início a fazer com que o Brasil inteiro olhasse para Gramado sob uma ótica da inovação.”

Marcus Rossi, CEO e fundador da Gramado Summit

Além do impacto em inovação e negócios, ele destaca a força econômica gerada para a cidade. A expectativa é de que o evento movimente cerca de R$ 120 milhões diretamente na economia local. “Para uma cidade que vive do turismo é muita coisa, ainda mais em um evento de três dias”, avaliou.

E Marcus Rossi já antecipou novidades para 2027. O próximo Gramado Summit será entre os dias 5 e 7 de maio e deve expandir a presença pela cidade. Ele ainda revelou que a próxima edição poderá contar com “pelo menos uma atração fora dos pavilhões do Serra Park”.

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