Especialista automotivo lança manual para reduzir desperdício em concessionárias
Com passagens por Toyota, Honda e Nissan, engenheiro Frank Shimabukuro revela métodos japoneses para melhorar a produtividade

O retrabalho, a ociosidade dos funcionários e a falta de organização dos processos podem comprometer a rentabilidade de oficinas e concessionárias, mesmo quando há demanda por serviços. Esses são alguns dos problemas abordados pelo engenheiro mecânico Frank Shimabukuro no livro Gestão de pós-venda automotiva: guia prático para novos gerentes.
Com mais de 20 anos de experiência no setor automotivo e passagens por empresas como Toyota, Honda e Nissan, Shimabukuro reuniu técnicas de gestão utilizadas pela indústria japonesa para melhorar a produtividade e reduzir desperdícios no atendimento e na manutenção de veículos.
Um dos pontos destacados na publicação é o impacto financeiro do retrabalho. Segundo o autor, a necessidade de refazer um serviço pode gerar custos até três vezes superiores à margem de lucro originalmente prevista, além de ocupar espaços que poderiam ser utilizados em novos atendimentos e prejudicar a relação com os clientes.
O livro também aborda os prejuízos provocados por pequenos atrasos na rotina das oficinas. A falta de ferramentas ao alcance dos funcionários, o deslocamento desnecessário entre setores e o planejamento inadequado dos agendamentos são apontados como fatores que reduzem a capacidade de atendimento.
“A maioria das oficinas não sofre por falta de clientes, mas sim pela ausência de processos bem desenhados. Quando o gestor passa o dia inteiro apagando incêndios, pequenos atrasos diários de dez minutos por técnico destroem o lucro acumulado no mês”, afirma Shimabukuro.
Métodos japoneses aplicados às oficinas
Ao longo de 81 páginas, divididas em oito capítulos, o engenheiro apresenta ferramentas como Kaizen, 5S, Gemba e Sistema Toyota de Produção, utilizadas para identificar falhas e melhorar a eficiência operacional.
Entre as medidas propostas estão a reorganização dos espaços de trabalho, a distribuição mais equilibrada dos serviços ao longo do dia e a adoção de mecanismos visuais para identificar gargalos na operação.
A publicação também apresenta técnicas de investigação das causas de problemas recorrentes, como o método dos Cinco Porquês e o Diagrama de Ishikawa. A proposta é identificar falhas nos processos antes de atribuir a responsabilidade individualmente aos funcionários.
Outro aspecto abordado é a atuação dos gestores diretamente nas oficinas. O método conhecido como Gemba Walk recomenda que os responsáveis pela operação acompanhem a rotina das equipes para identificar dificuldades que nem sempre aparecem nos relatórios administrativos.
Confira algumas das técnicas ensinadas:
- Layout contínuo e fluxo sem zigue-zague: a organização física dos boxes e a
“regra dos 5 passos” para acesso a ferramentas essenciais; - Dimensionamento e ritmo de agenda: técnicas para calibrar horas disponíveis
versus horas vendidas e evitar picos desordenados; - Cultura 5S e gestão visual (Andon): procedimentos claros para manter boxes
limpos e sinalização de gargalos em tempo real; - Resolução definitiva de causa-raiz: ferramentas consagradas (5 Porquês e
Diagrama de Ishikawa) para focar na correção de falhas de processo, e não na culpa
individual de colaboradores; - Liderança no chão de oficina (Gemba Walk): rotinas práticas para o gestor
Além das explicações sobre as metodologias, o livro reúne tabelas de cálculo de produtividade e listas de verificação para aplicação nas rotinas de trabalho. O conteúdo é direcionado principalmente a gerentes recém-promovidos, administradores de concessionárias e proprietários de oficinas.
Formado em engenharia mecânica pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em gestão estratégica pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Shimabukuro atua como consultor na TUNAP e também desenvolve projetos independentes de melhoria de processos no setor automotivo.
- O livro está disponível em formato digital pela plataforma Hotmart e por meio do perfil do autor no Instagram, @frank.shimabukuro.

