atualizado
Embora a quimioterapia ainda seja amplamente utilizada no tratamento de diversos tipos de cânceres¹, novas abordagens terapêuticas têm ampliado as opções disponíveis, como a imunoterapia².
A estratégia auxilia o próprio sistema imunológico do paciente para reconhecer e combater as células tumorais³. No Brasil, sociedades médicas já recomendam a utilização de imunoterapia para diversos tipos de cânceres em diferentes linhas de tratamento⁴.
E esse tratamento poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) graças a um termo de compromisso firmado para o estabelecimento da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) da imunoterapia entre a MSD e o Instituto Butantan.
A imunoterapia
Em comparação aos procedimentos convencionais, a imunoterapia pode apresentar menor toxicidade⁵, preservando melhor as células saudáveis e reduzindo efeitos adversos mais intensos.
Trata-se de uma abordagem que estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, revertendo mecanismos que permitem ao câncer escapar da defesa do organismo.
Diferentemente de terapias que atuam diretamente no tumor, a imunoterapia fortalece a resposta imune, podendo gerar resultados duradouros.
Além disso, pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos, trazendo grande versatilidade no uso clínico⁶.
O cenário do câncer no Brasil
O Brasil deverá registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Os dados, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), confirmam que a doença vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no país, aproximando-se das doenças cardiovasculares⁷.
Ainda segundo o Inca, entre os tipos, o câncer de mama provocou, só em 2020, cerca de 18 mil mortes por ano no Brasil⁸; em mulheres, ele é o mais incidente, com 2,3 milhões de casos⁸.
Já o de colo do útero é esperado, para o triênio de 2026 a 2028, cerca de 20 mortes por dia no país, ocupando a terceira posição entre as causas de morte por câncer na população feminina⁹.
No triênio entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar cerca de 35 mil novos casos de câncer de pulmão por ano⁷. Para o período entre 2026 e 2028, a estimativa é de aproximadamente 11.390 novos casos anuais de câncer de esôfago⁷.
Como participar da consulta pública
O processo de incorporação da nova medicação ao SUS passa, entre outras etapas, por consulta pública.
O instrumento tem a finalidade de subsidiar o processo de tomada de decisão e de edição das normas da administração pública e, para atender aos anseios da população, disponibiliza maneiras de receber a contribuição dos cidadãos.
Após encerrado o período, o governo tem a responsabilidade de analisar e publicar um Relatório de Análise das Contribuições para acesso de todos os cidadãos e, posteriormente, o encaminhamento oficial do resultado.
No caso da incorporação da nova medicação ao SUS, os interessados podem acessar o formulário no site do Ministério da Saúde na seção “Consultas Públicas Abertas”.
Colo do útero: Opine aqui
Mama: Opine aqui
Esôfago: Opine aqui
Pulmão: Opine aqui
Próximos passos
A incorporação dessas inovações ao SUS ainda depende de etapas regulatórias e do tempo necessário para a produção nacional do medicamento.
Na prática, os anúncios representam um avanço estratégico, mas o impacto direto para os pacientes deve ocorrer gradualmente nos próximos anos.
O medicamento ainda precisará passar pelo processo de avaliação e aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A produção ocorrerá em São Paulo, no parque fabril do Instituto Butantan, por meio de transferência de tecnologia com a MSD, processo previsto para ser concluído em até 10 anos.
Referências
1. Oncoguia. Uso da quimioterapia no tratamento do câncer. Página 1
2. PUBMED. Exploring treatment options in cancer. Página 2
3. Pardoll_The blockade of immune checkpoints in cancer immunotherapy. Páginas 1, 4, 6 e 9
4. Diretrizes SBOC 2025 – Colo_do_utero. Página 21 – Diretrizes-SBOC-2025- Mama avancada. Página 23
5. ESMO. Adverse event profile for immunotherapy. Página 2 e 4.
6. Imunoterapia_ o que é e como funciona. Páginas 1, 3 e 7
7. INCA. Estimativa câncer 2026- 2028. Páginas 34 e 64
8. Estimativa INCA 2023. Página 30 e 40
9. Câncer do colo do útero – Instituto Nacional de Câncer – INCA. Página 1.
Cálculo de mortes por dia: 7.493 mortes / 365 dias = 20,5 = aproximadamente 20 mortes por dia
7. INCA. Estimativa câncer 2026-2028. Página 45
7. INCA 2026. Página 66
