Dia Nacional do Campo Limpo: logística reversa avança nos últimos anos
Representantes do segmento destacam avanços do Sistema Campo Limpo na destinação correta de embalagens vazias de defensivos agrícolas

Desde 2002, mais de 902 mil toneladas de embalagens vazias de defensivos agrícolas foram destinadas de modo ambientalmente corretas no Brasil. Em 2025, o Sistema registrou um recorde, com 75.996 toneladas destinadas de forma adequada.
Esses números foram apresentados em evento, promovido nessa segunda -feira, 17 de agosto, em Brasília, para celebrar nesta terça-feira, 18 de agosto, o Dia Nacional do Campo Limpo. A programação reuniu representantes dos diferentes elos envolvidos na logística reversa de embalagens e destacou os avanços do Sistema Campo Limpo, referência mundial no setor.
O Dia Nacional do Campo Limpo existe para celebrar as conquistas desse movimento e reforçar a importância da participação de toda a cadeia para garantir a destinação ambientalmente adequada das embalagens.
Com mais de 24 anos de atuação, o Sistema Campo Limpo reúne agricultores, canais de distribuição, indústria fabricante e poder público em um modelo de responsabilidade compartilhada.
Marcelo Okamura, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), entidade que representa a indústria fabricante, destacou os principais gargalos da logística reversa de embalagens agrícolas.
“A expansão da agricultura, especialmente em direção ao Norte do país, tem levado a produção para regiões cada vez mais distantes das unidades de processamento. Com isso, quanto mais longe o agricultor está dessas estruturas, maior é o desafio para garantir a devolução e a destinação adequada das embalagens”, afirmou.

Ele também informou que, atualmente, cerca de 6% das embalagens são incineradas, 1% reutilizada e 1% coprocessada. No entanto, o inpEV tem um projeto para ampliar a reciclagem e alcançar 100% dessas embalagens a partir de 2028.
Para isso, é fundamental fortalecer o sistema de logística reversa, garantindo que os agricultores façam a devolução das embalagens após o uso e que elas recebam a destinação ambientalmente adequada.
Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV
Okamura ainda destacou que os 25 anos do Sistema Campo Limpo representam um marco na gestão das embalagens de defensivos agrícolas no Brasil.
Antes, os agricultores não tinham uma solução adequada para a destinação desse material. A partir da definição das responsabilidades de cada elo da cadeia pela Lei dos Agrotóxicos, o compromisso conjunto entre fabricantes, agricultores e distribuidores possibilitou a criação e consolidação do sistema de logística reversa.
Okamura lembrou que, no primeiro ano de funcionamento do Sistema Campo Limpo, foram destinadas corretamente cerca de 3,8 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas.
“Hoje, as mais de 902 mil toneladas de embalagens corretamente destinadas representam 32 vezes o aço utilizado na construção do Estádio Mané Garrincha”, exemplificou ele, ponderando que mais de 92% de embalagens são recicladas, índice que, conforme destacou, não é observado em outros lugares do mundo.
O executivo ressaltou ainda que, no ano passado, foi iniciado o coprocessamento de embalagens contamindas, reduzindo as emissões de gases de Efeito Estufa.
A estrutura conta com uma rede nacional de 424 unidades de recebimento, o que amplia a capilaridade da logística reversa e permite alcançar até as propriedades rurais mais distantes do país. A atuação já impactou quase milhões de propriedades rurais.
Além da logística reversa, o programa ampliou o impacto na área de educação. Em 2025, mais de 3,1 milhões de estudantes foram alcançados, com o envolvimento de mais de 15 mil profissionais da educação. No período, participaram 285 mil alunos, 817 professores, 3.200 escolas e 402 municípios de 23 estados.
Como funciona a logística reversa
O processo começa ainda no campo. Após a utilização do item, o produtor rural faz a tríplice lavagem, quando aplicável, inutiliza a embalagem e faz a devolução correta em um posto ou central de recebimento.
A partir daí, os materiais passam por etapas de triagem, separação e prensagem antes de serem encaminhados para a destinação ambientalmente adequada, principalmente a reciclagem.
A participação do produtor rural é fundamental para o funcionamento de toda a cadeia. A devolução correta das embalagens contribui para reduzir impactos ambientais, promover a sustentabilidade no agronegócio, fortalecer a economia circular e incentivar boas práticas no campo.
A iniciativa contribui para aproximar a discussão ambiental das escolas e das comunidades, estimulando a formação de uma cultura de responsabilidade compartilhada e de preservação dos recursos naturais.
Homenagem
Durante o evento, Daniel Carrara, assessor especial da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), foi o primeiro homenageado do encontro, em reconhecimento à atuação e ao compromisso com os agricultores brasileiros.
Também foram homenageados representantes de outros elos essenciais da cadeia de responsabilidade compartilhada: Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), representando as revendas; e Márcio Lopes de Freitas, presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, representando as cooperativas.

De acordo com Daniel Carrara, o trabalho de conscientização foi fundamental desde a criação do inpEV. Ele destacou que teve a oportunidade de participar desse processo, com o desenvolvimento de ações pedagógicas voltadas à educação e orientação dos produtores.

Já Marcos Chaves, presidente do conselho diretor da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), reforçou o compromisso com a agricultura.
“Reconhecemos a relevância do inpEV e do Sistema Campo Limpo, considerando que participamos de cerca de 50% do que chega ao campo. Temos o compromisso de orientar os produtores e viabilizar a devolução correta das embalagens. Nosso empenho é contribuir para a construção de um agro mais consciente e preparado para o futuro”, garantiu.
Representando as cooperativas, Márcio Lopes de Freitas comemorou a honraria, que reconhece um trabalho de grande relevância, e elogiou a atuação do inpEV. “Isso está amadurecendo cada vez mais. O inpEV deixa um legado para todos os brasileiros.”

Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária, frisou a relevância do setor rural para o desenvolvimento do país e a importância da comunicação nesse processo.
Goulart parabenizou os produtores rurais e reforçou a importância de fortalecer o engajamento e o diálogo entre os diferentes elos do setor.

Adalberto Maluf, secretário nacional do Meio Ambiente, apontou o Sistema Campo Limpo como referência em sustentabilidade e economia circular. “Houve avanços nos últimos anos, especialmente na regulamentação do setor de embalagens e na atuação das entidades gestoras.”

Lançamento de tour virtual
Durante o evento, foi exibido um vídeo que apresentou os principais momentos e aprendizados dessa jornada. Entre as atrações, está um tour virtual em 360° sobre a devolução das embalagens, no qual, guiado por um personagem, o visitante acompanha todas as etapas do Sistema Campo Limpo, desde a compra do defensivo agrícola e a devolução da embalagem até a destinação ambientalmente adequada.
A experiência também oferece um treinamento imersivo para quem deseja conhecer melhor o funcionamento do sistema e aprender sobre a importância da logística reversa.
