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Cerca de 90% dos incêndios florestais poderiam ser evitados

Especialistas apontam que a maioria das queimadas em vegetação é provocada por algum tipo de ação humana 

atualizado 20/09/2022 11:04

Nos últimos três meses, o céu de Brasília mudou de cor e, no lugar do azul tão característico, a paisagem da cidade ficou acinzentada devido à massa de ar seco aliada com a fumaça dos incêndios que tendem a aumentar nessa época do ano. Um clima bem típico da seca brasiliense. 

Nesse período, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal chegou a atender 1.606 chamados de fogo em vegetação. Com um aumento de 83,5% das ocorrências de junho para agosto, passando de 383 para 703 no último mês. 

De maneira geral, o Cerrado é o bioma que mais sofre com as queimadas na temporada de estiagem. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apenas em junho foram contabilizados 3.578 focos de calor nas regiões com esse tipo de vegetação — superando as incidências de toda a série histórica. No acumulado do primeiro semestre, foram 10.869 ocorrências, o maior volume desde 2010, quando houve 12.740 incêndios. 

Especialistas e representantes de órgãos de fiscalização apontam que mais de 90% das queimadas florestais são causadas por algum tipo de ação humana. O ato de jogar bituca de cigarro na mata ou de queimar lixo em área verde por exemplo pode desencadear um incêndio de grandes proporções. Isso porque a baixa umidade do ar aliada às altas temperaturas climáticas são grandes combustíveis para o fogo. 

Ambientalistas explicam que, durante a seca, é raro a incidência de incêndios por causas naturais, pois a maioria desses fenômenos ocorre por descarga elétrica de tempestades no período chuvoso.

Provocar queimadas é crime, sujeito a multa e prisão. Qualquer pessoa pode denunciar o ato ilícito pelo número de emergência 193. 

Ocorrências

Entre as queimadas que mais chamaram a atenção dos brasilienses nos últimos meses está a do setor de chácaras do Jardim Botânico, que ocorreu em julho. O fogo consumiu 2 hectares de vegetação, pomares e até um carro que estava estacionado. 

Em agosto, um incêndio na Floresta Nacional de Brasília queimou 13 hectares da reserva, ameaçando inclusive quiosques próximos ao local. As chamas consumiram a vegetação na altura do cemitério de Taguatinga Norte e do Setor H Norte, perto da BR-070. Poucos dias depois, a região voltou a ser atingida pelo fogo próximo à Estrutural. A fumaça do incêndio era visível em vários pontos do DF. 

Na primeira quinzena de setembro, o Parque Nacional de Brasília também sofreu com três grandes focos de queimadas. O primeiro incêndio ocorreu na primeira segunda-feira do mês (5/9) e queimou 3.855,32 hectares da área de conservação. Uma semana depois (12/9), a região foi atingida com o segundo foco, que destruiu 237,43 ha. 

E em 14 de setembro, dia em que o Distrito Federal bateu o recorde de temperatura do ano, com 35,2 °C, o Parque Nacional foi atingido mais uma vez com fogo na vegetação, dessa vez consumindo 3,5 mil hectares. Apenas neste mês, as queimadas na unidade de conservação destruíram o equivalente à área total do Lago Sul. 

Apesar das chuvas, riscos continuam

Após 131 dias de estiagem, o Distrito Federal voltou a registrar chuvas. As primeiras precipitações ocorreram nos dias 16 e 17 de setembro, em pontos isolados. O momento foi comemorado pelos brasilienses e amenizou a umidade do ar na capital. 

No entanto, apesar do refresco, meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explicam que a massa de ar seco deve continuar até outubro. A previsão para os próximos dias é de clima quente, com a umidade relativa do ar variando abaixo dos 30% e possibilidade de pancadas de chuvas em pontos isolados.

Os riscos de novos focos de incêndio continuam. Por isso, a atenção e os cuidados para a prevenção de queimadas devem ser mantidos. Como, por exemplo, evitar fazer fogueira em área verde, não colocar fogo em lixo ou resto de poda, não jogar bituca de cigarro em rodovias ou em vegetação. 

Todo o prejuízo causado pelas queimadas também se volta para o próprio homem, inclusive em questões de saúde, já que a fumaça do fogo é extremamente tóxica para o organismo. Nesta época do ano, crescem as ocorrências de problemas respiratórios, de pele e de mucosas. Os idosos e as crianças são os que sofrem mais. 

Denuncie 

Em caso de queimada, ligue 193