Brasil entrega 13 botijões de gás por segundo. Como?

Décadas de infraestrutura logística sustentam o programa Gás do Povo — e agora estão no centro de um debate que pode redesenhar o setor

Hugo Barreto/ Metrópoles
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atualizado

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O Brasil entrega cerca de 13 botijões de gás por segundo. Essa cadência só é possível porque o país construiu, ao longo de décadas, uma ampla infraestrutura de distribuição de GLP, presente em todos os municípios, com cerca de 59 mil revendas autorizadas operando de forma integrada.

É essa estrutura que viabiliza, na prática, programas como o Gás do Povo, sancionado neste ano. O benefício prevê gratuidade da recarga para mais de 15 milhões de famílias, o equivalente a cerca de 50 milhões de brasileiros.

Em vez de criar uma nova logística estatal do zero, o programa se apoia em uma rede já instalada, com capilaridade nacional e capacidade de atender rapidamente diferentes regiões do país.

Além da escala, o modelo brasileiro se diferencia pelo controle técnico da cadeia. Cada botijão está vinculado a uma empresa responsável pela envase, manutenção e requalificação. Mensalmente, cerca de 1,9 milhão de recipientes passam por processos de inspeção e requalificação técnica.

 

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“A marca em alto relevo da empresa distribuidora é o único elemento que identifica a origem do produto”, explica Claudia Viegas, doutora em Economia pela FEA-USP e sócia da Ecoa Consultoria Econômica.

Segundo a especialista, essa identificação física assegura a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, permitindo identificar qual empresa responde pela manutenção e pelos protocolos de segurança de cada recipiente.

O setor acompanha discussões regulatórias em andamento, especialmente sobre modelos alternativos de enchimento e comercialização do GLP. Hoje, o envase está concentrado em 19 empresas autorizadas, responsáveis pela rastreabilidade dos recipientes ao longo da cadeia.

Propostas em discussão permitiriam que qualquer um possa operar o enchimento. Segundo estudos técnicos apresentados no processo, a mudança exigiria uma capacidade de fiscalização que contrasta com a queda de 18% nas ações fiscalizatórias do órgão regulador registrada entre 2023 e 2024.

A força do modelo atual está justamente na combinação entre infraestrutura consolidada e política pública. Trata-se de uma estrutura construída ao longo de décadas, com presença em todo o país, protocolos padronizados e capacidade de distribuição em escala nacional.

Na prática, é essa operação, invisível para a maioria dos consumidores, que transforma uma política pública em gás disponível dentro de casa.

Sindigás

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