Brasil vive uma virada histórica na mobilidade elétrica

País acelera revolução dos carros elétricos e se torna polo estratégico da nova mobilidade e da inovação automotiva

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1 de 1 nova-era-dos-veiculos-o-futuro-da-mobilidade-no-brasil - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

atualizado

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A transformação da mobilidade no Brasil já começou e passa por inovação, sustentabilidade e tecnologia. Impulsionado pelo avanço dos veículos elétricos, híbridos e autônomos, além da digitalização dos transportes e das novas formas de consumo, o setor automotivo vive uma das maiores revoluções da história.

Montadoras ampliam investimentos, governos discutem políticas de incentivo e consumidores passam a buscar alternativas mais econômicas e sustentáveis para se locomover.

Nesse cenário, o país entra em uma nova era dos veículos, marcada pela modernização da indústria e pela redefinição da forma como os brasileiros se deslocam nas cidades e nas estradas.

Diante desse contexto, nessa quarta-feira, 13 de maio, o talk “Nova Era dos Veículos — o Futuro da Mobilidade no Brasil” trouxe discussões acaloradas sobre os desafios do setor.

Para começar o debate, o primeiro painel, “Mobilidade, neoindustrialização e a consolidação do futuro brasileiro — Como a política industrial está reposicionando o Brasil na nova era da mobilidade e da inovação”, reuniu Marcus Cavalcanti, secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil; Pablo Toledo, diretor de branding e comunicação da BYD; e Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

De acordo com Pablo Toledo, o Brasil possui fontes de energia abundantes, como a solar, a eólica e a hidrelétrica, o que torna a matriz energética do país extremamente rica, apesar dos desafios de distribuição.

“O consumidor brasileiro sempre demonstrou grande interesse por produtos tecnológicos com preços acessíveis. Esse cenário fez com que a BYD voltasse os olhos para o Brasil, oferecendo, na nossa visão, um produto de alta tecnologia, inovador e com possibilidade de preço acessível. Esse foi o plano estratégico para posicionar a marca no mercado brasileiro.”

Pablo Toledo, diretor de branding e comunicação da BYD
Pablo Toledo destacou que o interesse do consumidor brasileiro por tecnologia acessível foi decisivo para a estratégia da BYD no país

Já Ricardo Bastos explicou que, com a transformação pela qual a indústria da mobilidade está passando, a eletrificação é a parte mais importante desse processo, mas há muito mais mudanças vindo junto a ela.

Novas empresas estão chegando ao mercado, trazendo tecnologia e inovação para um setor que sempre foi muito forte.

“A eletrificação alcança diversos segmentos, como patinetes e bicicletas elétricas, ampliando as possibilidades de mobilidade”, assegurou. “Além disso, surgem oportunidades no mercado de recarga, e a grande inovação de tudo isso é a possibilidade de carregar o veículo em casa.”

Quanto a Marcus Cavalcanti, ele afirmou que o Brasil voltou a ser um dos países que mais atraem investimentos internacionais, tanto da Ásia quanto da Europa. Nesse contexto, empresas como a BYD e a GWM não vieram ao Brasil apenas porque enxergaram um mercado consumidor, mas porque encontraram um país que transmitiu confiança e adotou políticas de atração de investimentos.

“Conseguimos pacificar discussões relacionadas aos incentivos industriais, especialmente no caso de Pernambuco, garantindo que o estado mantivesse permissões e benefícios regionais já existentes. A partir desse acordo, possibilitamos a atração de um gigante como a BYD para se instalar no Brasil, com a condição de que a isenção de impostos fosse concedida à medida que a planta industrial fosse implantada.”

Marcus Cavalcanti, secretário especial do PPI da Casa Civil

Ainda segundo ele, esse novo momento da indústria automotiva brasileira abriu espaço para diversos fabricantes, como Mitsubishi, Caoa e Hyundai, além de contribuir com a redução dos preços dos veículos fabricados no Brasil.

Marcus Cavalcanti afirmou que os acordos sobre incentivos industriais foram fundamentais para atrair a BYD ao Brasil

A fábrica da BYD em Camaçari (BA) deverá ter capacidade para produzir até 600 mil veículos por ano e se consolidar como um hub de exportação para toda a América do Sul, segundo Toledo. De acordo com ele, já há encomendas previstas para o envio de 50 mil veículos ao México e outros 50 mil à Argentina.

Com isso, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica na operação da montadora chinesa. Além da produção industrial, o plano inclui a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento na Bahia, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na avaliação da empresa, a relação da China com o Brasil entra em uma nova fase: mais do que exportar veículos prontos, o objetivo agora é transferir conhecimento, tecnologia e know-how para a produção de carros tecnológicos e desenvolvimento de inovação no país.

Mercado brasileiro da eletromibilidade

Há cerca de três anos, os carros atingiram preços muito elevados no Brasil. Com a chegada das montadoras chinesas, o mercado passou a receber veículos com mais tecnologia e melhor nível de equipamentos, não apenas em relação à motorização, mas também em itens de conforto e segurança.

Segundo Ricardo Bastos, trata-se de uma cultura industrial chinesa baseada na produção em escala, o que permitiu oferecer carros mais completos com preços mais equilibrados.

Para ele, o impacto da eletrificação já é percebido diretamente pelo consumidor, tanto no bolso quanto na evolução tecnológica dos veículos, pressionando toda a indústria automotiva a modernizar-se. Ele cita como exemplo itens de segurança, como câmeras 360 graus, que ajudam a evitar pequenos acidentes e reduzem custos com reparos.

“Os carros hoje têm uma série de recursos que tornam a experiência mais segura e eficiente.”

Ricardo Bastos, presidente da ABVE
Ricardo Bastos ressaltou os benefícios ambientais dos veículos elétricos, destacando que eles não emitem poluentes durante o uso

Pablo Toledo afirmou que, ao longo do último ano, a BYD intensificou a comunicação sobre os veículos híbridos e elétricos. Segundo ele, fatores como a guerra internacional e a alta nos preços da gasolina e do diesel impulsionaram significativamente a procura por modelos eletrificados, como o BYD Dolphin Mini.

“O crescimento foi surpreendente, e o mercado precisa responder a isso, assim como a própria BYD”, frisou. Toledo reconheceu que o pós-venda da marca ainda precisa evoluir para acompanhar o ritmo da demanda e atender melhor os consumidores.

Ele destacou ainda que os motoristas de aplicativo foram os primeiros a perceber as vantagens econômicas dos veículos eletrificados, tornando-se os principais influenciadores desse movimento no mercado brasileiro.

Competitividade

Marcus Cavalcanti garantiu que cerca de 50% da energia do Brasil é renovável e que a eletrificação pode ser vista como uma decisão geopolítica com autossuficiência. “Importamos cerca de um milhão de barris por dia de petróleo, além de 20% do nosso diesel.”

Contudo, conforme Cavalcanti, o avanço do setor também depende da criação de uma política nacional de infraestrutura de recarga, com a implantação de corredores elétricos, definição de prioridades e coordenação de ações estratégicas.

Ele destacou que o tema já vem sendo debatido dentro do governo, inclusive em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), para definir padrões a serem adotados no país. “Já avançamos bastante, e existe espaço dentro do governo para aprofundar essa discussão.”

Marcus Cavalcanti ainda reforçou que a eletrificação está mudando o próprio conceito de utilização dos veículos. Segundo ele, a discussão sobre autonomia ainda faz parte de um processo de adaptação dos consumidores a uma nova realidade.

“Hoje já existem veículos com autonomia média de 400 quilômetros por carga, além de modelos híbridos que ultrapassam os mil quilômetros, suprindo praticamente qualquer necessidade de deslocamento”, afirmou.

O secretário ressaltou também que o país deverá avançar na expansão de postos de carregamento e infraestrutura de recarga nos próximos anos, acompanhando a transformação do setor automotivo.

Transformação

Ricardo Bastos afirmou que a indústria automobilística brasileira atravessava um período de defasagem tecnológica antes da chegada mais forte da eletrificação. Segundo ele, o mercado estava acomodado a práticas pouco inovadoras, cenário que começou a mudar com a entrada de novas tecnologias e fabricantes.

“O avanço chinês aconteceu de forma muito rápida, principalmente no domínio de tecnologias ligadas à qualidade e durabilidade das baterias”, explicou. Para ele, o consumidor brasileiro, cada vez mais exigente, tende a favorecer empresas que conseguirem se transformar e inovar.

Ricardo também ressaltou que a transformação não ficará restrita aos automóveis de passeio, mas deve alcançar todo o sistema de transporte, incluindo ônibus e transporte de cargas. Ele citou São Paulo como exemplo, destacando que a capital já possui mais de 1.400 ônibus elétricos em circulação.

Marcus Cavalcanti ponderou que a eletrificação não significa o fim da indústria do petróleo, mas representa uma importante transição energética, especialmente no Brasil, que possui uma matriz elétrica majoritariamente limpa.

Assista o talk completo:

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