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As apostas on-line são as verdadeiras vilãs do endividamento no Brasil? Um estudo recente da LCA Consultoria acende o debate ao revelar que as bets representam apenas 0,46% do consumo das famílias no PIB. Para André Gelfi, diretor, conselheiro e cofundador do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), o setor virou um “bode expiatório”. Na entrevista a seguir, o executivo traz dados que convidam o público à racionalidade sobre o real impacto do mercado de jogos.

O estudo da LCA trouxe luz ao debate sobre o impacto das apostas no orçamento das famílias. Qual a conclusão do IBJR sobre esses dados?
O estudo é fundamental para desmistificar a ideia de que o setor está drenando a economia brasileira de forma descontrolada. No IBJR, enxergamos a saúde econômica do usuário como o caminho para a sustentabilidade do nosso negócio.
Os dados da LCA revelam que o gasto com apostas representa apenas 0,46% do consumo das famílias, ou R$ 37 bilhões por ano, equivalente ao gasto com bebidas alcoólicas (R$ 40,5 bilhões) e cerca de um quarto do gasto com celulares e acessórios (R$ 152 bilhões).
O endividamento estrutural do brasileiro é fruto de juros do cartão que, muitas vezes, superam 450%; e não do entretenimento, que é onde se enquadram as apostas.
O varejo tem expressado preocupação com a fuga de consumo para as bets. O estudo da LCA corrobora essa tese?
Na verdade, o estudo indica que o impacto no consumo de bens não duráveis é marginal. A retração no varejo está muito mais ligada às taxas de juros e ao endividamento com o crédito rotativo. O que vemos é uma redistribuição da verba de entretenimento: o brasileiro está escolhendo como gastar seu tempo livre e as apostas entraram nesse mix.
Atribuir a crise do varejo às bets é uma simplificação que ignora variáveis macroeconômicas. O que me parece é que as apostas se tornaram o “bode expiatório” da vez.
Qual o papel da regulamentação para mitigar riscos de endividamento?
A regulamentação é o nosso maior trunfo. Trouxe diversas obrigações às operadoras legais, como a proibição do uso de cartões de crédito, limite de gastos e de tempo, monitoramento, identificação de perfis de risco e mecanismos de autoexclusão.
Tivemos que investir em ferramentas de Jogo Responsável e transparência de dados.
Quais os perigos que as bets ilegais trazem ao consumidor?
O mercado ilegal não segue regras, não possui mecanismos de Jogo Responsável, não paga impostos e não oferece proteção ao usuário. Permitir que ele continue drenando a renda da população é um contrassenso ao objetivo do governo de desonerar as famílias.
As restrições que vêm sendo impostas ao setor regulamentado podem estimular a migração para as plataformas clandestinas, que movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano.
O combate ao ilegal garante que o entretenimento não se torne um ralo financeiro sem controle.
Que mensagem o IBJR deixa para o apostador diante desses dados?
De conscientização. O jogo deve ser visto como diversão, nunca como investimento ou solução financeira.
O IBJR reforça que se o consumidor quiser apostar, que ele procure sempre por uma bet regulamentada pelo Governo Federal, que termina em .bet.br.
Na dúvida acesse o site www.betalert.com.br.
