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Inaugurado no fim de outubro, quando Belém (PA) já respirava de forma mais intensa os ares da COP30, o Centro Cultural Banco da Amazônia viveu dias intensos ao longo do período em que a capital do país foi transferida simbolicamente para a região Norte.
“Inauguramos o Centro Cultural da Amazônia não apenas para termos um espaço qualificado de exibição dos nossos artistas. Mas, porque temos convicção de que a arte é o melhor caminho para pensar e buscar solução para os problemas do mundo”, explicou o CEO do Banco, Luiz Lessa.
Localizado em frente ao Theatro da Paz, o centro é um investimento de R$ 20 milhões espalhado em um complexo de 4 mil metros quadrados.

Essa fusão entre arte, cultura e sustentabilidade foi destacada pela ministra Margareth Menezes, no dia 12 deste mês, em um dos eventos da conferência com a presença de artistas e ativistas climáticos. “Essa é a primeira vez que a cultura integra as narrativas da Agenda de Ação como uma iniciativa importante para expandir e mobilizar. Isso é importante, pois a cultura possui poder de mobilização. Sabemos que ele é imenso.”
E esse poder de mobilização foi posto em prática de diversas maneiras.
Uma delas, por intermédio da primeira ação itinerante, impulsionada por uma estrela local de dimensão nacional e internacional: Dira Paes. O filme “Pasárgada”, dirigido e roteirizado pela artista, foi exibido em um cinema a céu aberto na Comunidade do Furo do Piriquitaquara, na Ilha do Combu, dando oportunidade para que pessoas que nunca tinham assistido um filme pudessem se maravilhar com a sétima arte em uma produção inspirada no poema “Vou-me embora para Pasárgada”, de Manuel Bandeira.
Celebração da arte
A sede do Centro Cultural também proporcionou um mergulho dos visitantes no espírito que norteou os debates da COP30. E com um ingrediente a mais: o local foi incluído no projeto “Uma Noite no Museu”, que promove visitas especiais durante o período noturno para que as pessoas possam apreciar obras diversas nos espaços culturais que compõem o Sistema Integrado de Museus e Memoriais.
“A ideia foi surpreender os visitantes desde o início, do momento em que ele se depara com nossa fachada até o instante em que ele admira a última obra exposta”, explicou a gerente de Marketing e Comunicação, Ruth Helena Lima.
Para que isso se tornasse possível, a fachada foi transformada na primeira galeria de arte urbana da cidade, projetando obras visuais que celebram a vanguarda artística da região.
Adentrar no Centro é como cruzar um pórtico imersivo. A entrada foi preenchida por duas instalações. Banzeiro, da artista Roberta Carvalho, representa um mergulho imersivo em um túnel onde se projetam imagens dos rios amazônicos em diálogo com sons e palavras, proporcionando uma experiência sensorial que conecta arte, natureza e linguagem.
Logo ao lado os visitantes se deparam com a instalação da artista visual e poeta Keyla Sobral, com curadoria de Orlando Maneschy. Se a mostra Banzeiro é imagética, essa é mais concreta em termos de linguagem. São uma sequência e coletânea de frases-poema que expressam sonhos e esperanças para o futuro da Amazônia, convidando à reflexão sobre diversidade e coletividade.
Vencida essa fase, no espaço interno, sucedem-se três exposições distintas, mas que se conectam com espírito geral de pensar o mundo. “Mandela: Ícone Mundial de Reconciliação”, uma exposição inédita com 50 painéis fotográficos e uma instalação audiovisual que retratam a trajetória do líder sul-africano.
“É bom lembrar que Mandela viveu em uma época em que os debates climáticos não existiam da maneira intensa como se vê hoje. Mas, ele estava à frente do seu tempo ao defender que todos os homens, independentemente de raça, precisavam estar unidos para construir um mundo melhor”, destacou o CEO Luiz Lessa.
As outras duas exposições têm uma conexão mais direta com o tema da Conferência Climática em si: “Habitar a Floresta”, traz 14 projetos arquitetônicos inspirados nos saberes ancestrais de povos tradicionais da Amazônia e da América Latina; e “Clima: O Novo Anormal”, que une arte e ciência para abordar a crise climática global.
“A COP30 se encerrou oficialmente. Mas, o legado dela do ponto de vista cultural e o compromisso do banco em promover a cultura como instrumento de conscientização permanecem”, assegurou Ruth.

Economia circular e brega para arrochar
O último dia do Pavilhão do Banco da Amazônia na Green Zone da COP30 foi totalmente dedicado a um olhar para fora da instituição. O primeiro painel debateu o patrimônio histórico e a valorização dos espaços de cultura e negócios nos bairros da Cidade Velha, Campina e Comércio de Belém.
Depois foram apresentados os desafios e conquistas da indústria criativa e da economia circular na montagem, manutenção e financiamento de espaços de arte, cultura e museus.
Tão importante atualmente, o debate da economia circular tem como meta infundir na consciência de pessoas e empresas a importância do reaproveitamento de materiais e resíduos.
“E nada mais convincente para estimular esse debate do que mostrar como a arte – que tem o dom e a mágica de reciclar e lançar ideias, conceitos e propostas ousadas e inovadoras – reaproveita o que já existiu e transforma em algo que ainda não havia sido pensado”, completou Ruth Helena.
Se a proposta era ver o mundo a partir de Belém, nada mais sensato do que encerrar a COP com uma apresentação musical para deixar todos com saudade e desejo de voltar o mais breve possível. No palco? A banda Vingadores do Brega, com os músicos vestidos de super-heróis e cantando sucessos nacionais e internacionais.

