Arena Mané Garrincha coloca Brasília na rota dos grandes eventos nacionais
Complexo amplia em 500% a quantidade de eventos realizados por ano e une experiências voltadas para o entretenimento, esporte e negócios

Seja para acompanhar um artista favorito ou o time de futebol do coração, Brasília tem recebido cada vez mais turistas de outros estados que vem para se divertir em um evento na capital. E o principal espaço voltado para iniciativas com grandes públicos é a Arena Mané Garrincha.
Entre 2015 e 2025, o número de eventos pagos realizados no local passou de 30 para mais de 180, segundo dados institucionais. No último ano, a Arena Mané Garrincha e o Ginásio Nilson Nelson registraram, juntos, 1,6 milhão de pessoas em circulação.
Essa crescente de público vem acompanhando a mudança do próprio empreendimento que ampliou a atuação para além do futebol e tem se consolidado como o principal espaço de grandes eventos em Brasília.
Da arena esportiva ao complexo multiuso
Inaugurado em 1974 como Estádio Governador Hélio Prates da Silveira, o local recebeu o nome de Mané Garrincha na década de 1980 em homenagem ao jogador de futebol Manoel Francisco dos Santos, conhecido como Garrincha. O atleta foi bicampeão mundial com a Seleção Brasileira em 1958 e 1962 e, com apoio popular após seu falecimento, o estádio mudou de nome.
Em 2011, no entanto, a estrutura original foi implodida e o local foi reinaugurado em 2013. Após a reforma, o estádio ganhou projeção internacional ao receber eventos como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e partidas dos Jogos Olímpicos de 2016.
Outro marco ocorreu em 2019, com a concessão do espaço por 35 anos. De acordo com os dados institucionais, a mudança de gestão contribuiu para ampliar a programação e diversificar as fontes de receita.
A estratégia passou a incluir atividades que funcionam para além dos dias de grandes espetáculos. O complexo reúne operações como o Mané Mercado, a Esfera, espaços de hospitalidade, áreas esportivas e iniciativas de entretenimento.
“A nossa proposta é combinar eventos nacionais, internacionais e de diferentes portes com atividades comerciais, gastronômicas, corporativas e esportivas, mantendo a circulação de pessoas ao longo do ano. Nos últimos quatro anos, mais de 7 milhões de pessoas circularam pelo complexo e mais de 700 eventos foram realizados”, afirma Richard Dubois, presidente da concessionária Arena 360, que administra o complexo.
Impacto no turismo local
Entre os artistas internacionais que passaram pela Arena Mané Garrincha estão Bruno Mars, Red Hot Chili Peppers, Katy Perry, Imagine Dragons, Guns N’ Roses, Kiss, The Killers e Linkin Park.
Esses shows movimentaram a cidade, tanto pelo público local como o de fora. No show do Red Hot Chili Peppers, que ocorreu em novembro de 2023, cerca de 38% do público era de pessoas vindas de 16 estados brasileiros. Já no show do cantor americano Bruno Mars, cerca de 40% do público nos dois dias de apresentações eram oriundos de outros locais, com destaque para Goiás e Minas Gerais.
Nas grandes competições esportivas, também foi notado um alto volume de turistas na cidade, como nas partidas da Seleção Brasileira. No confronto entre Brasil e Peru, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em outubro de 2024, foram registrados 70.625 ingressos, com a presença de pessoas de todos os estados brasileiros.
De acordo com o presidente do Sindieventos e da Câmara de Turismo, Luis Otávio Neves, o turismo proveniente dos eventos impacta diretamente 52 atividades econômicas.
“Brasília tem uma característica diferente na área de turismo, com atrativos cívicos e arquitetônicos. Mas o que ajuda mesmo a encher os hotéis na cidade, são os eventos de grande porte”, aponta Luis Otávio.
Para ele, os shows internacionais têm um apelo maior do que os artistas nacionais, pela escassez de locais presentes na turnê. “Isso faz com que o público de outras cidades venham para cá. E essa turma também quer conhecer a capital”, destaca.
Esses visitantes geram uma demanda direta por hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços.

Os shows de artistas nacionais e as competições esportivas também têm um impacto bastante positivo. De acordo com o presidente do Sindieventos, a tendência é aumentar cada vez mais a participação de turistas nos eventos na capital.
Esse potencial está alinhado à estratégia da Secretaria de Turismo do DF de consolidar Brasília como destino de grandes eventos e ampliar os benefícios da atividade turística para a economia local.
Os indicadores gerais mostram a dimensão desse mercado. Em 2025, o setor registrou arrecadação superior a R$ 90 milhões no Imposto Sobre Serviços (ISS) e saldo positivo de 3.306 postos formais de trabalho.
Também houve um crescimento de 75,6% no fluxo internacional entre janeiro e setembro, em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados da Setur-DF.
2026: um ano de múltiplas modalidades
Em 2026, o complexo manteve o ritmo de crescimento e ampliou a agenda. Até o início de novembro, os eventos realizados na Arena Mané Garrincha e no Ginásio Nilson Nelson já haviam reunido mais de 1 milhão de pessoas.
“O futebol abriu a nossa temporada em grande estilo. A Supercopa do Brasil, em 1º de fevereiro, levou 71.244 torcedores ao estádio, o maior público de futebol da Arena desde a reinauguração. Ao longo do ano, também recebemos a final do Candangão, com 43.385 pessoas, além de partidas nacionais e amistosos como Flamengo x Olimpia, do Paraguai, que reuniu 52.639 torcedores. Somos a casa de todos os times e estamos nos preparando para fechar o ano com mais uma competição histórica: a primeira final única da Copa do Brasil”, afirma Paulo Sergio Hoff, CEO da Arena Mané Garrincha.
No Ginásio Nilson Nelson, o destaque foram as competições internacionais: Brasília sediou etapas da Liga das Nações de Vôlei (VNL), feminina e masculina, o Campeonato Sul-Americano de Basquete e o confronto entre Brasil e República Dominicana. Nos playoffs do NBB, o Caixa Brasília Basquete chegou a levar mais de 12 mil pessoas ao ginásio contra o Flamengo.
Na música, o palco recebeu nomes como Djavan, Henrique e Juliano, que reuniu quase 50 mil pessoas, Luan Santana, Zé Neto e Cristiano e os Ensaios da Anitta, além de festivais como Rock Saloon, Micarê, Porão do Rock e Meskla.
E a agenda segue intensa até o fim do ano. Em 14 de novembro, o Menos é Mais, grupo de pagode nascido em Brasília e hoje um dos maiores fenômenos da música brasileira, grava seu novo DVD no gramado da Arena. No dia 28, é a vez de Mari Fernandez gravar seu DVD no Nilson Nelson. Em dezembro, o estádio entra para a história ao receber, pela primeira vez, a final da Copa do Brasil em jogo único, formato inédito no país.
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Perspectivas para 2027
Para 2027, essa movimentação crescerá ainda mais. Brasília está confirmada entre as oito cidades-sede da Copa do Mundo Feminina da FIFA, com pelo menos sete partidas previstas no Estádio Mané Garrincha, incluindo o jogo da Seleção Brasileira em 4 de julho.
De acordo com a Setur-DF, um estudo elaborado pela FGV Projetos, a pedido da Embratur, estima-se que a competição poderá movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira, com a geração de aproximadamente 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
A projeção é nacional e não representa uma estimativa específica para Brasília. Ainda assim, indica a dimensão econômica potencial da competição e as oportunidades que podem surgir para as cidades-sede.
Segundo a Secretaria de Turismo do DF, o desafio é transformar a chegada de visitantes em movimentação econômica, ampliar o tempo de permanência dos turistas e apresentar Brasília a novos públicos nacionais e internacionais.
















