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Dia desses me deparei com algo que minha mente jovem achou que ainda estava a anos luz de se materializar (por mais irracional que essa constatação parecesse): um enorme fio de cabelo branco.
Depois do choque inicial, e o autoconvencimento de que aquele seria apenas um evento isolado, aceitei a realidade imutável do envelhecimento. Pois é. No auge dos meus 35 anos, entendi que uma mente jovem e vida ativa certamente contribuem para uma melhor qualidade de vida, mas não são capazes de eliminar os cabelos brancos – tampouco as responsabilidades e necessidades que tenho certeza de que chegarão muito antes do que eu julgava fazer sentido diante de meu estado de espírito, como a aposentadoria.
Não me leve a mal, prezado(a) leitor(a). Tenho consciência de que estou ainda muito longe do momento de “largar as chuteiras” e desacelerar a vida profissional. Dito isso, que melhor momento para se planejar e controlar aquilo que está ao nosso alcance se não aquele que escancare tudo o que não está em nosso controle?
Sim. Pensar na aposentadoria pode até parecer tão distante quanto me parece hoje uma cabeleira toda branca. Porém, te garanto: quanto antes você começar a preparar-se, maiores as chances de sua maior preocupação ser a tintura para cabelos brancos, e não os boletos a acumular-se. E aqui vai o grande segredo: você não precisa ser expert para começar. Basta começar do começo, manter a consistência e disciplina, e deixar o tempo trabalhar por você.
De grão em grão…chega-se ao milhão!
Conforme demonstramos nesse relatório recente, enriquecer não é o que muitos pensam ser – rápido, mágico. Criar um patrimônio para o longo prazo – para o seu “eu de cabelos todos brancos – é um processo. Não há fórmula mágica ou atalhos milagrosos. O que funciona mesmo é ter constância, revisar a rota de tempos em tempos e seguir firme, mesmo quando o caminho parecer longo.
Uma estratégia bem prática é estabelecer metas intermediárias ao invés de focar apenas em um grande objetivo de longuíssimo prazo. Por exemplo, em vez de pensar em atingir R$ 1 milhão em 30 anos, comece mirando nos primeiros R$ 100 mil. Isso torna a jornada menos assustadora, além de mais gratificante.
Conforme as etapas intermediárias vão sendo atingidas, maior a sensação de conquista, e maior a vontade de seguir – criando um processo positivo que se retroalimenta. Mas, para isso, é preciso dar o primeiro passo.
Onde dar o primeiro passo?
Quando falamos de aposentadoria, é importante destacar que uma carteira diversificada de longo prazo é também o melhor caminho. Dito isso, há veículos que facilitam esse processo, especialmente para aqueles que preferem separar “potinhos de patrimônio” para cada objetivo.
Os títulos públicos como Tesouro IPCA+ e Tesouro RendA+ podem ser boas alternativas para quem mira certa praticidade nessa etapa da vida. Eles protegem seu dinheiro da inflação e, no caso do RendA+, você ainda pode programar para receber uma renda mensal lá na frente, como uma espécie de salário para quando você parar de trabalhar.
Há ainda o tradicional veículo da previdência privada, nos formatos PGBL ou VGBL. Além de vantagens no Imposto de Renda, esse tipo de veículo de investimento te permite ir ajustando o nível de risco ao longo do tempo: começar mais sofisticado, por exemplo, e ir ajustando para alternativas mais conservadoras conforme a idade da aposentadoria se aproxima.
Isso é possível por conta da portabilidade – característica única da previdência que permite que o investidor efetivamente transfira a carteira entre diferentes fundos, gestores e estratégias.
Outro ponto importante: diversifique. Quanto mais variado for seu portfólio, melhor ele tende a comportar-se em diferentes cenários. E não esqueça de revisar os investimentos com frequência – porém, sem excessos. Afinal, tanto seus objetivos quanto o próprio mundo dificilmente permanecerão os mesmos ao longo de 20,30,50 anos.
E por fim, lembre-se: ter um assessor de investimentos ao seu lado é o que pode fazer a diferença. Além de te auxiliar no processo de construção de uma carteira de investimentos, esse profissional será seu guia para as melhores opções para o seu perfil, realidade e objetivos de longo prazo.
No fim das contas, investir para a aposentadoria é investir na sua liberdade. É poder escolher o que fazer, quando fazer e como fazer. É poder se preocupar com a escolha entre o cabelo acaju e mexas californianas, e apenas isso. É poder decidir controlar agora, e não deixar para não controlar depois.
* Rachel de Sá, estrategista de investimentos do Research XP


