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Mais de 200 mil agentes comunitários e de combates a endemias serão capacitados para trabalhar em conjunto com ações de telessaúde e de telemedicina nos municípios brasileiros. A informação foi dada, durante evento de assinatura das portarias de regulamentação da Telessaúde e da UBS Digital, pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Hélio Angotti Neto.
Mais de 98% dos municípios do país aderiram ao programa Saúde com Agente, do governo federal, que tem por objetivo melhorar os indicadores e a qualidade do acesso e da resolutividade dos serviços da Atenção Primária. Agora, com a regulamentação da saúde digital, a ideia é que esses profissionais também ajudem a população quando precisarem desse tipo de atendimento.
“Por meio dessas novas competências, utilizando o Telessaúde e a interoperabilidade de vários sistemas que temos, o agente vai poder conectar essas pessoas, fortalecer a vigilância em saúde e a atenção primária, trazendo formação aos cidadãos. Além de fornecer diagnósticos para formulação de novas políticas públicas de saúde, voltadas para essas comunidades. Vamos ter uma noção muito melhor e mais rápida de como ajudar essas pessoas.”
Hélio Angotti Neto, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde
A capacitação dos agentes será promovida em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), e envolverá o uso de Inteligência Artificial (IA). Segundo o vice pró-reitor de Graduação da UFRGS, Leandro Raizer, isso permitirá “outras formas de verificações e checagens, além de gerar mais resultados para o Sistema Único de Saúde (SUS)”.
“Nós queremos falar a língua das pessoas que estão distribuídas por todo o Brasil. Por isso, escolhemos um formato que pudesse ser distribuído da melhor forma tecnológica e pedagógica possível, mas com a identidade da Unidade Básica de Saúde (UBS) de cada comunidade”, explicou o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.
O investimento total previsto é de R$ 388 milhões e o curso terá uma duração mínima de 10 meses. Os nomes dos profissionais que receberão essa formação serão divulgados no dia 21 de junho. Eles participarão de aulas presenciais e à distância, para não serem completamente afastados das atividades nas comunidades. Ao todo, serão 1.275 horas dentro dessa modalidade híbrida.
Projeções para o futuro
Só no ano de 2023, mais de 35 mil vagas na área de saúde digital serão demandadas pelo mercado, segundo previsões do estudo Profissões Emergentes na Era Digital: Oportunidades e desafios na qualificação profissional para uma recuperação verde, divulgado em janeiro do ano passado. Em 10 anos, esse número será de 178,5 mil, de acordo com levantamento promovido pela Agência Alemã de Cooperação Internacional e pelo Núcleo de Engenharia Organizacional da UFRGS, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Para atender essa demanda, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP) já prepara os novos alunos. Segundo o consultor de Desenvolvimento de Equipamento da instituição, Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho, um curso gratuito de formação em telemedicina é ofertado aos residentes assim que entram.
“Esse curso tem dois módulos, um ensinando a legislação e as plataformas utilizadas, e o outro sobre telediagnóstico, tele anamnesis e tele propedêutica, fundamental para eles se entregarem de maneira adequada a esse novo tipo de assistência”, ressaltou.
Além das projeções de oferta e demanda, o estudo apontou o surgimento de 14 novas carreiras ligadas à tecnologias da saúde. Entre elas, engenheiro de dados da saúde, técnico de assistência médica digital, consultor analítico técnico em telemedicina, engenheiro de produção/gestão de leitos, gerente de cuidados complexos e cuidador digital.
20 anos em dois
Quanto à população, na visão do presidente da Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital, Caio Soares, ela já está preparada para telemedicina, obrigatoriamente treinada durante o contexto da Covid-19. “Em dois anos, a pandemia colaborou para uma aceleração de 20 anos desse desenvolvimento tecnológico no país. Tempo que, normalmente, uma sociedade levaria para digerir isso. Só em maio deste ano, foram mais de 20 milhões de consultas médicas on-line”, destacou.
De acordo com dados da Saúde Digital Brasil, em 2020 esse número era de aproximadamente 10 milhões de consultas médicas, metade do alcançado no mês passado. E a tendência é só aumentar. “As novas gerações serão completamente digitais. O modelo que serve para mim hoje não vai servir futuramente. É preciso correr para remodelar o ensino e preparar os profissionais para essa era totalmente digital de atuação”, completou Soares.

