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O último concurso de admissão ao Curso de Formação de Praças (CFP) da Polícia Militar do DF, realizado pelo Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades), é alvo de denúncias dos próprios candidatos. Os problemas apontados por eles vão desde a entrada de concorrentes após o horário estabelecido no edital a quedas de energia e uso de celular nos locais de prova. O teste foi aplicado no dia 20 de maio.

Uma comissão elaborou um documento descrevendo todas as falhas. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPFDT), à Polícia Civil e à Corregedoria da PMDF.

“Fomos ao Ministério Público na semana passada e as denúncias foram aceitas. Já pediram esclarecimentos ao Iades. A banca tem até o dia 26 de junho para responder ao ofício. Dependendo da resposta, será aberto o inquérito”, informou Thays Cavalcante, uma das 56 integrantes do grupo.

Um dos principais problemas, segundo a comissão, foi o acesso de duas mulheres a um local de prova quando os portões já estavam fechados. “Temos um vídeo de duas candidatas entrando após o horário oficial de fechamento dos portões. O que fere o item 8.8.1 do Edital Normativo 21/DGP – da PMDF, que regulamenta o concurso e dita: não será admitido ingresso de candidato no local de realização das provas após o horário fixado para o seu início. Isso sem mencionar o princípio da isonomia, pelo qual todos devem ser tratados iguais, sem distinção”, destaca a denúncia.

Outro ponto polêmico foi o horário marcado em alguns comprovantes de inscrição. Alguns apontavam que a aplicação do certame seria às 13h30. Outros, às 14h. Segundo relatos de alguns candidatos, eles saíram prejudicados por culpa dos fiscais.

“Temos testemunhas que se sentiram prejudicadas, pois os fiscais não sabiam informar o tempo de decorrência da prova (não riscavam os horários no quadro) e, quando o fizeram, simplesmente falavam errado. Em um local, faltavam duas horas e sete minutos para o final da prova, e informaram uma hora e sete minutos. Em outros, restava uma hora e sete minutos, mas disseram que o tempo era de 30 minutos”, ressaltou a comissão.

Candidatos também apontaram irregularidades envolvendo celulares nos locais de realização do certame. De acordo com alguns depoimentos, um aparelho chegou a tocar na hora da prova. Uma mulher diz ter visto uma concorrente, da mesma sala, fazendo quatro assinaturas no gabarito definitivo. Quando questionada sobre o fato, a concurseira teria respondido que estava testando a caneta.

O outro lado
Questionada, a Polícia Militar do Distrito Federal pediu que as perguntas fossem direcionadas à banca. “O Iades foi a empresa vencedora da licitação para a aplicação das provas, tornando-se responsável pelos eventos durante o exame”, pontuou a PMDF.

Por sua vez, segundo informou o Iades, os portões foram fechados às 13h30, conforme edital normativo. “Todos os procedimentos para a realização das provas foram devidamente executados, tendo sido, inclusive, acompanhados pela Polícia Militar do Distrito Federal. Os candidatos tiveram 4 horas e 30 minutos para fazer as 60 questões da prova e a redação”, ressaltou a banca, por meio de nota.

“Caso algum candidato tenha interesse em reportar alguma situação, solicitamos que o faça na Central de Atendimento ao Candidato do Iades, com a devida comprovação dos fatos, para que possamos analisar individualmente cada situação”, concluiu.

Sobre o concurso
Cerca de 50 mil candidatos fizeram o certame em 26 escolas do Distrito Federal. O índice de ausência foi em torno de 12,5%. Ao todo, de acordo com a corporação, são oferecidas 3 mil vagas. A remuneração inicial prevista é de R$ 4.069,06, durante o curso de formação, mais auxílio-alimentação. Após o curso de formação, o rendimento passa para R$ 5.245.