PT pede convocação de secretário de SP em caso de presos trajados de Lula
Líder do PT na Alesp pede que secretário de Segurança de SP preste esclarecimentos sobre caso de jovens detidos trajando camisas de Lula

O líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Dr. Jorge do Carmo, protocolou um requerimento pedindo a convocação do secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico, para dar explicações sobre o caso de possível abuso de autoridade da Polícia Militar em uma operação contra o tráfico de drogas na comunidade Vitória Pantanal, em Piracicaba, no interior paulista.
O caso ocorreu na última quarta-feira (21/10). Três homens, sendo um adolescente, foram levados à delegacia vestindo camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mãe de um deles, no entanto, afirma que o flagrante com a camiseta teria sido forjado pelos policiais. O PT também acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral para apurar o que chama de “manipulação política”.
De acordo com a PM, a polícia recebeu uma denúncia anônima sobre três homens, vestidos com camisetas brancas com referência a Lula, comercializando entorpecentes em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva. Ainda de acordo com o relato, um deles estaria em posse de uma arma de fogo.
Os dois adultos, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, enquanto o menor, de 17 anos, foi apreendido. A polícia também afirma que encontrou 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesImagens da ação policial chegaram a ser publicadas pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP) no Instagram. O parlamentar também usou o caso para defender uma das bandeiras de seu campo político: a redução da maioridade penal. “Crime não pode ser relativizado. Nós seguimos defendendo leis mais duras, punição de verdade e REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL JÁ!”, escreveu Derrite.
Diante do episódio, o deputado estadual Jorge do Carmo afirma ser “indispensável” a presença do secretário de Segurança Pública para esclarecer os procedimentos de apuração adotados pela Corregedoria, além da “identificação dos policiais envolvidos e de que, comandou a ação, bem como sobre as medidas cabíveis para coibir desvios dessa natureza”.
“O papel das instituições de segurança pública deve pautar-se estritamente pela legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa. A suposta utilização do aparato policial estatal para forjar cenários com objetivos de propaganda ou difamação política fere frontalmente o Estado Democrático de Direito e a integridade do processo eleitoral”, diz o petista.
Mãe diz que filho não vestia camiseta de Lula quando foi abordado
Edna Souza Barbosa, de 33 anos, disse em entrevista ao Metrópoles que o filho dela, de 17 anos, não vestia uma camiseta do presidente Lula no momento da abordagem.
“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não estava com blusa de Lula. […] Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, disse ela.
Segundo o relato da mãe, os policiais também agrediram o menor e outra filha dela, de 14 anos, que tentou se aproximar do irmão. “Não estou falando que o meu filho estava certo. Não, jamais. Ele estava errado. Usando droga, fazendo o que não era para ser feito. Porém, não precisava eles reagirem da forma que reagiram. […] E colocaram a camisa para ter ibope, para ter engajamento. Não sei qual foi a intenção deles”.
As camisetas que os três jovens vestiam em referência a Lula era do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Na manhã dessa quarta (21/10), o sindicato participou de um ato de apoio ao presidente organizado pelo movimento estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba. O protesto reuniu alunos, funcionários, professores e pesquisadores da instituição.
O que diz a Polícia Militar
Sobre o caso de intimidação contra as duas mulheres mencionadas nesta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse, em nota enviada ao Metrópoles, que não compactua com desvios de conduta e pune com rigor casos comprovados.
“Até o momento, não houve registros dos fatos relatados na Comunidade Vitória Pantanal nesta quarta (21). Vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados”, afirmou.
Já em relação à operação realizada na mesma comunidade, afirmou que “foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente e um revólver e mais 137 porções da droga com os adultos. Ao todo, foram apreendidas 160 porções de cocaína e R$ 340. O caso foi registrado como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional no 2º Distrito Policial de Piracicaba. Os adultos permaneceram à disposição da Justiça e o adolescente ficou apreendido”.
A pasta não respondeu à reportagem sobre as acusações de que o flagra do trio suspeito com a camiseta de Lula teria sido forjado. O espaço está aberto.
Em nota ao Metrópoles, a assessoria de Derrite disse que o objetivo da publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e que não fez menção às camisetas.
“A ocorrência, que resultou na prisão de dois adultos e na apreensão de um adolescente, reforça a preocupação com o envolvimento de menores de idade em crimes graves e a necessidade de avançar no debate sobre a redução da maioridade penal, medida defendida por Derrite”, diz a nota.









