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Eleições 2026Vinicius Passarelli

Esquerda evangélica tem apenas 9% das interações nas redes, diz ranking

Ranking aponta que das 30 lideranças políticas de identidade evangélica com maior engajamento nas redes, apenas cinco são ligados à esquerda

22/10/2026 04:30
Reprodução/Instagram
Multidão de fiéis na Marcha para Jesus em São Paulo

Das 30 lideranças políticas de identidade evangélica de maior engajamento nas redes sociais, apenas cinco são ligadas à esquerda, que representam 8,7% das interações acumuladas durante o período eleitoral de 2026. A direita totaliza 91,3% do engajamento.

Os dados são de um estudo feito pela organização Casa Galileia e o Instituto Democracia em Xeque, que monitorou, entre 6 de julho e 27 de setembro, as 30 lideranças políticas evangélicas com maior engajamento nas redes. Ao longo de quatro meses, a cada quinzena, foram registrados os perfis com mais interações, o que resultou em nove relatórios analíticos.

O engajamento é altamente concentrado. Os cinco primeiros colocados somaram 60,2% do total: Nikolas Ferreira (PL), com 57,7 milhões de interações, Flávio Bolsonaro (PL), com 56 milhões, Eduardo Bolsonaro (PL), Pablo Marçal (União) e Deltan Dallagnol (Novo). Nikolas liderou todos os rankings quinzenais, com destaque a partir de agosto, quando lançou seu primeiro vídeo de campanha.

A esquerda aparece representada por André Janones (Rede), Carlos Bezerra Jr. (PSD), Pastor Henrique Vieira (PSOL), Marina Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT). Janones, com 9,9 milhões de interações, é o único do campo entre os dez primeiros colocados, na oitava posição.

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Disparidade de gênero

De acordo com o levantamento, mulheres respondem por 5,9% das interações, enquanto os homens acumulam 94,1%. A sub-representação atinge os dois campos políticos, mas o resultado nas urnas foi diferente em cada um.

À direita, todas as candidatas com maior engajamento foram eleitas: Michelle Bolsonaro, Clarissa Tércio e Ana Campagnolo. Michelle é a mulher mais bem colocada no ranking, na 14ª posição. À esquerda, entre as lideranças de maior engajamento, só homens se elegeram.

PL lidera entre os partidos

Na distribuição partidária, o PL teve volume de interações 165,9% superior ao dos outros nove partidos somados, ou 2,66 vezes o total acumulado por eles. Entre os cinco primeiros colocados, o relatório destaca ainda União, Novo, Rede e Missão. Segundo a análise, isso pode indicar uma tendência de concentração do engajamento digital em partidos ligados ao campo da direita.

Engajamento e votos

A correlação entre redes e urnas se confirma. Entre as lideranças do ranking que disputaram a eleição, 82,61% foram bem-sucedidas. Quase metade das candidaturas (46%) era para deputado federal, seguida pelo Senado (23%), o que, para o relatório, indica uma aposta em mudar de escala.

Vários nomes do topo foram os mais votados em seus estados: Nikolas Ferreira (MG), André Fernandes (CE), Lucas Pavanato (SP), Cabo Gilberto Silva (PB), Michelle Bolsonaro (DF) e Ana Campagnolo (SC).

O estudo, porém, aponta mais repetição de padrões do que renovação. Com exceção de candidaturas como a de Michelle Bolsonaro ao Senado, os demais eleitos já haviam disputado outros pleitos.

Para a pesquisadora, a ampliação do capital político desses grupos envolveu a “reciclagem” de candidatos, e não o surgimento de novos nomes. Pavanato é o exemplo: já havia tido votação expressiva como candidato a vereador em São Paulo e foi o deputado federal mais votado do estado. O engajamento, porém, não garante êxito: Hélio Lopes e Rodrigo Valadares mantiveram números expressivos e não se elegeram.

Pautas morais e antipetismo

Os relatórios mostram que lideranças de direita ligaram o antipetismo à agenda moral. Os temas de maior circulação foram gênero, sexualidade, segurança pública, ataques ao Judiciário e liberdade religiosa.

Pautas como a proteção às crianças, já recorrentes em outras eleições, foram aprofundadas e alimentaram uma escalada contra pessoas transgênero.

Entre os exemplos estão a restrição do acesso de mulheres trans a banheiros femininos e a proibição de crianças na parada LGBT. Também foram frequentes a associação entre Lula e o crime organizado, ataques a lideranças cristãs progressistas que apoiaram o presidente e discursos sobre perseguição a cristãos.