Emenda investigada pela PF bancou evento com banda de secretário em SP
Evento que recebeu R$ 500 mil do governo federal via emenda investigada pela PF teve apresentação de banda de secretário de prefeitura do PL

Uma das emendas parlamentares atribuídas por investigação da Polícia Federal ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, bancou um evento com show de uma banda ligada a um secretário da prefeitura de Guarulhos, comandada por Lucas Sanches (PL).
O valor de R$ 500 mil foi pago em dezembro de 2025 para a contratação da banda Traia Véia e da dupla Thaemo & Thiago, que se apresentaram na 4ª Agrofest em novembro daquele ano em Iepê, cidade do interior paulista com cerca de 7,6 mil habitantes.
A Traia Véia tem entre seus sócios o secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão Lucas Sanches em Guarulhos, Rodrigo Luiz Batista Redoschi. A banda recebeu R$ 250 mil pelo apresentação.
Além do evento em Iepê, emendas na mira da PF foram utilizadas para a contratação de artistas em cidades como Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR), de acordo com dados do Transferegov.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOs recursos saíram do orçamento do Ministério do Turismo. Mais de R$ 80 milhões das emendas atribuídas ao chefe do PL beneficiaram cidades chefiadas por filiados da sigla, segundo levantamento feito pela coluna Tácio Lorran. O dirigente partidário nega qualquer irregularidade.
Em nota, Redoschi afirmou que as contratações, assim como seus respectivos valores, são públicas e podem ser consultados nos canais oficiais de transparência. Disse também que que quando há a contratação, “não sabemos se o recurso veio através de alguma emenda ou de recurso proveniente do próprio contratante”.
“Minha relação com a banda Traia Véia é exclusivamente como empresário e investidor, atividade que exerço anteriormente à minha atuação como secretário municipal. A banda alcançou projeção nacional em 2023, consolidando sua carreira no cenário musical brasileiro, fazendo shows em todos os estados do Brasil”, disse o secretário.
Ela ainda afirma que sua “atividade empresarial é independente das minhas funções como secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Guarulhos, sendo que não há qualquer vedação legal”. “Eventuais contratações da banda por órgãos públicos são de responsabilidade dos respectivos contratantes e devem observar todos os procedimentos legais. Reafirmo meu compromisso com a transparência, a ética e o respeito às instituições públicas”, completou.
Já a prefeitura de Guarulhos disse que “não teve qualquer participação nos fatos narrados”.
Em nota, a prefeitura de Iepê afirmou que a transferência de recursos federais ocorreu por meio de convênio firmado diretamente com o Ministério do Turismo, no valor de R$ 500 mil.
“Todo o processo, desde a apresentação da proposta até a execução e prestação de contas, foi submetido à análise e fiscalização do Ministério do Turismo, observando as exigências legais e técnicas aplicáveis. Ressaltamos também que toda a documentação referente ao convênio e à
aplicação dos recursos está disponível para consulta por meio dos mecanismos oficiais de transparência”, disse o município.
Investigação da PF
A investigação da PF aponta que Valdemar seria o responsável por mais de R$ 100 milhões em emendas indicadas nas áreas da Saúde, Turismo e Desenvolvimento Urbano.
Diante dos indícios apontados pela PF, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a indisponibilidade de R$ 119 milhões em bens de Valdemar. O magistrado ainda determinou a suspensão da execução de todas as despesas listadas pela corporação.
A decisão de Dino reproduz trechos de representação da PF que revelam a atuação de três servidores da Câmara dos Deputados para inserir entre as indicações regulares emendas de Valdemar. Segundo a apuração, os investigados tinham consciência de que tratavam emendas como quotas privadas de agente estranho ao cargo, o que preenche os elementos do “peculato‑desvio
O que diz Valdemar
Em nota à época, a defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido com surpresa a decisão de Flávio Dino. “Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.
“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, completou.
A defesa do presidente do PL afirmou que é “natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”.
“A defesa lamenta a exposição pública prematura de investigação ainda em fase preliminar, especialmente quando desacompanhada de elementos indiciários idôneos e em período de especial sensibilidade institucional e eleitoral”, destacou.




