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Vinicius Passarelli

Dark Horse: polícia aponta faturas sem lastro de R$ 8,5 milhões de empresa

Análise técnica da Polícia Civil aponta indícios de inconsistências financeiras e documentais em prestação de contas do ICB à prefeitura

13/09/2026 15:47, atualizado 13/09/2026 16:07
Divulgação/Governo de SP
operação tráfico drogas zona leste sp

A Polícia Civil identificou que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), investigado por supostas irregularidades em um contrato com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de WiFi, teria apresentado ao menos quatro faturas sem lastro fiscal no valor de R$ 8,5 milhões.

As faturas teriam sido emitidas pela empresa Make One Tecnologia Digital, subcontratada para a locação de equipamentos eletrônicos.

“Tais faturas careceriam de qualquer validade ou lastro fiscal, uma vez que não teria havido a emissão das respectivas notas fiscais e o consequente recolhimento dos tributos municipais”, afirmou o delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, da Divisão de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração e Combate à Corrupção da Polícia Civil de São Paulo.

A polícia ainda afirma que as faturas apresentariam numeração “estritamente sequencial e teriam sido emitidas no mesmo dia, com idêntica data de vencimento, mas com valores fracionados, indicando uma montagem documental artificial para encobrir saídas ilegíveis de caixa”.

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O Metrópoles busca contato com a Make One. O espaço segue aberto para manifestação.

As informações constam em relatório que embasou a operação “WiFi Livre”, deflagrada em junho desse ano. Os documentos foram tornados públicos neste domingo (13/9) pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia solicitado o compartilhamento das informações da investigação da Polícia Civil.

Uma das linhas de investigação é a suspeita de que os valores referentes ao contrato de R$ 108 milhões entre a prefeitura e o ICB podem ter sido desviados para a produção do filme Dark Horse, produzido pela Go Up Enterteinment. Tanto o ICB como a Go Up são de propriedade de Karina Gama, alvo da operação de junho.

No relatório, o delegado diz haver indícios de “materialidade das condutas delitivas”. “A análise técnica das informações pelos Srs. Investigadores de Polícia desta unidade revelou, a partir de informações obtidas junto à imprensa em publicações de notícias veiculadas em âmbito nacional, a suposta inserção de ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais e comprovantes de despesas”, escreveu o delegado.

Além das notas sem lastro, a polícia cita notas fiscais canceladas no mesmo dia por outras empresas prestadoras de serviço à ONG, além de autofaturamento e pagamentos duplicados.