
Tácio LorranColunas

Vorcaro arrumou guias em viagem à Disney para servidor do BC, diz PF
Ex-diretor do Banco Central é suspeito de receber vantagens financeiras de Daniel Vorcaro
atualizado
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Preso nesta quarta-feira (4/3) no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, o ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza é suspeito de receber vantagens financeiras do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A Polícia Federal suspeita que Vorcaro atuou, inclusive, para arranjar detalhes de uma viagem do servidor para a Disney.
“Há indícios de que PAULO SÉRGIO tenha recebido vantagens indevidas associadas aos interesses defendidos junto à instituição financeira investigada, as quais teriam sido operacionalizadas por meio de mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos”, escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“Além de tais pagamentos, outro forte indício de que VORCARO corrompia PAULO SÉRGIO pode ser identificado a partir de troca de mensagens realizadas por VORCARO ao saber, por meio de mensagem de WhatsApp do próprio PAULO SÉRGIO, de uma viagem que o referido servidor do BACEN faria aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal. VORCARO chega a comentar em mensagem reproduzida na fl. 54 que precisaria ‘arrumar guia pra essas pessoas’. E em seguida, aciona pessoa específica para providenciar o serviço em questão”, prossegue o ministro do STF.
Paulo Sérgio Neves de Souza ocupava, na ocasião, o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC.
Segundo as investigações, ele mantinha interlocução frequente com Daniel Vorcaro e passou a atuar informalmente em favor dos interesses do Banco Master. Paulo Sérgio tinha até mesmo um grupo de WhatsApp com Daniel Vorcaro e Belline Santana, servidor do Banco Central que também foi preso nesta quarta-feira.
“Os elementos informativos reunidos indicam que PAULO SÉRGIO prestava consultoria informal e contínua ao referido investigado, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora”, descreve Mendonça.
“Consta também que PAULO SÉRGIO revisava minutas de documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master e destinadas ao próprio Banco Central, sugerindo alterações e ajustes antes da formalização dos documentos perante a autarquia supervisora”, prossegue o ministro do STF.








