Tácio Lorran

TCU: ministro ignora área técnica e libera penduricalhos de Alcolumbre

Apesar de recomendação contrária, Aroldo Cedraz, do TCU, arquivou denúncia sobre penduricalhos de Alcolumbre, revelados pela coluna

atualizado

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Derrubada do decreto presidencial que reajustava o IOF Davi Alcolumbre União-AP diz que o Congresso mais ajudou do que atrapalhou o Governo - Metropoles
1 de 1 Derrubada do decreto presidencial que reajustava o IOF Davi Alcolumbre União-AP diz que o Congresso mais ajudou do que atrapalhou o Governo - Metropoles - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União (TCU), arquivou a denúncia sobre os penduricalhos criados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mesmo após a área técnica recomendar a suspensão da medida de forma cautelar. A decisão foi obtida pela coluna, que revelou o caso.

Para Cedraz, que é relator do processo no TCU, não se pode comprovar a despesa com a implementação de uma licença-compensatória aos servidores do alto escalão do Senado – similar ao benefício pago no Poder Judiciário e que garante supersalários de até R$ 1 milhão. Trata-se tão somente de uma discussão da norma, sem a aplicação de fato, argumentou o ministro.

Na prática, barrou a investigação contra Alcolumbre e liberou os penduricalhos. A denúncia veio da Transparência Brasil.

“Ainda que o denunciante tenha juntado aos autos cópia do ato administrativo impugnado, não há qualquer comprovação de que tenha ocorrido despesa a título de indenização de licença-compensatória e que essa despesa tenha ofendido dispositivo legal. Há tão somente uma tentativa de se travar discussão a respeito do ato normativo em tese, descolada de sua aplicação efetiva, com o fito de que se promova ou controle de constitucionalidade ou de legalidade de norma regulamentar genéricа е abstrata”, diz trecho da decisão.
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Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
Presidente do Senado Davi Alcolumbre
Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP)
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Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP)

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso
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Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso

Andressa Anholete/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre

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Presidente do Senado Davi Alcolumbre

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Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O novo penduricalho de Alcolumbre estabelece um dia de folga a cada três dias úteis de trabalho. Esse período de descanso, todavia, pode ser convertido em indenização – elevando os gastos com pessoal. Além disso, assinala que o valor “não comporá a base de cálculo de quaisquer adicionais ou gratificações e tampouco integrará a base remuneratória para fins previdenciários”.

“O servidor poderá requerer à Diretoria-Geral que os dias de licença compensatória sejam indenizados”, diz o parágrafo 1º do art. 4º do ato normativo assinado por Alcolumbre em 28 de fevereiro.

A Unidade de Auditoria Especializada em Pessoal (AudPessoal) do TCU, por sua vez, recomendou o acolhimento da denúncia para a suspensão do penduricalho. O argumento da área técnica é de que o penduricalho consiste no “pagamento irregular de parcelas remuneratórias ou indenizatórias” que levariam a um alto valor com o passar dos anos.

“Adentrando especificamente na irregularidade suscitada, o auditor afirma existir interesse público no trato da matéria, por consistir em pagamento irregular de parcelas remuneratórias ou indenizatórias, e que há risco, materialidade e relevância, pois tal pagamento ao longo do tempo resultaria em montante expressivo”, informa o documento.
imagem colorida fachada tcu
Fachada do TCU

Os técnicos sustentam, ainda, que falta “lastro legal” para a medida de Alcolumbre. “A criação da licença compensatória teria o condão de incrementar irregularmente as quantias percebidas pelos servidores alcançados pela norma, de modo a ultrapassar o teto remuneratório constitucional”, prossegue. Todos os argumentos foram ignorados por Cedraz.

A criação do penduricalho por parte de Alcolumbre se deu em 28 de fevereiro passado, época em que os supersalários de juízes e de membros do Poder Judiciário estavam em debate. A licença se destina a titulares da Diretoria-Geral, da Secretaria-Geral da Mesa, do Gabinete da Presidência, da Advocacia, da Auditoria, da Consultoria Legislativa, da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle e da Secretaria de Comunicação Social.

Alcolumbre não comentou criação de penduricalho

À época da publicação do ato que criou o penduricalho, a coluna demandou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não se manifestou.

A reportagem também perguntou ao Senado qual o impacto orçamentário do ato e quantos servidores poderão usufruir do penduricalho, mas também não houve retorno. O espaço segue aberto.

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